domingo, 17 de abril de 2011

O mal da vergonha...

Uma vergonha especifica vive na criança interior de todos nós

por Maria De Fatima Jacinto, domingo, 17 de abril de 2011 às 17:23
Um senso difuso de vergonha de nós mesmos, uma sensação de que não temos valor ou merecimento. Uma vergonha especifica vive na criança interior de todos nós, e deriva da época em que descobrimos chocados, que nossos pais e o nosso mundo não eram perfeitos. 
A criança tem uma grande necessidade de acreditar que seus pais são perfeitos, já que eles são tudo o que a separa do caos ou da morte. Quando a criança descobre que não é amada perfeitamente ou é até maltratada, ela supõe que a culpa deve ser sua, porque normalmente não conhece a intimidade de outras famílias para fazer uma comparação. 
A criança, então fica profundamente envergonhada da sua característica, seja qual for que merece – como ela erradamente acredita- ser castigada ou abandonada. Na época em que a criança em crescimento entende que os pais e outros adultos são imperfeitos e têm problemas, a vergonha já criou profundas raízes, a auto-estima já foi danificada. 
Sabemos agora que esse processo ocorre em casos de abuso infantil. A criança geralmente é incapaz de perceber a verdadeira origem do comportamento destrutivo das pessoas, que também são seus protetores e guardiões, e, portanto conclui que é a culpada pelo mal que lhe é feito, seja ele qual for. Criando defesas para não ser magoada outra vez, e abrigando uma vergonha secreta cada vez maior, a criança acha muito difícil expor a verdade.
Precisamos “perceber que o sentimento de culpa nada mais é do que a rejeição do estado em que você se encontra neste momento, indicando que você não esta disposto a aceitar a si mesmo como é agora.” Todo o crescimento começa com a aceitação do que é verdadeiro agora o nosso respeito, incluindo nossas emoções e nossos comportamentos irracionais e limitadores, e as imagens subjacentes que determinam essa forma desorientada e travada de reagir à vida. A imagem nasce da crença dualista ta de que alguns aspectos da vida são inseguros e que é preciso defender-se deles. A criança que um dia fomos passou por uma decepção e uma dor especifica e fez uma generalização sobre a vida com base nessa experiência peculiar.
Cada um de nós reage às experiências negativas da infância de modo muito diferente, de acordo com a predisposição. Algumas experiências infantis realmente colocam em risco o bem estar físico mental e emocional da criança. Um fato como o divorcia dos pais pode ser sentido como muito mais devastador do que de fato é.
A criança pensa em termos gerais e absolutos. Essas conclusões ajudam-na a tentar entender e, portanto, são uma forma de defesa para ela não ser arrasada pelas experiências dolorosas. O adulto, com um ego mais forte, é capaz de abrir-se as suposições inconsciente sobre a vida e investigar mais minuciosamente essas generalizações. Ele procurar localizar as experiências pessoais verdadeiras e especificas que deram origem ás imagens. E depois, com seu ego mais forte, pode reviver e assimilar a dor não sentida da infância que está por trás da falsa generalização.
As imagens podem ser simples generalizações. Com base nas experiências tidas com um pai cruel, concluímos: “Todos os homens são cruéis”. Com base nas muitas brigas familiares por causa de dinheiro, concluímos: “O dinheiro só traz problemas.”
“Sempre que fazemos generalizações, em especial em relação a alguém com quem mantemos um relacionamento intimo, do tipo “os homens sempre”-ou” Os homens nunca “- ou ainda “Você sempre”-ou “Você nunca”- estamos no território das imagens de infância, e não estamos reagindo de fato á situação atual. Estamos vendo o presente através das generalizações feitas com base em experiências infelizes do passado, que usamos para nos defender da dor da situação atual.
Precisamos entrar na cabeça da criança interior para entender como essas falsas crenças se consolidaram como base de nossas reações emocionais aos outros, mesmo que nossa inteligência adulta nos diga que essas conclusões, racionalmente, não tem sentido.

Muitas vezes nos envergonhamos da criança que vive em nós. Podemos já não se lembrar dos processos de raciocínio infantis, e podemos ter esquecido há muito as experiências ou impressões que levaram a essas conclusões erradas. Mas a sensação de vergonha permanece.

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