sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Drogas, a peste do século


O tema da liberação das drogas, recorrente na mídia, foi acolhido, de maneira surpreendente --e preocupante--, pela comissão de juristas incumbida de elaborar um novo Código Penal para o país.
A deliberação passa agora à responsabilidade do Senado, que certamente terá de revê-lo.
Se não o fizer, estará colaborando para o agravamento de um quadro trágico: são assassinadas, por ano, no Brasil, segundo o Ministério da Justiça, nada menos que 50 mil pessoas, média de 136 mortes por dia, índice de guerra civil.
Ressalte-se que esses números se referem apenas aos que morrem no local do crime. Não há dados a respeito dos que morrem posteriormente, em decorrência das agressões.
São vítimas, na quase totalidade, do crime organizado, que tem no tráfico de drogas o seu epicentro.
Na guerra do Iraque, a média diária era de 35 homicídios de civis por dia, segundo dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas) ao final do conflito.
Os dados brasileiros são de 2010, e não são isolados: a média aterradora prevalece há alguns anos.
Confrontem-se (e conectem-se) esses números com os de outra pesquisa, o 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), colhidos pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), da Universidade Federal de São Paulo (USP).
Eis o que lá está: o Brasil é o segundo maior mercado consumidor mundial de cocaína e derivados, com 20% do mercado global, e o maior mercado de crack.
Nada menos.
A pesquisa traz outros detalhes tenebrosos: 4% dos adultos e 3% dos adolescentes brasileiros já experimentaram cocaína e derivados alguma vez na vida; 1 em cada 100 adultos consumiu crack no último ano; 1 em cada 4 usuários da droga a consome mais de duas vezes por semana; 45% dos consumidores de cocaína experimentaram a droga antes dos 18 anos.
Em meio a tudo isso, duvida-se, nos círculos pensantes --de onde, espantosamente, procedem as campanhas pela liberação--, que a droga seja a grande peste da nossa época. A grande peste, sobretudo, do nosso país, comprometendo nossa juventude e, em decorrência, nosso futuro.
Os defensores da liberação costumam citar, levianamente, países desenvolvidos em que tal prática teria dado certo. Não há nenhum!
A Holanda, sempre citada, jamais liberou as drogas. Tolera, em locais específicos, apenas o consumo da maconha.
Agora, no entanto, diante dos resultados adversos, está revendo esse critério.
Esse país, tão liberal, proibiu --e pôs placas nas fronteiras-- o assim chamado "turismo da maconha" e impôs aos estabelecimentos onde o consumo ainda é tolerado que deixem de vender maconha de alta potência (conhecida como "skunk") --a mais consumida e cujo principal agente químico, o THC, é mais intenso.
São medidas graduais, para chegar onde é preciso: à proibição pura e simples do consumo.
Se, com toda a repressão legal --nem sempre correspondida pela eficácia da ação policial e pela Justiça--, o Brasil é figura de proa no mercado consumidor, imagine-se o que ocorreria com a liberação.
Não creio que seja necessário explicar.
Possivelmente, os lucros provenientes do livre comércio de drogas continuariam sendo auferidos pelas mesmas quadrilhas do crime organizado, que comandam o tráfico até mesmo de dentro dos presídios de segurança máxima.
Para a sociedade, continuaria a sobrar tão somente o imenso ônus social e econômico.
O mais impressionante é que não há qualquer demanda da sociedade no sentido de liberar as drogas. Muito pelo contrário.
Recente pesquisa, coordenada pelo cientista social Antônio Lavareda, por encomenda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), junto à classe C --a que mais sofre os efeitos da criminalidade--, constatou que nada menos que 90% se opõem à liberação das drogas.
Deduz-se, portanto, que a ideia de liberação das drogas é um delírio, inspirado possivelmente por quem desconhece as estatísticas.

De Kátia Abreu senadora (PSD-TO) principal líder da bancada ruralista no Congresso. Formada em psicologia, preside a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Da Folha de São Paulo de 08/09/2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Foto: ''Se alguém está tão cansado que não possa te dar um sorriso, deixa-lhe o teu.''

Provérbio chinês'

"Se alguém está tão cansado que não possa te dar um sorriso, deixa-lhe o teu.''

Provérbio chinês
Foto

Saudade / João Guimarães Rosa

Saudade
Saudade de tudo!...
Saudade, essencial e orgânica,
de horas passadas,
que eu podia viver e não vivi!...

Saudade de gente que não conheço,
de amigos nascidos noutras terras,
de almas órfãs e irmãs,
de minha gente dispersa,
que talvez até hoje ainda espere por mim...

Saudade triste do passado,
saudade gloriosa do futuro,
saudade de todos os presentes
vividos fora de mim!...

Pressa!...
Ânsia voraz de me fazer em muitos,
fome angustiosa da fusão de tudo
sede da volta final
da grande experiência:
uma só alma em um só corpo,
uma só alma-corpo,
um só,
um!...
Como quem fecha numa gota
o Oceano
afogado no fundo de si mesmo...

Quem é o bandido??? / Bya Albuquerque

Na última postagem comentei a atrocidade cometida contra o meu filho e seu colega. Hoje quero falar...debater sobre a ação policial.
Eu sempre tive mais medo da polícia que dos bandidos em si e acho que sempre tive razão para isso, principalmente após a leitura do livro do Caco Barcellos. Já tive amigos policiais civis / delegados, mas quando via um PM, preferia me manter longe.
Nunca tive medo de bandidos...sempre procurei manter calma ao deparar com um deles. Por duas vezes, de madrugada, meu marido que é alérgico a várias medicações, ficou com febre e passando mal. Por duas vezes, em bairros diferentes de São Paulo, saí de madrugada atrás de uma farmácia...e fui interpelada por traficantes locais. Os dois jé haviam me visto no bairro e perguntaram o que eu queria naquela hora tardia. Com a minha explicação, os dois avisaram os seus comparsas pelo rádio, dizendo que eu "era gente boa" e que não só era para me deixar passar em paz, como para fazer a proteção!!!
Já aqui em Ribeirão, eu e minha filha sofremos assaltos a mão armada e em pleno dia. Primeiro foi a minha filha, que estava indo à casa da minha mãe, sem carteira e somente com celular. Foi parada numa esquina do bairro chique, ao meio dia, numa rua de alto movimento. Sempre ensinei aos meus filhos a não demonstrar o medo e entregar tudo. O ladrão que levou o celular dela ficou tão impressionado com a sua calma, que ele mesmo ofereceu para ela ficar com o chip. Ao retirar o chip, ela aproveitou e retirou o cartão de memória. Muitos viram, porém ninguém ajudou...Depois foi a minha vez: estava no mesmo bairro, saindo do médico. Vi numa esquina um rapaz bem vestido e apessoado, parado. Quando passei por ele, juntou-se um outro rapaz e cada um ficou ao meu lado. Senti e vi a arma e eles pediram, com educação, a minha carteira. Expliquei que a minha carteira continha documentos importantes, mas a abriria na frente deles e entregaria todo o dinheiro. Assim foi feito, ficando eu com a carteira e os documentos e eles com o dinheiro. Ainda recebi agradecimento pela minha "colaboração"...
Meu filho e seu colega sofreram uma violência gratuita com abuso de poder. Fico pensando na periferia, onde a ação poderia acabar de um modo mais trágico. E só fico me perguntando o porquê de tanta intimidação...violência... prepotência.
80 % dos que leram o fato acontecido como meu filho, aconselharam a eu ficar na minha e acho que eles tem toda razão. Não quero retaliação e muito menos ficar na angustia de espera do meu filho voltar para casa.
E também me pergunto: QUE PAÍS É ESTE???





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Abuso Policial...

Ontem meu filho de 14 anos estava voltando do colégio com um amigo. Eram mais ou menos 19:00 horas e eles estavam numa das avenidas mais movimentadas daqui de Ribeirão...lotada de comércio e num bairro de classe média alta. Os dois estavam bem trajados, com camiseta do colégio e mochilas. Estavam a oito quarterões da minha casa, quando a mãe do colega ligou no cel do filho avisando que estava por perto e que ia dar uma carona. Os dois se sentaram num banco em frente a uma loja de brinquedos infantis,conversando, quando passou um carro da Polícia Civil e resolveu implicar com os dois. Além de serem agredidos verbalmente com palavrões, um deles chegou a tirar a arma e apontar para o chão, numa atitude de provocação. Infelizmente não houve testemunhas e fui orientada a ficar quieta para não houver retaliação. Fica registrado o meu protesto e a minha indignação...

sábado, 1 de setembro de 2012

HOJE EU / Nina Castro

Reservo meu dia ao delito
Morte anunciada
Tensão. Medo e frio.
Ânsia louca, rasgar a carne,
costurar
Suor e lágrimas de prazer
Gritos absurdos no ar
busca por um sinal, um cheiro
uma gota de álcool...éter?
Olho em volta e encontro um
espelho
e ele me diz: calma
Fotografo minha mente
Meu corpo todo se arrepia...
Onde é o limite?
Vejo a imensidão. Nada é finito
Dona. Dona das minhas horas
Totalmente dona dessa loucura
dessa busca sem nome, sem data
Pelo espelho fotografo meu corpo
Minha mesa aparece ao fundo.
Vejo um iPaid
Agora reservo meu dia ao trabalho
Fui resgatada e sorrio. Ainda sou
uma boa menina.