sexta-feira, 18 de novembro de 2016

ÚLTIMA POSTAGEM DESSE ANO / BYA ALBUQUERQUE

ESTIMADOS AMIGOS...DEVIDO AOS PROBLEMAS SÉRIOS DE SAÚDE E FAMILIARES, FICAREI AFASTADA ATÉ O ANO QUE VEM. ESSE ANO FOI EXTREMAMENTE DIFÍCIL E ESPERO, SINCERAMENTE, QUE NO PRÓXIMO EU VOLTE A POSTAR ASSIDUAMENTE. UM GRANDE ABRAÇO A TODOS, BYA. 


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Molestamentos...abusos sexuais...pedofilia...estupros...fatos tristes presentes no dia a dia / Bya Albuquerque

Um caso recente reacendeu a polemica sobre o estupro (apesar de haver um a cada 11 minutos). E também esquecem que os garotos / homens sofrem o estupro. Juntamente com as outras comunidades, "Filhas do Silêncio" está nessa luta desde os grupos do yahoo (vai fazer nove anos). Faz pelo menos nove anos que estamos tentando conscientizar sobre o grande problema do abuso sexual e suas atrozes consequências. No caso dessa comunidade a maior importância é mostrar as consequências e como a pessoa deve se valorizar e se cuidar fisicamente e emocionalmente. Porque um abusado na infância cresce e vira um adulto lotado de vários tipos de problemas. Infelizmente, juntamente com o abuso físico sempre vem o abuso emocional. Não adianta discutir caso por caso...vítima por vítima. Temos que levar em consideração que a grande maioria das vítimas permanecem em silêncio. Pensar no fim do abuso sexual é utopia...assim como acreditar no fim da corrupção, drogas, violência doméstica, violência urbana. O que precisa ser feito é uma enorme conscientização de que o abuso sexual e psicológico é um crime hediondo. Que a omissão é crime!!! É preciso criar mais centros de apoio para as vítimas. É preciso criar condições para que a vítima possa voltar para vida social. No dia 23 de dezembro do ano passado uma mulher de 34 anos e dois filhos pequenos, que mantinha contato comigo, se suicidou. Foi novamente estuprada pelo amigo do pai, com o consentimento do mesmo, já que ele também a estuprava. A descrença e o descaso da mãe terminaram de "fazer o serviço". Não importa quantos são os algozes: 30 ou 1. A dor e a humilhação são as mesmas!!! Precisamos não nos omitir, a sermos solidários. Precisamos saber "estender a mão". E com isso aliviar um pouco da dor das / dos milhares filhas e filhos do silêncio. É preciso que a vítima volte a se sentir uma pessoa.

Todo o meu respeito pelo apresentador José Datena, pois apesar do seu jeito de ser, não só divulga casos de abuso sexual...como também pede o fim da omissão e conscientização da sociedade sobre esse crime.

Todo meu pesar pela vítima citada no começo do texto, pois a falta de respeito por si própria é de arrasar. Ficou menos preocupada com o estupro em si e mais na divulgação do mesmo...

Tudo num livro só.../ Bya Albuquerque

Molestamento...Estupro...Abuso Sexual...Abuso Emocional...Violência Psicológica...Assédio Moral...Bullying...Ciber Bullying...Agressão Verbal...Agressão Física...Automutilação...Vaidade...Descriminação...Omissão...Intolerância.

Tudo isso pode ser visto (lido) no primeiro livro de J.K. Rowling (autora do Harry Potter) escrito para adultos: "Morte Súbita". A história se passa num vilarejo no interior da Inglaterra e mostra toda intolerância...mediocridade...e hipocrisia dos moradores. Pesado, porém realista e bom.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Relato de uma anônima

EU FAÇO QUESTÃO DE COLOCAR ESSE RELATO AQUI, RECEBIDO NESSE MESMO BLOG COMO UM COMENTÁRIO DE UMA MATÉRIA. MUITO TRISTE E EMOCIONANTE...BYA.


Olá, depois de passar por muitos médicos por um problema de visão distorcida sem diagnóstico ouvi de um neurologista muito competente você teve algum trauma? Bateu a cabeça?
Isso me deixou muito revoltada, tive que sair da faculdade de medicina para tratar minhas crises de enxaqueca, perca de memória e visão turva. Fui abusada durante muitos anos por homem e mulher. Minha mãe teve depressão pós parto e não cuidava de nossa família, na casa de meus padrinhos sempre acontecia meu padrinho de uns 40 anos passar a mão na minha vagina e seios.
Depois uma vizinha de uns 17 anos aproximadamente pedia para me levar para brincar e para minha mãe era um alívio eu tinha poriginal volta de 2 a 3 anos, então ela me beijava na boca e fazia sexo oral comigo, más eu lembro como se fosse hoje, isso passaram uns 3 anos até que um dia ela me levou no meio do mato e enfiou os dedos na minha vacina, eu desesperada de dor implorei que ela parasse, ela disse pra eu abrir bem as pernas que não doeria, então eu chutei a cara dela e não sei como consegui correr e escapar, foi o trajeto mais longo da minha vida, até chegar em casa esbaforida, gritei a minha mãe. "Estou machucada" então ela me deu banho e eu sentia muita dor, ela perguntou você deixou alguém mexer aí? E um não conseguia responder. Então ela passou uma pomada e disse você não pode deixar ninguém mexer aí. Eu fiquei dias com a região dolorida para urinar.
Depois a agressora não conseguia mais me pegar eu ficava em pânico e corria, até que ela disse roube cigarros do seu pai e me traga se não vou conotar a todos que você é uma putinha e se esfrega com as outras crianças. Então virei sua escrava e roubava as coisas pra ela, isso ela já era maior. Depois comecei a me masturbar com meus brinquedos, e tratar as bonecas como ela me tratava. Um outro vizinho me molestava também ao mesmo tempo que ela só que nunca me penetrou só se masturbava comigo. Um dia meu irmão viu e contou pra minha mãe, ao invés dela denunciar a polícia ou contar ao meu pai ela me espancou até eu desmaiar. Além de eu ser abusada e sofrer toda a infância apanhava por estar sendo abusada. Hoje sou terapeuta e não tenho medo da vida, estou escrevendo um livro e contando todos esses detalhes, essas coisas não podem passar em branco. Eu vou falar tudo, cansei de preservar a fachada de familia que tive e o silencio da minha mãe são difíceis de perdoar.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

William Blake - “Augúrios da Inocência”

BELÍSSIMO!!!

Veja o mundo num grão de areia, 
veja o céu em um campo florido, 
guarde o infinito na palma da mão,
e a eternidade em uma hora de vida!

Um tordo rubro engaiolado
Deixa o Céu inteiro irado…
Um cão com dono e esfaimado
Prediz a ruína do estado…
Ao grito da lebre caçada
Da mente, uma fibra é arrancada
Ferida na asa a cotovia,
Um querubim, seu canto silencia…
A cada uivo de lobo e de leão
Uma alma humana encontra a redenção.
O gamo selvagem acalma,
A errar por aí, a nossa alma.
Se gera discórdia o judiado cordeiro,
Perdoa a faca do açougueiro…
A verdade com mau intuito
Supera a mentira de muito.
É justo que assim deva ser:
É do homem a dor e o prazer;
Depois que isso aprendemos a fundo,
Seguros podemos sair pelo mundo…
O inquiridor, que astuto se posta,
Jamais saberá a resposta…
O grito do grilo ou uma charada
À dúvida dão resposta adequada…
Quem duvida daquilo que vê
Jamais crerá, sem como e porquê.
Se duvidassem, sol e lua
Apagariam a luz sua.
Soltar tua ira pode ser um bem,
Mas bem nenhum quando a ira te retém…
Toda manhã e todo entardecer
Alguém para a miséria está a nascer.
Em toda tarde e toda manhã linda
Uns nascem para o doce gozo ainda.
Uns nascem para o doce gozo ainda.
Outros nascem numa noite infinda.
Passamos na mentira a acreditar
Quando não vemos através do olhar,
Que uma noite nos traz e outra deduz
Quando a alma dorme mergulhada em luz.
Deus aparece e Deus é luz amada
Para almas que na noite têm morada,
Mas com a forma humana se anuncia
Para as que vivem nas regiões do dia.

To see a World in a grain of sand
And a Heaven in a wild flower,
Hold Infinity in the palm of your hand
And Eternity in an hour.
A robin redbreast in a cage
Puts all Heaven in a rage…
A dog starv´d at his master´s gate
Predicts the ruin of the state…
Each outcry of the hunted hare
A fibre from the brain does tear.
A skylark wounded in the wing,
A cherubim does cease to sing…
Every wolf’s and lion’s howl
Raises from Hell a human soul.
The wild deer, wandering here and there,
Keeps the human soul from care.
The lamb misus’d breeds public strife,
And yet forgives the butcher’s knife…
A truth that’s told with bad intent
Beats all the lies you can invent.
It is right it should be so;
Man was made for joy and woe;
And when this we rightly know,
Thro’ the world we safely go…
The questioner, who sits so sly,
Shall never know how to reply…
He who doubts from what he sees
Will ne’er believe, do what you please.
If the sun and moon should doubt,
They’d immediately go out.
To be in a passion you good may do,
But no good if a passion is in you…
Every night and every morn
Some to misery are born.
Every morn and every night
Some are born to sweet delight.
Some are born to sweet delight,
Some are born to endless night.
We are led to believe a lie
When we see not thro’ the eye,
Which was born in a night to perish in a night
When the soul slept in beams of light.
God appear & God is light
To those poor souls who dwell in night,
But does a human form display
To those who dwell in realms of day.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Surto psicótico: sintomas e tratamentos / Médico Psiquiatra Dr. Deyvis Rocha

Abre-se o jornal ou liga-se a TV e dá-se de cara com alguma notícia sobre um sujeito que realizou algum ato absurdo por causa de um surto psicótico. Em geral, são notícias desagradáveis, que envolvem atos de violência. Podem se referir a pessoas consideradas sadias até que vieram a ter o surto ou a indivíduos que sabidamente faziam uso de alguma substância ilícita no momento da perturbação.
O que pouco se diz é o que vem a ser de fato o surto psicótico. O que quer dizer a pessoa ter um surto psicótico? Quais são as suas causas? Isso é o mesmo que ser psicopata???
Esclareça as suas dúvidas com o psiquiatra Dr. Deyvis Rocha:
1. O que é surto psicótico?
Vamos analisar cada palavra separadamente. Surto quer dizer “impulso arranco”, algo que surge de maneira súbita, mudando o status quo de uma situação.  Falamos por exemplo em surto de dengue quando começamos a ter, em pouco tempo, um grande aumento do número de casos da doença.
A palavra psicótico vem de psicose, termo que tem raízes históricas. O seu sentido sofreu algumas alterações ao longo do tempo. Em meados do século XIX, quando foi pela primeira vez empregada na literatura psiquiátrica, psicose servia para enfatizar as manifestações psíquicas das doenças cerebrais.  Ela já foi empregada como sinônimo de doença mental e de insanidade, também para referir-se às doenças mentais com alterações do cérebro, e hoje em dia é usado, como adjetivo, para qualificar os sintomas de delírios e alucinações.
Então, surto psicótico é quando a pessoa passa a apresentar, de maneira súbita, os sintomas de delírios e alucinações. Não confundir a palavra psicótico com psicopata, pois, apesar de serem foneticamente parecidas, significam coisas bastante diferentes.
2. O que são delírios e alucinações?
Os delírios são juízos falsos da realidade, produzidos de maneira patológica. Em termos mais claros, os delírios indicam que a pessoa está com alterações do pensamento que a fazem acreditar em coisas que não existem. A pessoa pode crer que está sendo perseguida por outros que lhe querem fazer algum mal, prejudicá-lo e até matá-lo, sejam policiais, sejam bandidos, sejam os vizinhos, ou mesmo os familiares. Ou a pessoa pode achar que nas ruas os outros estão falando ao seu respeito, mesmo quem não o conhece, que câmeras de TV o vigiam que os telefones estão grampeados. Pode também pensar que podem ler o seu pensamento, que a televisão lhe manda mensagens.  Pode ser um delírio de ciúme, em que a pessoa tem certeza de estar sendo traído, ou um delírio erotomaníaco, em que a pessoa pensa que é amada por outra pessoa, em geral famosa ou mais rica.
As alucinações são alterações do senso percepção. Nós adquirimos conhecimento do que está ao nosso redor através do percebemos pelos nossos cinco sentidos, a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato.  Uma alteração cerebral pode fazer com que possamos perceber coisas que na verdade não existem, como ouvir vozes de pessoas conversando, sendo que não há ninguém falando. O mesmo funciona para os demais sentidos, podemos ver coisas que não estão lá, sentir cheiros e gostos desagradáveis, além de sentir toques ou beliscões que não existem. Não é que a pessoa está imaginando uma voz ou outra sensação, ela realmente está ouvindo, mas essa é uma produção do cérebro doente.
3. A pessoa em surto pode ficar violenta?
A resposta é sim e não.  Vai depender da reação da pessoa frente a essas alterações descritas acima.
Vejam bem, quem está pensando que está sendo ameaçado por outros, que os seus passos estão sendo vigiados, que todos falam ao seu respeito nas ruas, que pode ser morto a qualquer instante, não vai ficar impassível. Soma-se a isso as vozes ameaçadoras que se ouve, como por exemplo, “você vai morrer”, ou xingamentos da pior espécie. Em primeiro lugar, a pessoa vai ter medo, muito medo (algumas pessoas acham que isso é transtorno do pânico). Daí, a pessoa pode reagir ficando em casa escondido, sem sair do seu quarto por nada, ou vai  brigar para se proteger, no que passa a agredir com palavras ou até fisicamente quem ele pensa que é o seu agressor. Parece ter sido esse o caso do sujeito que causou confusão em São Paulo no começo da semana.
Estudos mostram que os pacientes com transtorno psicótico não cometem mais atos de violência do que a população normal. A maior parte dos atos de violência nos pacientes acontece quando, além dos sintomas psicóticos, eles estão sob o efeito de alguma droga, como maconha ou cocaína.
4. Eu posso ter um surto psicótico?
O surto psicótico está presente em algumas doenças mentais, como a esquizofrenia, o transtorno psicótico breve, o transtorno bipolar, a depressão grave, a demência, entre outros. A não ser pela demência, que costuma aparecer em idade mais avançada, os outros transtornos, mesmo que geralmente comecem entre o final da adolescência e início da idade adulta,  podem acometer pessoas de todas as idades.
Quem tem parentes com doenças que cursam com transtorno psicótico tem mais risco de desenvolver também um surto do que pessoas que não têm parentes acometidos.
O uso de substâncias, como a maconha e a cocaína, ou mesmo algumas medicações, como corticoides, podem desencadear surtos. A maconha está particularmente relacionada à esquizofrenia, pois pessoas com predisposição genética que a usam na adolescência podem desenvolver essa doença.
5. Há jeito de prevenir o surto?
Mesmo que a eclosão dos delírios e alucinações se dê de maneira subida, é possível sim identificar algumas alterações que precedem o desencadear do surto psicótico.
Quem geralmente percebe isso é alguém bem próximo da pessoa, como os pais ou companheiros, que notam que ela começa a agir de maneira diferente do seu habitual, está mais irritadiça, dorme menos, às vezes manifesta preocupações com temas filosóficos ou religiosos, passa a ir mal na escola ou no trabalho. Isola-se dos amigos, perde o interesse em algumas atividades.
A própria pessoa pode não se dar conta disso, mas pode começar a perceber as coisas que antes eram triviais de uma maneira estranha. Antes de achar que está sendo perseguida ou que há um plano diabólico contra ela, a pessoa percebe significados diferentes nos gestos e nas falas das pessoas, passa a desconfiar de que algo está para acontecer, mas ainda não sabe exatamente o quê.
Esse é o momento de procurar a avaliação de um profissional, de um psiquiatra, que pode instituir o tratamento antes que o surto se apresente de sua maneira mais exuberante.
Evitar o uso de drogas também é importante para se prevenir o surto psicótico, principalmente às pessoas que têm parentes com transtornos psicóticos. O uso de maconha e cocaína deve ser desencorajado em todos os adolescentes.
6. Há tratamento para o surto psicótico?
Sim, há tratamento, e quanto mais cedo ele começar, melhor.
As medicações antipsicóticas são as principais ferramentas em seu tratamento. Há vários antipsicóticos, que podem ser classificados de acordo com o tempo em que foram fabricados. Os de primeira geração são os mais antigos e os de segunda geração, mais recentes. No entanto, não há diferença de eficácia comprovada entre os diferentes tipos, há diferenças sim de efeitos colaterais. A escolha do antipsicóticos a ser tomado vai depender do perfil do paciente e da experiência de tratamento do médico.
Em casos de transtorno afetivo bipolar, o uso de estabilizadores de humor também é recomendável para o tratamento do surto psicótico.