quinta-feira, 25 de abril de 2013

VENTO / Jackson Antunes

Ventania lá fora
varre as folhas secas.
No varal, as roupas dançam,
tangidas pelo vento.
A lamparina quase se apaga.
Este vento frio, que faz doer os ossos,
sempre vem visitar meu sono
no rancho de taipa.
Vem falar de saudade,
de amores que se foram nas lonjuras
e ausências.
Este vento,
me traz uma canção de ninar
que mamãe cantava.
Há quanto tempo,
eu não sentia esta poesia do vento.
Esta poesia que é o vento.
Quando criança,
eu via as cores do vento.
Sentia o cheiro do vento.
Hoje,
adulto, racional,
quando o vento vem visitar meu sono,
fecho a janela e saio
resmungando.

Nem sei mais a cor do vento...
o cheiro do vento...





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