terça-feira, 30 de abril de 2013

O ABUSO SEXUAL ÀS VEZES SE DISFARÇA DE CARINHO / ELZA AUGUSTA DE OLIVEIRA


Um abusador, às vezes, tenta disfarçar o abuso que pratica dizendo apenas ter feito um carinho na vítima, "com todo respeito", sem nenhuma conotação sexual. São exemplos:

Carinhos com conotação sexual, atos libidinosos, mesmo sem o uso de força, a vítima tentando "escapulir", "fugir", mas o adulto finge não entender, continuando a acariciar, a abusar;

Ou, mesmo sabendo que a vítima não se sente bem, que não quer o carinho, o abusador a "acaricia" faltando-lhe com o respeito e pela falta de experiência, falta de iniciativa, de vivência, a vítima termina "recebendo", deixando o carinho acontecer, constrangida, sem conseguir afastar o abusador.

Nestes casos, há até avôs abusadores. Em alguns casos as vítimas ainda tentam se afastar, mas têm receio, a figura de autoridade do avô faz com que se curvem às vontades do abusador, como "autoridade familiar" que é.

Muitas vezes, quando o abuso é praticado sem violência física, a vítima "aprende a gostar" das sensações causadas, pois muitas vezes suas zonas erógenas são estimuladas e, consequentemente, o "prazer" é sentido - ISTO NÃO DESCARACTERIZA O ABUSO SEXUAL, uma vez que o desenvolvimento e maturação sexuais da criança foram precocemente violentados, sem o seu discernimento.

Já vimos que às vezes existe o abuso sexual sem que a vítima tenha consciência de que está sendo abusada, por não haver o emprego de violência física.

Quando o abuso é físico, ficam marcas mais fáceis de serem descobertas. Um exame, no Instituto Médico Legal facilmente confirma.

Abaixo, damos alguns exemplos de situações de abuso, encontrados em registros de órgãos que tratam de violência contra crianças e adolescentes:

1. Maria, 16 anos, tem um filho do padrasto abusador. Diz sobre a genitora: "não quer acreditar" ... " ela é evangélica, e às vezes, dizia que tudo ocorria porque eu queria";

2. MARIANA, 5 anos, foi passar a tarde com o padrinho por insistência dele. O padrinho a colocou no sofá, tirou sua calcinha, ficou passando a mão no órgão genital da criança, e depois o pênis pelo mesmo local.

3. SANDRA, 12 anos, estuprada há dois anos pelo pai, sob ameaça de morte, foi usada pelo pai sempre sob ameaças de morte (mataria a vítima, genitora e demais familiares), com uma faca em punho. A mãe é deficiente mental, e flagrou o abuso. Segundo a adolescente, o pai nega tudo e se diz evangélico.

4. ARLETE, 15 anos, vítima de estupro por parte do próprio pai alcoolizado no momento do ato.

5. FRANCISCA e PATRÍCIA, 9 e 11 anos. Vítimas do "TIO" 
que alisava as coxas, bumbum, no "pipiu", passava a língua dentro do "pipiu", lambia as pernas, coxas, bumbum, que ele passou mais ou menos 2 anos fazendo isto, contava para a mãe, e ela para o pai . Até que tia pegou ele fazendo isto, falou para a avó, que brigou com ele, mas mesmo assim ele não deixou de fazer"... " que tio ... lambia o bumbum e a vagina dela, botava o pênis para fora e obrigava ela pegar, e esfregava o pênis dele nela, até na vagina, e doía, pois tentava botar dentro, e doía..."

6. ANA, 7 anos: " ... Quando minha mãe estava no trabalho, ele ia me buscar na escola, me mandava tomar banho, ele esperava eu sair e me levava para a cama, botava o negócio dele dentro de mim. doía muito, e eu não podia chorar." (esta criança foi submetida a uma cirurgia, em conseqüência do estupro).
Você não está só.
NÃO TENHA MEDO
É hora de falar, de dar um basta.




2 comentários:

  1. Incrível como a demência chega a limites tão bárbaros; anos atras conheci uma pessoa vitima do padrasto. Enquanto ela contava sua historia chorava. Combinamos nos encontrar apos o trabalho porem ela não compareceu. Tempos depois fiquei sabendo que ela havia se suicidado. Aquilo ficou marcado em mim - jamais vou saber o que a levou cometer aquele ato. Parabéns pelo artigo - certamente um blog que faz pensar.

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  2. Muito obrigada, Manoel. A realidade de um abusado é triste e cruel...Abraço, Bya.

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