quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Abuso sexual na infância produz modificações específicas na estrutura cerebral / Marjorie Wanderley

Diferentes formas de abuso na infância aumenta o risco de doenças mentais, bem como a disfunção sexual na idade adulta, mas pouco se sabe sobre como isso acontece. Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo Charles B. Nemeroff da Escola Miller, MD, Ph.D., Leonard M. Miller Professor e Coordenador de Psiquiatria e Ciências Comportamentais, descobriu uma base neural para esta associação. O estudo, publicado na edição de 01 de junho do American Journal of Psychiatry, mostra que crianças abusadas sexualmente e emocionalmente, apresentam mudanças específicas e diferenciadas na arquitetura do cérebro que refletem a natureza desses maus-tratos.

Os pesquisadores já sabiam que as vítimas de abuso na infância muitas vezes sofrem de transtornos psiquiátricos no decorrer da vida, incluindo disfunção sexual após o abuso sexual. Os mecanismos mediadores subjacentes desta associação têm sido mal compreendida. Nemeroff e um grupo de cientistas liderados por Christine Heim, Ph.D., diretor do Instituto de Psicologia Médica da Universidade de Medicina Charité de Berlim, e Jens Pruessner, Ph.D., diretor do Centro de McGill de Estudos em Envelhecimento da McGill University, em Montreal, Sugerem a hipótese de que alterações corticais durante os acontecimentos de maus-tratos tem desempenhado um papel. Para estudar essas possíveis mudanças, os pesquisadores usaram a ressonância magnética (MRI) para examinar os cérebros de 51 mulheres adultas que foram expostas a várias formas de abuso na infância.

Os resultados mostraram uma correlação entre as formas específicas dos maus tratos e afinamento do córtex precisamente nas regiões do cérebro que estão envolvidas com a percepção ou o processamento do tipo de abuso. Especificamente, o córtex somatosensorial, a área em que os órgãos genitais femininos estão representados, foi significativamente mais fino em mulheres que foram vítimas de abuso sexual na infância. Da mesma forma, em vítimas de maus-tratos emocionais foram encontradas indícios conclusivas para uma redução da espessura do córtex cerebral, áreas específicas associadas a autoconsciência, auto avaliação e Regulação emocional.

“Este é um dos primeiros estudos que documentam as alterações á longo prazo em áreas específicas do cérebro como consequência do abuso infantil e maus tratos emocionais”, disse Nemeroff, que também é diretor do Centro sobre o Envelhecimento. “A constatação de que tipos específicos de trauma nos primeiros anos de vida trazem efeitos discretos e duradouros no cérebro que desencadeiam sintomas na vida adulta é um passo importante para o desenvolvimento de novas terapias para intervir e reduzir a carga psiquiátrico/psicológico de uma vida possivelmente traumatizada”.

“Nossos dados apontam para uma relação precisa entre a experiência que causa a remodelação neural e os problemas de saúde mais tarde”, disse Heim. Pruessner concordou que o “grande feito foi encontrar a especificidade regional no cérebro, que corresponde ao tipo de abuso, isso é notável”.

Os cientistas especulam que a região de afinamento do córtex pode servir como um mecanismo de proteção, protegendo imediatamente a criança ao bloquear as lembranças sensoriais a partir da experiência traumática. No entanto, esse afinamento das seções do córtex pode iniciar o desenvolvimento de problemas de comportamento na vida adulta. Os resultados deste estudo estendem a literatura sobre a capacidade de reorganização neural, e mostra que os campos da representação do córtex podem ser menores quando determinadas experiências sensoriais são prejudiciais ou impropriamente desenvolvidas.




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