segunda-feira, 27 de maio de 2013

Sexo e erotismo na era da manipulação midiática / Franklin Cunha e Rafaella Sampaio dos Santos

Em nossa sociedade o erotismo e a pornografia se desenvolveram com o objetivo de estimular a sexualidade, principalmente masculina, tarefa perfeitamente adaptada à maior excitabilidade erótica do homem em relação à mulher, esta mais sensível ao cortejamento, à palavra e ao tato. Como se constata, os filmes e revistas eróticas são de consumo quase exclusivo dos homens. Na atual e assim chamada era pós-moderna que semi atrofiou a função do olfato, a principal atividade teledetectora sexual se exerce mediante o sentido da visão.
Não é de se estranhar, portanto, que os meios de comunicação de maior poder persuasivo da atualidade sejam a televisão, o cinema e a internet. Com efeito, na contingência midiática em que vivemos, as imagens objetivam representar a realidade e se não há imagens, parece que nada acontece e nada se altera. Os homens primitivos em seu espaço doméstico se reuniam em torno do fogo, o homem moderno se reúne em torno da televisão, daí sua abrangência. À diferença da leitura, a TV se dirige mais à esfera emocional das pessoas do que à esfera intelectual, racional. Ela é prevalentemente uma máquina produtora de relatos audiovisuais espetacularizados, produzidos para satisfazer os apetites emocionais de seus teleaudiovidentes.
Eros e Tânatos eletrônicos
A função primordial da TV é a de reduzir as pessoas à condição de consumidores, ao ponto de se poder dizer que este meio de comunicação se resume em difundir publicidade interrompida por flashes de entretenimento. O erotismo desempenha uma função central neste hedonismo consumista, pois é utilizado com a intenção de propiciar uma publicidade persuasiva buscando provocar atenção, curiosidade e compulsividade de compra maníaca de objetos; de quaisquer objetos, imediatamente descartáveis. E este mesmo sentimento é o mais insistentemente utilizado também na publicidade subliminar.
A sexualidade e o erotismo são úteis e prazerosas atividades do ser humano. No entanto, seu exercício obsessivo, descontrolado e inconsequente tem consequências pessoais e sociais. Por exemplo, as campanhas esquizofrênicas (no sentido grego e original da palavra) que tentam diminuir a natalidade entre as mulheres pobres e em adolescentes, campanhas essas metonimicamente chamadas de Planejamento Familiar ou de Paternidade Consciente, ficam apenas no discurso retórico, porém não se atrevem a encetar ações contra os meios de comunicação que invadem de maneira avassaladora a mente e o coração dos seus consumidores desde a mais tenra idade. A violência tanásica contra as mulheres, exposta nos sites internáuticos, na TV e no cinema em qualquer hora do dia e da noite, é de chocante e violento sadismo e humilhação, reduzidas que são a meros objetos de gozo erótico que incendeia e deforma a mente dos assistentes de todas as idades.
Esta perversão midiática está tão generalizada que um estudo empírico efetuado nos Estados Unidos acerca do comportamento de televidentes, confirmou que foram as cenas de nudez e de mortes violentas, que frequentemente se juntam, as que mais atraem a atenção.
Esta explosão maciça baseada no que se chama em semiótica de iconomania e idolomania é a base da expansão comercial e da prosperidade das indústrias pornográficas da imagem, hoje públicas, de universal e facilitado acesso, mas que nasceram nos prostíbulos de onde eram policialmente limitadas. Adequada, pois, para a época era a denominação do poeta argentino Leopoldo Lugones para a erótica dança tangueira daquele tempo: “Réptil del lupanar”.
Hoje, todos os tipos de animais peçonhentos marquetizados transitam nos lares de todas as categorias sociais, de maneira livre, impune e com crescentes Ibopes.

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