segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Abuso Sexual Infantil / Texto elaborado por Marta Cabrita


O que é?
O Abuso Sexual Infantil é definido como a exposição de uma criança a estímulos sexuais impróprios para a sua idade, o seu nível de desenvolvimento psicossocial e o seu papel na família. Ou seja, o abuso sexual infantil é qualquer conduta sexual com uma criança, originado por um adulto ou criança mais velha, em que ocorre penetração vaginal/anal, toque da criança nos genitais do adulto e vice-versa, contacto genital-anal ou quando os genitais do adulto roçam nos da criança.
                  
Podem ocorrer outros tipos de abusos sexuais infantis, mas que são considerados menos graves dos que os anteriormente referidos, como mostrar os genitais do adulto à criança, incitar a criança a ver revistas ou filmes pornográficos ou utilizar a criança para o fabrico de material pornográfico.
O Abuso Sexual Infantil pode ocorrer na família, através do pai, do padrasto, do irmão, ou outro parente qualquer. Pode ocorrer fora de casa, na casa de algum amigo, por um professor, ou mesmo por um desconhecido.

A criança abusada
A criança que é vítima de abuso sexual prolongado, normalmente desenvolve uma perda de auto-estima, tem a sensação de que não vale nada e adquire uma ideia anormal da sexualidade. A criança pode tornar-se muito retraída, perder a confiança nas pessoas e até considerar o suicídio, principalmente quando a pessoa que abusa a ameaça de violência se se negar aos seus desejos.
Quando os abusos sexuais ocorrem na família, a criança pode ter, e normalmente tem, muito medo da violência do parente abusador, da vergonha dos outros membros da família, das possibilidades de vingança, e também medo que a família se desintegre, ou que não acredite nela. 
As crianças abusadas sexualmente, quando em adultos, têm muitas dificuldades em criar relações harmónicas com outras pessoas, podem tornar-se em adultos que também abusam de outras crianças, podem prostituir-se ou podem ter outros problemas sérios.
O comportamento das crianças abusadas sexualmente pode ser muito variado, e pode incluir:
- Interesse excessivo ou o evitar de natureza sexual;
- Problemas com o sono e pesadelos;
- Depressão ou isolamento em relação a amigos e família;
- Achar que têm o corpo sujo ou contaminado;
- Terem medo de que haja algo de mal com os seus genitais;
- Negarem-se a ir à escola;
- Rebeldia e delinquência;
- Agressividade excessiva;
- Comportamento suicida;
- Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares;
- Respostas ilógicas quando perguntamos sobre alguma ferida nos seus genitais;
- Terror irracional diante do exame físico;
- Mudanças súbitas de conduta.

O agressor
Usualmente quem abusa sexualmente de crianças são pessoas que a criança conhece e que podem controlá-la. Na maioria dos casos, a criança conhece o abusador. Esta pessoa, normalmente é alguém de quem a criança gosta e em quem confia. Por isso, quase sempre, consegue convencer a criança a participar neste tipo de actos através da persuasão, recompensas ou ameaças.
Quando o abuso sexual não ocorre dentro de casa, este pode rondar algum sítio frequentado regularmente pela criança, como a escola, o local onde poderá praticar alguma actividade, entre outros.
Normalmente, os adultos conhecidos, como por exemplo, o pai, o padrasto, irmão mais velho, são os agressores sexuais mais frequentes, apesar de existirem casos em que os agressores sejam do sexo feminino
Os casos de abuso sexual infantil começam lentamente, apenas com a prática de “carinhos” que raramente deixam lesões físicas, passando mais tarde a outro tipo de atitudes. É neste momento de mudança entre “carinhos” e outras atitudes, que a criança questiona, como é que alguém em quem ela confia e de quem gosta, pode ter atitudes tão desagradáveis.

A família da criança abusada
A primeira reacção da família diante da notícia de abuso sexual pode ser de incredulidade. Muitas vezes acreditam que as crianças inventaram histórias. De um modo geral, mesmo que o suposto abusador seja conhecido, é importante que não se ponha em causa a denúncia da criança.
Em geral, aqueles que abusam sexualmente de crianças podem fazer com que as suas vítimas fiquem extremamente assustadas e com medo, sujeitando-as a uma série de pensamentos torturantes, tais como a culpa, o medo de ser recriminada, de ser punida, etc. Por isso, se a criança diz ter sido abusada sexualmente, os pais devem fazê-la sentir que o que se passou não foi sua culpa, devem procurar ajuda médica e levar a criança a um psicólogo.
               
Sequelas
Os danos físicos permanentes como consequência do abuso sexual são muito raros. A recuperação emocional, depende, em parte, da reacção da família. As reacções ao abuso sexual variam com a idade e com a personalidade de cada criança, bem como da natureza da agressão sofrida.
O período de readaptação depois do abuso é difícil não só para a criança, mas também para a família. Muitas crianças continuam com medo por várias semanas, podendo ter dificuldades em comer e dormir.
Ao nível dos traços do desenvolvimento da personalidade, o abuso sexual infantil pode estar relacionado com futuros sentimentos de traição, desconfiança, hostilidade e dificuldades nos relacionamentos, sensação de vergonha, culpa e auto-desvalorização. Relacionado também com o abuso sexual infantil temos a Personalidade de Boderline e o Transtorno de conduta.
Ao nível de quadros psiquiátricos mais graves, o abuso sexual infantil relaciona-se com o Transtorno de Stress Pós-Traumático, com a depressão, disfunções sexuais, quadros dissociativos ou conversivos (histéricos), dificuldade de aprendizagem, transtornos do sono, transtornos da alimentação, ansiedade e fobias.

Recuperação da vítima
Quando a criança confia a um adulto que foi vítima de abuso sexual, seja o abusador um familiar ou não, esse adulto deve imediatamente assegurar a protecção da criança, e apesar de não saber o que fazer por se sentir incomodado, deve:
- Incentivar a criança a falar livremente do que se passou;
- Demonstrar que compreende a angústia dela e levar a sério o que está a dizer;
- Assegurar à criança que fez bem em contar o que se passava, mesmo que o abusador seja um familiar;
- Mostrar à criança que ela não tem culpa do abuso sexual. A maioria das crianças vítimas de abuso sexual pensa que elas foram a causa do ocorrido ou podem pensar que é um castigo por algo errado que tenham feito.
                  
Quando se sabe de algum caso de abuso sexual, deve-se pensar em algumas condutas, como:
- Informar as autoridades de qualquer suspeita;
- Consultar um pediatra ou médico de família para atestar a veracidade da agressão;
- Levar a criança a fazer uma avaliação psiquiátrica para determinar os efeitos emocionais da agressão sexual, bem como avaliar a necessidade de ajuda profissional para superar o trauma do abuso;
- Ainda que a maior parte das acusações de abuso sejam verdadeiras, pode haver falsas acusações em casos de disputa sobre a custódia infantil;
- Quando a criança tem que testemunhar sobre a identidade do seu agressor, deve-se preferir métodos indirectos e especiais;
- Quando a criança faz uma confidência a alguém sobre abuso sexual é importante dar-lhe apoio para assim ajudar no restabelecimento da sua autoconfiança, na confiança nos outros adultos e na melhoria da sua auto-estima.
                  
Bibliografia:
http://www.virtualpsy.org/infantil/abuso.htmlPolícia e Justiça III Série Família, Violência e Crime – abuso sexual de crianças: características e dinâmicas (Ana Isabel Sani)
Manual para o atendimento de crianças vítimas de violência sexual (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima – APAV)
Texto elaborado por Marta Cabrita

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