quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Mistério / Gleide Bárbara - poesia - Memórias d'alma, 2011.


O que é o amor senão um paradoxo,
Uma antítese do ser humano,
Uma ilusão dentre todas as ilusões?
O que amor?

Um tormento em meio à paz interior,
Orvalho de fogo dentre todas as tempestades,
Pedra oculta da alma noturna...
O que é senão a lei da divina atração,

O amor, esse amor!
Quem deliberou essa sentença tão doce,
Quem transbordou o cálice dos olhos
E derramou no corpo a brisa dos sonhos?

O que é o amor,
Senão Deus dentre todos os deuses,
Apolo, Dionísio, Afrodite?
Será Eros, o amor, ou hera perdida no abismo?

Tormento, ferida, loucura, ilusão...
Será a paz na razão dos tolos,
Fruto sem lei, juiz de si mesmo?
Quem¿ pandora ou apenas a caixa?

Quem? Quem pode responder?
Quem já viu, viveu, sentiu, fugiu,
Deus, homens, anjos, demônios,
O amor dos homens...

Em que paraíso habita o amor
Cujo fruto Adão e Eva provaram?
Será o amor pecado dentre toda redenção,
Erupção sanguínea cheia de vida,

Ah! O amor é desejo insano,
Nudez da alma dançando na chuva,
Corpo desnudo de si mesmo,
Pintura clássica na vanguarda do espirito,

O que é senão amigo da solidão,
Senão natureza da imaginação,
Senão ave, fênix da transformação,
Medo e desejo - o que é o amor?

Quem pode dizer,
Se lágrimas, risos, gritos, gemidos,
Tempo, firmamento de estrelas nuas,
Dor e redenção, nirvana profundo...

O amor deve ser a fé, crença e descrença,
Vida e morte, terra e planta,
Luz e escuridão.
Deve ser mãos que trabalham de sol a sol,
Pés que peregrinam na força da intuição,

O amor pode ser o tempo,
Que secretamente nos oferece as venturas e desventuras,
E constrói dentro de nós castelos de areia e cimento,
Tudo e nada, céu e inferno!

Um deus, mais do que humano,
Sonhador soberano daqueles que deseja acordar,
Sequestrador dos dormentes,
E libertador dos sonhadores.

Ah! O amor divindade ancestral,
Totem dentro de cada homem,
Rebanho e pastor da noite nos montes,
Mistério sagrado e consagrado pelo ventre,
Mestre, monge, profeta.

O amor, corpo e emanação,
Declamador que caminha pelas florestas,
Claras e obscuras de cada um,
Cachoeira que precipita o abismo sem medo da queda,
Simplesmente deve ser um regato,
Que nasce pequeno nos olhos,
Aos poucos chega ao coração,
Silencioso bate à porta da alma -
Assim deve ser o amor, um hóspede finito,
Na casa espiritual de todo homem.

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