domingo, 21 de outubro de 2012

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro".

Grandes mistérios habitam

Grandes mistérios habitam 
O limiar do meu ser, 
O limiar onde hesitam 

Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

- Fernando Pessoa, in "Cancioneiro".




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