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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Texto de Marcia Zoé Ramos

Aos Amigos da linha:
A pós modernidade anda flertando com a Idade das Trevas?
O artista visual Flavio Colker e a amiga Cristiane Barbará tiveram suas contas no Face bloqueadas. Ele por enviar duas imagens do fotógrafo Edward Weston para uma amiga estudiosa em fotografia em mensagem privada , ela por comentar o caso em mensagem também privada e anexar as imagens para explicar o fato a outra pessoa. 
Colker é um pesquisador da obra de Weston bem como de outros grandes nomes da fotografia mundial que tiveram atuação no México. O próprio Colker divide residência entre o Brasil e o México. Ele tem um lindo filho com a artista mexicana Daniela Vidal. Conto isso porque somos amigos e conheço a índole de Colker. Polêmico, afiado, dono de uma bela carreira no campo da fotografia ele jamais cometeria um delito em postar uma imagem leviana com fins escusos. 
A Cristiane que também é amiga de Colker recebeu dele por email a mensagem de que foi bloqueado e os motivos anexos. Repetindo, ela ao explicar isso para uma amiga pelo Face, também inbox, teve sua conta igualmente bloqueada.
Inicialmente apareceu a mensagem: “Esta mensagem foi temporariamente removida porque a conta do remetente precisa ser verificada ou ela foi identificada como abusiva.” Em seguida as contas foram banidas sem maiores explicações.
Verificada? Abusiva?
Ocorre que o mais grave é que ao se comunicar por inbox foram rastreados como se estivessem sendo vigiados. Qual o delito deles afinal? Por que o bloqueio das contas em mensagens privadas? O Face considerou abusiva uma mensagem privada? Onde estão essas regras descritas? Onde está descrito que não se pode enviar essa ou aquela imagem? 
Sobre as imagens enviadas, trata-se da obra de nada menos que Edward Weston , um dos fotógrafos estadunidenses mais importantes do século XX. Com 20 anos seus trabalhos já haviam sido publicados. Em 1922, Weston fotografou seu filho Neil nu. A imagem é hoje reconhecida como uma clássica escultura em fotografia.
Viajou ao México em 1923, acompanhado de sua companheira Tina Modotti também fotógrafa e com ela realizou um trabalho fotográfico de mais de 200 obras para o livro Ídolos por trás dos altares, de Anita Brenner. Em 1926 voltou para a Califórnia. Esse período de 1926 a 1930 para Weston foi um dos mais significantes de sua carreira, realizando seus trabalhos mais representativos.
Quando Edward Weston morreu em 1958, deixou um cláusula em seu testamento estipulando que apenas seu filho, Cole Weston, poderia fazer ampliações a partir de seus negativos. O fotógrafo havia deixado a câmera de lado uma década antes, em 1947, logo que soube de seu diagnóstico de mal de Parkinson, e ensinado a Cole suas técnicas de estúdio de modo que as ampliações mantivessem exatamente seus padrões. Quando Cole morreu, em 2003, os negativos de Edward Weston fora doados ao Center for Creative Photography, sob a condição de que nenhuma ampliação em fine art seria feita a partir deles.
A maior coleção particular do fotógrafo, atualmente em posse da Cole Weston Trust, que reúne 548 fotos tiradas por Edward Weston e ampliadas postumamente por seu filho, foram leiloadas pela Sotheby’s em Nova York em 2014.
Considero o Facebook uma invenção genial capaz de unir o mundo e deixa-lo mais lúcido e translúcido. Pessoalmente devo demais a essa rede onde a palavra e imagem tem o mesmo peso e a mesma leveza talvez.
Acho que o mundo deve muito ao Mark Zuckerberg e sua equipe por nos possibilitar um avanço dessa natureza na comunicação mas também acho que devemos ter claro que uma ferramenta assim deva ser sempre aprimorada para que injustiças planetárias não sejam cometidas. 
O Face deve uma explicação para o fato de banir pessoas por enviar um arquivo em mensagem privada, reconhecidamente de teor artístico e, na minha opinião, deve devolver as contas a eles com um pedido de desculpas.
Marcia Zoé Ramos , 29 de junho de 2015

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