segunda-feira, 5 de maio de 2014

VALE DAS EMOÇÕES / Christiano Dortas



No vale das emoções a razão se perdeu
Deixou pegadas profundas no labirinto do coração
O sentimento que brotou não é novo
Embora a história seja outra
E ainda que seja a mesma
O momento é distinto
Cada alma com o seu fardo
Cada luta com sua farda
Escolher um lado, mesmo que nenhum tenha razão
A emoção se solidifica e se concentra em doses elevadas
Inerme o espírito se inclina
Reverencia o que deve ser vencido
Sem espadas, sem paus nem ouros que vençam ou comprem o que não pode ser vendido
Um coração composto de corações
Se já não há como traduzir ao menos reparte o que é possível
Pensar em si pra caminhar
Seguir os passos que já não são comandados pelo sentimento
Ser outro pra se manter de pé
No exército dos corações moídos
Frente a frente em um jogo que não tem regras claras
Onde nem sempre vence o melhor
O mais forte sucumbe por sentir
O mais fraco vence por mentir
A fraqueza que sorri quando a dor se aloja
O blefe dos covardes, em lágrimas escusas
Enquanto o outro trava guerras contra os inimigos internos
Vertigem, miragens de ontem, a procura de salvação
Jejum inconsciente, se alimentando de aprendizado
O saber traz angústia onde o contorno é ignorância
O coração deu as cartas e se condenou
Deve ser abafado pra que o corpo caminhe pra onde quer chegar
De nada vale ser peregrino entre colinas floridas de espinhos
Onde deve habitar aquele que não nasceu pra jogar?


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