sábado, 21 de janeiro de 2012

Mágoa / André Luiz


Se a mágoa lhe bate à porta, entorpecendo-lhe a cabeça ou paralisando-lhe os braços,
fuja dessa intoxicação mental enquanto pode.
Se você está doente, atenda ao corpo enfermiço, na convicção de que não é com
lágrimas que você recupera um relógio defeituoso.
Se você errou, busque reconsiderar a própria falta, reajustando o caminho sem
vaidade, reconhecendo que você não é o primeiro e nem será o último a encontrar-se
numa conta desajustada que roga corrigenda.
Se você caiu em tentação, levante-se e prossiga adiante, na tarefa que a vida lhe
assinalou, na certeza de que ninguém resgata uma dívida ao preço de queixa inútil.
Se amigos desertaram, pense na árvore que, por vezes, necessita de poda, a fim de
renovar a própria existência.
Se você possui na família um ninho de aflições, é forçoso anotar que o benefício da
educação pede a base da escola.
Se sofrer prejuízos materiais, recorde que, em muitas ocasiões, a perda do anel é a
defesa do braço.
Se alguém lhe ofendeu a dignidade, olvide ressentimentos, ponderando que a criatura
de bom senso, jamais enfeitaria a própria apresentação com uma lata de lixo.
Se a impaciência lhe marca os gestos habituais, acalme-se,  observando que os
pequeninos desequilíbrios integram, por fim, as grandes perturbações.
Seja qual for o seu problema, lembre-se de que toda mágoa é sombra destrutiva e de
que sombra alguma consegue permanecer no coração que se acolhe ao trabalho,
procurando servir.





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