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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Amar ou ser Amado?

Se pudéssemos escolher apenas uma alternativa… O que seria mais importante? Amar ou Ser Amado?Vamos presumir que a alternativa escolhida fosse Amar… Como é bom Amar… Sentir o coração bater mais forte… As mãos frias e trêmulas…as pernas fracas… O sorriso n...os lábios… o carinho e o respeito do ser amado.. Quando pensamos na pessoa amada, uma enorme sensação de leveza vai tomando conta do nosso corpo… Da nossa mente…da nossa alma…assim, sem pedir licença… pode ir entrando e tomando conta do nosso ser… E, agora, vamos pensar na outra escolha… Ser amado… Como é maravilhoso saber que existe alguém que nos ama… Que se importa conosco… Que se preocupa com tudo o que nos possa acontecer… A pessoa que nos ama está sempre vigilante… Tentando nos proteger de situações que poderiam nos machucar. Então,pensando bem o ideal seria: Amar sem sufocar… Amar sem aprisionar… Amar sem cobrar… Amar sem exigir… Amar sem reprimir,amar e respeitar Simplesmente Amar… E Ser Amado sem se sentir sufocado… Sem se sentir aprisionado… Sem se sentir cobrado… Sem se sentir exigido… Sem se sentir reprimido Sendo respeitado(a) Simplesmente ...Ser Amado! UMA SEMANA ILUMINADA À TODOS !!!! MUITA PAZ E AMOR NOS CORAÇÕES E EM NOSSAS ATITUDES...!!! Bjs Ver mais



De: Pela "Não violência contra as mulheres"

Em nome de...

É em nome da verdade que todos brigam, é em nome do bem que se comete a maioria das crueldades humanas. A simples enunciação desses termos, verdade e bem, é capaz de gerar mais discórdia que concórdia entre os homens, pois mais que certezas, se supõe que se perde prestígio ao se ter a verdade e o bem acreditado refutado por outra verd...ade ou bem. As grandes certezas dos homens sempre foram mais prejudiciais ao desenvolvimento humano que as dúvidas sinceras e as incertezas decorrentes de uma reflexão mais atenta. A certeza é uma aberração momentânea daquele que não percebe que o conhecimento e a sabedoria vêm sendo ampliados e transformados pelo esforço árduo de várias gerações de homens, duvidando das certezas de suas épocas e propugnando novas interpretações para os fatos naturais ou culturais, e que as gerações posteriores percebem ser mais apropriadas que as anteriores.




Roberto de Barros Freire

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ante as Decepções

ANTE AS DECEPÇÕES


Redação do Momento Espírita


http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1697&let=A&stat=0


Não somos poucos os que nos tornamos pessoas amargas, indiferentes ou frias, por causa de decepções que afirmamos ter sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas.


A decepção foi com o amigo a quem recorremos num momento de necessidade e não encontramos o apoio esperado. Foi com o companheiro de trabalho que nos constituía modelo, parecia perfeito e o surpreendemos em um deslize.


Tais decepções devem nos remeter a exames melhores das situações.


Decepcionarmo-nos com pessoas que estão no Mundo, sofrendo as nossas mesmas carências e tormentos não é muito real.


Primeiro, porque elas não nos pediram para assinar contrato ou compromissos de infalibilidade para conosco.


Segundo, porque o simples fato de elas transitarem na Terra, ao nosso lado, é o suficiente para que não as coloquemos em lugares de especial destaque, pois todas têm seu ponto frágil e até mesmo seus pontos sombrios.


A nossa decepção, em realidade, é conosco mesmo, pois que nos equivocamos em nossa avaliação, por precipitação ou por análise superficial.


Não menos errada a decepção que afirmamos ter com a própria religião, com a doutrina de fé cristã que está a espalhar, em toda parte, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo para os seres de boa vontade.


O que acontece é que costumamos confundir as doutrinas que ensinam o bem, o nobre, o bom com os doutrinadores que, embora falem das virtudes que devemos perseguir, conduzem as próprias existências em oposição ao que pregam.


Como vemos, a decepção não é com as mensagens da Boa Nova, mas exatamente com os que conduzem a mensagem. Nesse ponto não nos esqueçamos de fazer o que ensinou Jesus: comparar os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não nos deixarmos iludir.


Avaliemos, desta forma, as nossas queixas contra pessoas e situações e veremos que temos sido os grandes responsáveis pelas desilusões do caminho.


Nós mesmos é que criamos as ondas que nos decepcionam e magoam.


Cabe-nos amadurecer gradualmente nos estudos e na prática do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, analisar a nós mesmos com atenção, a fim de crescermos para a grande luz, sem nos decepcionarmos com nada ou com ninguém.


Precisamos aprender a compreender cada indivíduo no nível em que se situa, não exigindo dele mais do que possa dar e apresentar, exatamente como não podemos pedir à roseira que produza violetas, que não tenha espinhos e que não despetale suas flores na violência dos ventos.


* * *


Para que avancemos em nossa caminhada evolutiva, imponhamo-nos uma conduta de maturidade, de indulgência e de benevolência para com os demais.


Disponhamo-nos a brilhar, sob a proteção de Deus, avançando sempre, não nos detendo na retaguarda a examinar mágoas e depressões, que se apresentam na estrada como pedras e obstáculos, calhaus e detritos.




Redação do Momento Espírita, com base no cap. 28 do livro Revelações da luz, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

CHIQUE...

Recebi esse texto do amigo Dorival Jr. (by Rosana C.)

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como atualmente. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que uns guarda-roupas recheados de grifes importadas. Muito mais que um belo carro Alemão. O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta.


Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes. Mas que, sem querer, atrai todos os olhares, porque tem brilho próprio. Chique mesmo é quem é discreto, não faz perguntas inoportunas, nem procura saber o que não é da sua conta. Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e as pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder nunca. Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir. Chique mesmo é olhar no olho do seu interlocutor. É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção à sua companhia.


Chique mesmo é honrar a sua palavra. É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado.


Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quanto que a vida é breve e de que vamos todos para o mesmo lugar. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se cruzar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem. Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!!!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Matéria da Revista CULT...compartilhada do facebook

Cult RedacaoRevista CULT: História como missão


Nicolau Sevcenko encontrou no estudo da história o caminho para defrontar-se com os enigmas de seu passado

http://revistacult.uol.com.br/home/2010/08/historia-como-missao/



Por Wilker Sousa

...Nem todos podem se gabar de terem feito do desejo pessoal o fator preponderante na escolha de uma profissão. Ainda mais raros são aqueles capazes de fundir trajetória pessoal e profissional de tal modo a tornar obscura a fronteira entre elas. Separar Nicolau Sevcenko da história não é tarefa das mais fáceis. Nos idos da Revolução Russa, seu avô – oficial do exército daquele país – lutara ao lado dos tsaristas contra os bolcheviques, o que incutiu em sua família uma série de infortúnios que se arrastou por gerações. Forçados a fugirem do país, ante a implacável perseguição das tropas stalinistas, os Sevcenko perambularam por diversos países; muitos foram dizimados, outros conseguiram refúgio em regiões remotas como o Brasil. Embora distante dos olhos de Stalin, sua família aqui permaneceu sob o signo do medo, confinada em seu mundo particular. Uma vez firmada residência em terras brasileiras, optou-se então por bloquear esse passado, o que despertou a curiosidade do jovem Nicolau pelo estudo da história, na tentativa de desvendar aquele enigma pessoal.

Somado à busca por compreender o passado familiar estava o interesse por conhecer a cultura brasileira, da qual fora igualmente privado nos primeiros anos de vida. Tornou-se então uma referência na articulação entre o pensamento historiográfico e a cultura do Brasil, como atestam as obras Literatura como Missão: Tensões Sociais e Criação Cultural na Primeira República (1983), Orfeu Extático na Metrópole: São Paulo Sociedade e Cultura nos Frementes anos 20 (1992) e A Revolta da Vacina (1983), cuja reedição chega às livrarias neste mês. Professor titular de história contemporânea na USP, acumula também experiência internacional, tendo lecionado nas universidades de Londres, Georgetown e Illinois, além de ser atualmente professor na célebre Universidade de Harvard.

Nicolau Sevcenko nos recebeu em sua casa no bairro do Belém, em São Paulo, onde vive na companhia de sua mulher – a artista plástica Cristina Carletti –, além de 12 gatos e dois cachorros: Tobby e Biruta, uma simpática vira-lata que anda em movimentos circulares. E não seria exagero dizer que aquela residência parece ser uma extensão de sua estreita relação com a história. Construída por arquitetos normandos em 1920 por ocasião do surto industrial paulista, preserva em sua fachada e interiores os resquícios de um passado com vistas a ser demolido pela desenfreada especulação imobiliária. Felizmente ainda nos resta quem deseja mantê-lo de pé.



CULT – O passado de sua família teve influência na sua escolha por estudar história?Nicolau Sevcenko – Paradoxalmente, eu acho que sim porque meus familiares têm uma história muito trágica por serem refugiados políticos. Eles deixaram a Rússia literalmente fugidos, deixando para trás tudo o que tinham para poder comprar o direito de fugir e de sobreviver. De modo que, quando vieram para o Brasil, este era o lugar mais remoto do mundo, onde seria mais difícil encontrá-los. Sempre houve uma preocupação na família em bloquear esse passado. Havia uma instrução direta para os filhos das novas gerações nunca usarem o sobrenome, nunca dizerem quem são nem de onde vieram. Mesmo em casa, mantínhamos as cortinas fechadas, como uma espécie de blindagem em relação ao mundo externo. Então me acostumei a não cogitar, a não perguntar nada. Quando hoje penso por que fui fazer a opção por história, que é totalmente incomum na minha família, sem dúvida foi decisiva essa espécie de curiosidade sobre o passado longamente obscuro na minha memória.



CULT – O senhor perdeu seu pai aos cinco anos e foi obrigado a trabalhar desde cedo. Quais lembranças o senhor guarda daquele tempo?

Sevcenko – Eu e meu irmão nos tornamos órfãos de pai quando eu tinha cinco anos e ele sete. Então, nos pusemos a ajudar minha mãe a manter a família, porque, pouco tempo depois da morte do meu pai, ela também perdeu o emprego. Aí eu e meu irmão entramos no sistema informal e nos especializamos na coleta de metais para a reciclagem. Nós morávamos na zona leste de São Paulo, próximo ao Vale do Tamanduateí, onde estavam instaladas as primeiras grandes montadoras de automóveis. Elas jogavam toda a sucata industrial nas margens do rio, então nós íamos até lá, fazíamos a seleção e coletávamos os materiais que tinham valor para reciclagem.Era uma loucura. Imagine duas crianças subindo o vale do rio até a parte de cima do planalto da Vila Prudente e depois arrastando aqueles carrinhos o bairro inteiro, carregados de zinco, cobre, chumbo, latão, metais incrivelmente pesados, e a gente fazia isso como nossa rotina de vida.



CULT – E quais as marcas que essa experiência deixou em sua vida?

Sevcenko – Foi algo que tornou minha infância e adolescência incrivelmente penosas, mas ao mesmo tempo me deu essa contrapartida de endurecer o espírito no sentido de dar a ele a força, a energia e o ímpeto necessários para uma conquista intelectual e pessoal. Meu irmão se tornou engenheiro e eu construí uma carreira de historiador. Em nossa família, praticamente todos os outros tinham a orientação para a área das engenharias e das tecnologias aplicadas; fui o único que caiu para as humanidades. Obviamente isso causou uma certa crise familiar porque eles não entendiam e achavam que era uma opção completamente irresponsável. Durante um tempo fui estigmatizado, praticamente excluído do convívio familiar, até que começaram a aparecer notícias de um certo sucesso que deixou todo mundo muito surpreso e restaurou um pouco da minha respeitabilidade no núcleo familiar. Hoje em dia, a situação está muito mais tranquila e cordial.



CULT – Como seus pais eram refugiados políticos e pretendiam voltar para a Rússia, imagino que não havia uma assimilação da cultura brasileira em sua casa. Como foi seu contato com nossa língua e cultura?

Sevcenko – Você tem toda razão. Eles não tinham essa perspectiva de ficarem aqui como imigrantes. Era uma situação de transição e, no fundo, a grande expectativa era que o governo soviético fosse colapsar em algum momento. Eles não tinham a preocupação de criar raízes aqui, então não se deram nunca ao empenho de aprender a língua portuguesa, de assimilar a cultura. Nós fomos educados em russo e com as instituições características da cultura russa, e isso foi um problema muito grande para nossa integração aqui. Quando me dei conta de que as crianças com as quais eu brincava falavam outra língua, me queixei para minha mãe dizendo que eram todas estrangeiras e ela pela primeira vez falou: “Não, estrangeiros somos nós”.Como eu não aprendia a língua portuguesa em casa, tinha que aprender com as crianças. E elas eram cruéis: sempre ensinavam palavras que pudessem me causar algum constrangimento, o que me deixou por muito tempo muito inseguro com o uso da língua. Acredito que isso também contribuiu para que eu me tornasse especialista em história e cultura brasileira, na tentativa de entender o que para mim também era um grande enigma.



CULT – Deve ter sido penoso…

Sevcenko – Há também um outro aspecto da minha cultura familiar. O fato de eu ter nascido canhoto era visto como uma perversão do ponto de vista legal e também como um pecado segundo a Igreja. Isso fez com que minha mãe, contra sua vontade, por muito tempo amarrasse minha mão esquerda nas costas para me forçar usar a direita, o que acentuou uma condição de dislexia. Não a culpo, mas isso criou para mim uma condição irreversível, razão pela qual sou assim gaguejante, me faltam palavras óbvias, o que, para quem é professor, é problemático.



CULT – Muito de seu trabalho tem como base a articulação entre história e literatura. Essa abordagem encontrou resistência entre historiadores?

Sevcenko – Quando fiz minha pós-graduação nos anos 1970, no auge da ditadura, os grandes temas eram história econômica e história política. Eu tinha acentuado interesse pela questão cultural, o que não pegava bem porque parecia ser uma alienação do foco do debate e, nesse sentido, eu era percebido como uma presença que estava tirando o foco das discussões e despolitizando o ambiente. Quando formulei o projeto de doutorado, que daria o livro Literatura como Missão, as pessoas do Departamento de História em geral se acercaram de mim para dizer que aquele tipo de trabalho era incompatível com a pesquisa do departamento e que eu devia procurar o Departamento de Letras. Os responsáveis pela da área de Letras, por sua vez, encaminharam o projeto para o Departamento de Sociologia, que o encaminhou novamente para o Departamento de História. Então completei o ciclo e voltei, meio que contra a maré. Mas, na ocasião da defesa, a banca composta por professores consagrados [Sérgio Buarque de Holanda, Boris Schnaiderman, entre outros] me deu uma resposta tão favorável ao trabalho que pela primeira vez começaram a cogitar que talvez houvesse alguma coisa relevante.



CULT – O senhor possui quase 25 anos de experiência em universidades do exterior. Como analisa o interesse dos alunos estrangeiros pelo estudo da história brasileira e latino-americana?

Sevcenko – A sensação que tenho é a de um interesse contínuo que cresce mais ou menos como cresceu a projeção internacional do Brasil nestas últimas décadas. Houve um momento em que havia uma projeção cultural muito significativa, mas não havia, em contrapartida, uma compreensão do processo de desenvolvimento econômico e de remodelação da sociedade brasileira.

Hoje em dia, porém, sobretudo nos Estados Unidos, onde há um sentido muito forte de se entender a universidade como um ambiente profissionalizante, há uma enorme parcela da juventude que se interessa por trabalhos de sentido social ou ecológico ligados a ONGs. É esse o público que procura os cursos ligados ao Brasil ou à América Latina e que, de maneira geral, tem uma sensibilidade muito aguçada para a questão social, para a democratização, urbanização e melhoria das condições de vida das populações carentes.



CULT – De modo geral, a percepção do exterior com relação à história do Brasil é ainda marcada por estereótipos?

Sevcenko – Cada vez menos. Eu diria que a mídia sempre traz essa visão mais simplificada e redutiva, mas é claro que no ambiente universitário o interesse é sofisticar e qualificar essa visão. Hoje em dia há pessoas nos Estados Unidos e no Reino Unido que conhecem aspectos da realidade brasileira em profundidade e são capazes de discutir em igualdade de condição com os melhores cientistas sociais brasileiros.



CULT – Em comparação a essas universidades, qual a posição do Brasil com relação ao ensino da história?

Sevcenko – O Brasil tem um conjunto muito rico e diversificado de escolas historiográficas. Temos a influência francesa, especialmente na Universidade de São Paulo, a forte influência britânica na Unicamp e, de uma maneira mais equilibrada, a força de universidades no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Por toda parte há importantes centros de estudos históricos e encontros regionais e nacionais de historiadores que mantêm o debate em linha de conta com o melhor da produção internacional. Eu me sinto muito orgulhoso de pertencer à comunidade dos historiadores brasileiros e acho que o reconhecimento que encontrei fora do Brasil é justamente devido à qualidade da historiografia brasileira, não só da USP, mas desse grande contexto nacional.



CULT – Passemos, então ao livro A Revolta da Vacina. No prólogo desta edição, o senhor afirma se tratar de “um livro amargo”, dado o contexto em que foi escrito, em plena ditadura militar. O senhor acredita que muito do ímpeto de indignação característico daquela geração cedeu lugar à acomodação, à manutenção do status quo?

Sevcenko – É obviamente uma impressão pessoal porque eu venho de uma geração que lutou contra a ditadura militar, contra o obscurantismo da censura e da repressão. A juventude era estigmatizada como uma força turbulenta e “baderneira”, pois não se podia viver com espontaneidade a condição de ser jovem. Nós tínhamos a expectativa de que, quando a ditadura acabasse, toda essa enorme massa crítica ia se traduzir em um projeto de transformação do Brasil, traduzir-se em uma sociedade distributiva, democrática e inclusiva, mas absolutamente não foi isso que se deu. O país tomou a linha de um conservadorismo que se instaurou no mundo a partir de meados dos anos 1970, em especial a partir da liderança de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, responsáveis por trazer esse discurso que hoje domina o planeta. Então foi terrível ver toda aquela corrente de crítica, de indignação e de esperança acabar sendo reduzida a essa plataforma conservadora, representada pelas forças políticas que se tornaram hegemônicas na sociedade civil após o fim da ditadura militar.



CULT – Atualmente, o verbo “revoltar-se” tornou-se sinônimo de “nostalgia tola”?Sevcenko – É triste, mas é. O verbo “revoltar-se” foi muito incorporado pela indústria, pelo mercado, pelo marketing no sentido de se fazer da revolta uma espécie de atitude fashion. Ser revoltado é o modo esperto de se assumir a juventude, aquilo que na linguagem do marketing se chama atitude. Infelizmente tudo a ver com roupas, marcas e estilos, nada a ver com conteúdo e substância. Até a revolta se tornou mercadoria.



CULT – À época da Revolta da Vacina, já se mostraram ineficazes os meios de se lidar com nossas mazelas sem se preocupar efetivamente com a raiz do problema. Passados mais de cem anos, ainda não aprendemos a lição?

Sevcenko – Quando escrevi o livro, eu o dediquei aos mortos da tragédia de Vila Socó, ocorrida em 1983, em Cubatão. Naquela ocasião houve um vazamento nas redes de distribuição de derivados de petróleo das refinarias e a população pobre da região foi se abastecer daquele combustível precioso. A favela se expandiu em cima das áreas ensopadas e as poucas pessoas que tentaram fazer alguma espécie de clamor para que a autoridade pública removesse a população dali não obtiveram sucesso. O fato é que ninguém tinha coragem de atacar o problema, muito menos a autoridade pública, pois ela negocia votos. Logo, quanto mais gente morasse lá, mais votos. Então aquilo cresceu exponencialmente até o dia em que virou uma tocha e todo mundo que estava ali foi reduzido a cinzas.

Quantas dessas tragédias anunciadas no Brasil se tornam moeda de negociação política? Por que proliferam essas construções em áreas de risco, onde qualquer alteração das condições atmosféricas ou do regime das águas vai causar uma tragédia? Porque justamente são áreas que se valorizam no mercado informal e atraem uma grande quantidade de pessoas, tornando mais fácil para as autoridades criar um sentido de negociação. Tolera-se que se assentem lá e isso significa que estarão em dívida e, portanto, terão que respaldar essas autoridades nas eleições.



CULT – O senhor acredita que por trás do discurso assistencialista à pobreza está, sobretudo, o desejo de preservá-la enquanto elemento essencial para a manutenção do nosso sistema político?

Sevcenko – Sim, é isso que eu chamo de política assistencial remediadora. Não se quer eliminar a pobreza. O que se quer é um modo de se administrar a desigualdade para que ela se torne uma estrutura de manutenção do status quo político. Status esse que prevalece no país e não é muito diferente daquele que ensejou a Revolta da Vacina no início da República. Se então pensarmos ou na Revolta da Vacina ou na Vila Socó ou nas enchentes desencadeadas do sul até o extremo norte do país, estamos vendo o fenômeno em uma estrutura que se mantém a mesma, por mais que se diga que há um discurso de reforma e de transformação social.



CULT – A exemplo do que foi feito nos primórdios da Primeira República, o Brasil ainda busca ocultar a todo custo o flagelo da escravidão?

Sevcenko – Eu acho que sim. Ela é na verdade a nossa herança maldita, a nossa dívida social que o país não consegue contemplar. Essa estrutura retrógrada praticamente nunca foi confrontada e nunca foi substancialmente transformada na passagem do período monárquico para o período republicano. Quando se objetivava fazer a transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado, optou-se imediatamente pelo trabalho assalariado do imigrante europeu, deixando completamente à margem toda essa enorme população egressa da escravidão, como uma espécie de um estorvo social. Fica muito evidente, no contexto da Revolta da Vacina, como o país não tinha uma resposta para sair da escravidão na direção da construção de uma sociedade integrada, equilibrada e distributiva.



Se olharmos para a história subsequente e pensarmos na condição dos trabalhadores sazonais hoje em dia – como os cortadores de cana que trabalham em condições subumanas, arrastando em suas costas o sucesso do agronegócio brasileiro –, veremos que não estamos tão longe assim das condições de escravidão. Infelizmente o quadro é de profunda indignidade. E dizer que este país é todo dedicado à promoção social hoje em dia? Isso não só é uma inverdade, mas uma afronta.Ver mais

Fotos do grupo Revista CULT

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Certeza da Impunidade

Eu estava esperando um OK de uma pessoa ligada à Polícia Federal, para postar esse texto com mais um caso que gostaria de citar. Como não obtive a resposta, não poderei cita-lo aqui...
Nessas últimas semanas tenho acompanhado diversos fatos, muitos dos quais do conhecimento geral. Acredito que todos eles foram movidos pela certeza da impunidade. Citarei apenas três, dois dos quais foram amplamente divulgados. O do goleiro Bruno; os estupradores adolescentes de Santa Catarina; e os assassinos do Rio Grande do Sul, três menores, que mataram uma adolescente no final de julho.
Apesar de não haver conexão entre esses casos e dos motivos de tanta violência serem diversos, uma coisa me chamou a atenção: todos acreditavam na impunidade. O goleiro Bruno, achando que como pertencia ao clube de futebol elitista, manteve-se sempre seguro e arrogante. Ele acreditava que logo ia ser solto e ameaçava processar a imprensa e a justiça. Os dois adolescentes de Florianópolis são de alta classe social. O desprezo, o desrespeito que eles sentiam / sentem pela sociedade é tão grande, que não pensaram duas vezes antes de postar um vídeo num site conhecido e amplamente divulgado. Nesse vídeo, além da música fazer apologia à violência, eles confessaram o estupro, tratando o mesmo com tanto descaso e tanta banalidade, que é simplesmente de qualquer um ficar pasmo... Ainda há o assassinato  de uma menina de 13 anos, quase 14, que não teve tempo de completar. O crime foi praticado por três menores, sendo a mais nova com 12 anos. Ela assumiu a autoria, pois não pode ser condenada, presa ou até responsabilizada. Conversei com um advogado que me explicou isso. Talvez ela até não tenha participado da ação, somente assumiu a autoria para não incriminar os amigos. Nesse caso, a certeza da impunidade levou a melhor.
No caso do goleiro Bruno, a justiça está sendo feita. Ontem foi lhe negada a liberdade. Ele deverá aguardar o julgamento na prisão. O que me deixou espantada é ver a participação da esposa e das amantes. Tudo tratado pelos mesmos com absoluta naturalidade...Ficaremos aguardando a certeza da justiça.
Não sei o andamento do caso dos adolescentes estupradores. O principal faz parte de uma família rica, dona de uma emissora conhecida de TV. Então, quase não há divulgação... Fiquei assombrada quando soube que esses adolescentes conviviam diariamente com a violência. Não sofrendo-a, mas sim praticando. E isso dentro de um colégio de padres tradicional de Florianopólis! Os próprios professores estavam revoltados com tantos casos de estupro que ocorriam ali dentro e com o descaso da direção.
Citei esses três casos, pois os três envolvem pessoas que se achavam acima da lei. Ainda bem que estavam enganados. Pois o repúdio foi praticamente geral... Não cabe a nós discutir se as vítimas provocaram a violência. Cabe pesar a ação. E lutar contra! Repudiar! Para que amanhã os nossos filhos não passem por isso. E, principalmente, para que os jovens tenham em mente que nem sempre o dinheiro, o status, poderão livra-los do repúdio e da justiça.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Forças...

Espero ter forças suficiente para passar por esta vida amando a todos. Superando problemas e ajudando a quem precisa, nem que seja ouvindo, dando uma palavra de apoio, comida à quem tem fome, um agasalho. Mas ainda preciso aprender mais, aceitar mais, perdoar mais... mesmo com tantas feridas.. que Deus nos ilumine sempre para que pos...samos enxergar os bons no meio da multidão! Que Deus nos ajude a sempre conseguir estender a mão ao próximo...que ilumine os nossos caminhos para não deixarmos a violência prosperar...


"Dai-nos forças, Senhor,
para aceitar com serenidade
tudo o que não possa ser mudado.
Dai-nos coragem para mudar
o que pode e deve ser mudado.
E dai-nos sabedoria para distinguir
uma coisa da outra."

E que todos nós possamos contribuir para um mundo melhor...



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Xamanismo e Cocaína / por J. Sepúlveda

Prisão reveladora: um dos principais assessores do Presidente Evo Morales da Bolívia, o xamã que o empossou como "guia espiritual da nação", foi preso com mais de 300 kg de cocaína para tráfico. Um facto insólito? Não. Um facto revelador dos rumos políticos do projecto do Socialismo do século XXI que abala a América Latina e a está transformando num santuário para grupos terroristas e um paraíso para narcotraficantes. O "moderado" Lula, amigo de Ahmadinejad, protetor da ditadura comuno-castrista e grande aliado de Chávez, é incentivador do governo de Evo Morales e de suas políticas "cocaleiras".


Radar da mídia: Xamanismo e cocaína

radardamidia.blogspot.com

Postado por J. Sepúlveda às 15:48 Marcadores: Bolívia, Evo Morales, Foro de São Paulo, Lula, narcotráfico, Veja

domingo, 1 de agosto de 2010

O absurdo!!!

O filho do dono de uma afiliada da GLOBO SC e seu comparsa,violentam uma menina de 13 anos,após o ato insano,a mãe do canalha e mais outros adultos,maquiam a menor e pedem para ela não falar nada para sua família.Todos as tvs deram a notícia em sua íntegra.Veja agora como a Globo depois de semanas,noticiou o estupro!


ht...tp://www.youtube.com/watch?v=V9UE1GFm4PoVer mais

O Estupro não foi violento !!!

www.youtube.com

Vejam a forma de noticiar o Estupro praticado elo filho do dono da RBS de Florianopolis. (A Besta 666) No noticiario da emissora a moçoila reporter disse textualmente que o "Ato Sexual" praticado na jovem de 13 anos "NÃO FOI VIOLENTO". Não sabia que Estupro mudou de ...nome hein...(Paulo Torossian)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Texto da amiga Ana Maria C. Bruni

Mulher! O silêncio é o trovão das omissas! Atravessamos mais um milênio


Não foram suficientes milhares de dias,horas...

Nada aprendemos com a história

Nem nos impressionamos com as ruínas das grandes civilizações

Passamos por estes séculos como turistas,viajamos!

...Não nos espelhamos nos exemplos heróicos

Nada absorvemos

Nada garantimos

Nem para nós nem para nossas filhas



Negamos as atrocidades

Silenciamos aos apedrejamentos

Negamos nossos direitos

Nossos ventres parem machos, não homens

Nossas bundas valem euros

Nosso som silenciou à realidade



Mendicantes do milênio!

Mulher

Não confunda o amor a pátria,

pelo desprezo do governo em nossa relação

Não se contentem com migalhas

Não se satisfaçam em galgar um degrau



Dignidade Mulher!

Pelos direitos a que temos direito!





Ana Maria C. Bruni

sábado, 24 de julho de 2010

Uma História de Amor

Esse texto foi escrito pela minha filha Júlia, de 14 anos. Encontrei o mesmo na minha mesa, entre a papelada, um mês e meio após ela ter viajado. É interessante ver a idéia, a concepção do amor, do que ele significa para uma adolescente. Principalmente nos dias de hoje, onde predominam o descaso e a violência. Fiquei feliz ao ler e de saber que a minha filha o considera simples, puro, lógico. É o reflexo, talvez, da nossa estabilidade e união familiar...

"Definir o amor é impossível, pois ninguém ama do mesmo jeito que o outro. Por isso que, pelo menos para mim, o amor é imedível.
Tem gente que ama e fica falando "Eu te amo", já tem outros que demonstram de outro jeito. Por isso há tantas separações hoje. Os casais se amam, mas cada um de uma forma. E, às vezes, há falta de comunicação nessa forma de amar. Uns dão apóio, outros consolam, uns fazem carinho, outros falam...
Mas será que eu te amo mais porque demonstro? Ou você me ama mais porque faz tudo por mim?
Amar é ceder, é perder, é estar junto, unidos. Às vezes o amor vira dependência e um não sabe viver sem o outro. Nas brigas, falam-se coisas que ferem uns aos outros. Às vezes é preciso magoar, ir embora, para fazer o outro reagir... Às vezes, um deixar o outro é o melhor a se fazer, só que nunca de uma negativa eterna.
Cada ama de um jeito, faz as coisas de uma maneira, mas isso não quer dizer que eu te amo mais ou menos, isso só mostra que todos somos diferentes, só isso!
Não existe amor perfeito (só se for a flor) porque cada um é de um jeito e ama também da sua maneira de ser, seu jeito de saber amar... Amor é amor e acabou, nunca alguém ama igual ao outro (somente em filmes).
Para terminar: separar-se (definitivamente) nunca é a solução, o certo é sempre dar uma chance àquele que você ama, do fundo do seu coração."

domingo, 11 de julho de 2010

Solidão

Hoje vou escrever sobre a solidão. Temos falado tanto em vários tipos de violência, essa violência desmedida... Não dá gosto de ver ou ler as notícias. Mesmo com a punição dos culpados, a violência praticada não tem retorno.
Nunca senti tanto o peso da solidão... Nem mesmo quando sofria abusos do meu pai. É uma solidão diferente, mais consciente e presente. O coração pesado...as lágrimas soltas... Quem é que já não passou por isso um dia.
Há vários tipos de solidão. Considero que todas são ruins, mas para mim a pior quando estamos cercados de gente.Parece que nada e nem ninguém consola... Vemos as pessoas, passamos por elas, mas é como se a gente não estivesse presente. Mesmo não tendo razão (e é preciso se ter uma razão para a solidão?).
Uma coisa é sentir-se só, em vez de quando. Faz até bem. É nessa hora que refletimos sobre a vida, sobre vários temas e várias situações vividas. Cabe a nós tirar o proveito disso. Muitas pessoas buscam a solidão em busca de si mesmo. Considero isso saudável. Quando sabemos o motivo da solidão, é mais fácil combate-la, lutar contra.
Mas quando não achamos o motivo? Quando sabemos que é preciso ser forte, que o momento exige isso, mas não há como alcançar a saída... Como é triste sentir-se assim... E fico pensando nas pessoas na mesma situação. Quantas delas acabam sucumbindo? Fazendo besteira...tentando o suicídio...ou provocando algum tipo de violência...
Sim, porque a solidão leva à violência. Contra os outros, contra si mesmo. Tornamos-nos tão vulneráveis, que não pensamos com a razão, e sim, com a emoção. E é aí que "mora o perigo". Que vem à tona o pior de cada um. Aquilo que deixamos escondido no cantinho da mente, vai crescendo e tomando forma. Quantos já não praticaram delitos devido ao fato de se sentirem completamente só, buscando ajuda e não a encontrando? Quantas vezes estendemos os braços em busca de apóio e encontramos somente a indiferença?
É preciso ter consciência que combatendo a solidão alheia, além de estarmos ajudando, praticando a caridade, ao mesmo tempo estamos ajudando a nós mesmos. Pois uma pessoa que estende a mão, sempre encontrará outra estendida na sua direção. Ou seja, para combater a nossa solidão, é preciso ser solidário com o seu semelhante. E ter muita fé de que a situação vivida é passageira. Nada é mais triste que uma pessoa só. Nada é mais triste do que sentir a solidão, em quaquer circunstância...
Eu sei que a minha é passageira. Que logo me sentirei em paz de novo, repleta de esperanças. Só quis dividir com os meus amigos o sentimento vivido no presente... E agradecer a cada sorriso recebido, a cada mensagem de carinho, aos elogios, aos conselhos.
Beijos no coração de cada um...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ausência

Queridos amigos:

Tenho estado ausente, nessas últimas semanas, do blog, do orkut e do facebook devido a nossa volta a São Paulo. Essa volta está feita por etapas e estamos terminando a segunda. Faltará só a etapa da minha ida, da mudança e da ida dos pets.
Agradeço a compreensão e a colaboração de todos os amigos.
Abraços carinhosos, Bya.

domingo, 27 de junho de 2010

Africa do Sul, um país de estupradores?

Um país de estupradores?
A África do Sul reage à epidemia de violência sexual

RESUMO Colonialismo e apartheid fizeram da África do Sul recordista em crimes sexuais, com 75,6 estupros por grupo de 100 mil habitantes. Após um período de negacionismo oficial e estigmatização, governo e sociedade reagem à epidemia, causada por uma conjunção de fatores sociais, políticos e culturais.

FÁBIO ZANINI
LAURA CAPRIGLIONE

"ELE SE LEMBRA, quando criança, de ler a palavra 'rape', estupro, em reportagens de jornal, tentando entender exatamente o que queria dizer, imaginando o que a letra p, sempre tão suave, estava fazendo no meio de uma palavra considerada tão horrenda que ninguém a falava em voz alta."
Assim como a letra p não parece se encaixar naquela palavra tão horrenda, o erudito David Lurie, professor de literatura que cai em desgraça, parece não se encaixar em seu país, dominado pela barbárie. Ele quer entender o que acontecera dias antes com sua filha Lucy, atacada por três homens no sítio em que vivia no interior da África do Sul.
Lurie é o personagem principal de "Desonra" (trad. José Rubens Siqueira, Companhia das Letras, 2000), o romance que deu ao sul-africano J.M. Coetzee (pronuncia-se "coutsía") seu segundo Booker Prize, o mais prestigioso das letras britânicas. O estupro da filha de Lurie simboliza ficcionalmente a onda de violência sexual que domina a África do Sul.
"Ele pensa em Byron", narra Coetzee, evocando o poeta romântico inglês da predileção de seu refinado personagem. "Entre as legiões de condessas e criadas em que Byron se enfiou havia sem dúvida aquelas que chamavam o ato de estupro. Mas sem dúvida nenhuma delas tinha por que temer terminar a sessão com a garganta cortada."

FORA DA FICÇÃO Mais de dez anos depois da publicação do romance de Coetzee, o temor de ser estuprada e terminar com a garganta cortada não é exatamente uma situação ficcional. A poucos dias do início da Copa do Mundo, a ministra sul-africana das Mulheres, Juventude e Pessoas com Deficiências, Noluthando Mayende-Sibiya, fez um discurso inflamado na Cidade do Cabo. O objetivo era um só: advertir que o governo não toleraria episódios de violência sexual durante o campeonato.
Militante histórica do partido de Nelson Mandela, o Congresso Nacional Africano (CNA), Mayende-Sibiya, anunciou uma série de medidas contra a violência sexual: iluminação e limpeza dos locais potencialmente perigosos, campanhas de vigilância comunitária, policiamento preventivo, e criação de centros para acolher e cuidar de vítimas.
Também foi anunciada a construção de um parque no local em que foi encontrado, em janeiro, o cadáver decomposto de Masego Kgomo, no distrito de Soshanguve, a 45 km de Pretória, a capital administrativa da África do Sul. A ministra prometeu uma estátua em homenagem a Masego.
Aos 10 anos, ela foi sequestrada, torturada, estuprada e assassinada por um grupo de jovens negros. Segundo a polícia, uma sangoma, curandeira tradicional, teria estimulado o ataque.

CAMPEÃO MUNDIAL Um relatório publicado pela ONU em 2002, com dados de 50 países, confere à África do Sul o vergonhoso título de campeão mundial de estupros. Logo depois vêm Canadá, EUA, Nova Zelândia e Suécia. É preciso cautela ao analisar esse tipo de dado: eles podem significar, por exemplo, que as mulheres desses países se sentem mais à vontade para dar parte na polícia. Os números sul-africanos, no entanto, são eloquentes.
Uma pesquisa patrocinada pelo próprio governo sul-africano mostrou que, em 2007, houve 75,6 estupros por grupo de 100 mil habitantes -cinco vezes o registrado na cidade de São Paulo. Nos 12 meses contados a partir de abril de 2008, foram mais de 70 mil queixas de crimes sexuais, aumento de 10,5% em relação ao período anterior.
Calcula-se que sejam muito mais, pois é comum que as vítimas de estupro se recusem a prestar queixa. Segundo a organização não-governamental Pessoas contra o Abuso de Mulheres, apenas um em cada nove estupros na África do Sul é denunciado à polícia. Entre eles, apenas 7% terminam em condenação.
Índices mais chocantes dão conta de um estupro a cada 30 segundos no país, ou 1,2 milhão de estupros por ano. Uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul, com base em entrevistas com 1.738 homens, aponta que um em cada quatro homens das Províncias de KwaZulu-Natal e do Cabo Oriental estaria envolvido em agressões sexuais, entendidas como sexo não consentido ou tentativa.

LENIÊNCIA OFICIAL Rachel Jewkes e Naeema Abrahams, pesquisadoras do Grupo de Gênero e Saúde do Conselho de Pesquisa Médica, em Pretória, tentam explicar por que, afinal, esse tipo de violência tornou-se uma epidemia na África do Sul.
Segundo elas, existe um caldo cultural permissivo -a polícia pouco prende, a Justiça pouco age e a sociedade ainda desconfia que a vítima deu margem para ter sido estuprada. As pesquisadoras também relatam rastros de corrupção na polícia: "Quando, apesar de tudo, as denúncias são feitas, não é raro a polícia, em troca de uns trocados, 'perder' documentos e laudos que comprovam o crime".
Em Gauteng, Província onde ficam Johannesburgo e Pretória, somente 17,1% das queixas de estupro resultam em julgamento -e apenas 6% em condenação. A leniência oficial termina por desencorajar novas denúncias, num círculo vicioso de impunidade.
É comum a própria polícia abandonar o caso, em geral, por deficiência na investigação. Em 78,4% das queixas, segundo o estudo "Tracking Justice" (Acompanhando a Justiça), feito a partir de boletins de ocorrência, o policial nem sequer pediu à vítima que descrevesse o agressor. Em 52,3% dos casos, o agressor jamais foi localizado.
Em entrevista à Folha, Bashir Hoosain, diretor-geral de Segurança e Proteção da Província do Cabo Oriental, admite que há problemas na coleta de provas e no trato com as vítimas. "Temos procurado aproximar a polícia da comunidade, trazendo pessoas para dentro das delegacias para debater conosco os problemas", diz ele. "O número de mulheres policiais também cresceu."

REAÇÃO ARMADA A alegada tolerância em relação ao crime, numa sociedade já violenta após décadas de regime colonial e apartheid, teria gerado uma cultura do estupro.
Qualquer turista em Johannesburgo se impressiona com as ameaçadoras placas fixadas na fachada das casas: invariavelmente, fala-se em "reação armada". O assalto a residências está entre os principais medos na cidade, e em 90% dos casos os bandidos aproveitam para estuprar as moradoras, segundo a polícia local.
A impressão de impunidade, dizem as pesquisadoras, também facilita o surgimento das gangues de jovens que estupram e matam, que ficaram tristemente famosas na Cidade do Cabo no final do século 20. Mais do que na vítima, o foco dos agressores está nos cúmplices. A observação do ato funciona como rito de iniciação à vida adulta.
Um diálogo entre David Lurie, o personagem de J.M. Coetzee, e sua filha, estuprada por dois homens e um jovem, sintetiza o funcionamento das gangues: "Um excitava o outro. Deve ser por isso que fazem juntos. Como cachorros em bando". O pai então pergunta: "E o terceiro, o rapaz?". Lucy responde: "Estava lá para aprender".
Assim como aconteceu com Lucy em "Desonra", grande parte dos estupros ocorre dentro de casa. Há dois anos, o estudo "Tracking Justice" mostrou que em 25% dos casos o responsável é parente, namorado ou ex-namorado da vítima. Casos como o de Letta Majas, 39, moradora da favela de Alexandra, em Johannesburgo, são comuns.
"Toda sexta, meu namorado ia direto do trabalho para o bar", conta ela. "Chegava em casa às 23h, querendo sexo. Um dia, eu recusei, porque não queria dividir a cama com um bêbado de cerveja. Ele respondeu que era porque eu estava saindo com outro homem. Me jogou contra uma parede, me chutou e me estuprou."
Em Johannesburgo, há dezenas de "casas seguras" para mulheres como Letta, que não podem voltar para casa -ou serão estupradas. Em Alexandra, a Bombani Safe House funciona atrás de muros altos e arame farpado. A preocupação é com a privacidade de suas "clientes". Mais do que um eufemismo, a nomenclatura é uma tentativa de reduzir o estigma da vítima.

CURANDEIRISMO Quando a epidemia de Aids explodiu na África do Sul, chegou-se a sugerir uma explicação "mágica": o surto de estupros de adolescentes seria ligado à crença de que o sexo com "virgens puras" poderia "limpar" o sangue de quem com elas se relacionasse. Rachel Jewkes e Naeema Abrahams têm uma explicação mais pragmática: "O mais provável é que os estupradores acreditem que, atacando uma virgem, tenham menos chances de contrair o vírus HIV".
Uma juíza que já atuou em vários casos baixou a voz para dizer à Folha em um restaurante de Johannesburgo: "Ninguém quer falar sobre isso, mas é terrível o envolvimento de curandeiros e curandeiras nesse tipo de crime. Ou praticam diretamente, ou pedem que outros o façam, a fim de aumentar seus supostos poderes". Segundo ela, o assunto virou tabu porque essas práticas religiosas pertencem à reclusa esfera da vida levada segundo os ditames tradicionais.
Até 2004, o então presidente sul-africano, Thabo Mbeki, da etnia xhosa, acusava de "racista" a estridência mundial a respeito da violência sexual no país. Em artigo publicado no site do Congresso Nacional Africano, ele escreveu: "Dizem que nossa herança africana na cultura, tradições e religiões faz de cada homem africano um potencial estuprador. É um ponto de vista que define todo o povo africano como selvagens bárbaros".
Mbeki investia contra a jornalista branca Charlene Smith -ex-militante antiapartheid, ela mesma estuprada em 1999 durante assalto a sua casa-, que escreveu no jornal "Sunday Independent" o artigo "O estupro tornou-se uma forma repugnante de vida em nossa terra".
Mbeki respondeu que, por trás das denúncias da epidemia de estupros na África do Sul, não existiria nada além da velha repetição dos estigmas que os colonizadores brancos e europeus sempre quiseram colar na pele negra. Segundo ele, o povo negro seria visto como um bando de "preguiçosos, mentirosos, de odor fétido, doentes, corruptos, violentos, amorais, sexualmente depravados, animalescos, selvagens -e estupradores".
A perigosa relação entre identidade nacional e barbárie já surgiu em outros contextos históricos e culturais. Depois do Holocausto, ainda há quem queira associar, por exemplo, os alemães a nazistas em potencial. Não há dúvida, porém, de que reuniram-se na Alemanha do Terceiro Reich condições específicas (algumas essencialmente culturais) que levaram o povo alemão à barbárie nazista. O que não significa afirmar que a barbárie esteja na identidade nacional alemã.
A ideia de "cada homem africano como um estuprador potencial" reaparece, com sinal invertido, no relatório "Qualquer um pode ser um estuprador", do Centro de Estudos da Violência e Reconciliação. O texto procura entender os fatores individuais, de relacionamento, comunitários e sociais que levam o país a se tornar campeão dos crimes sexuais.
Quando todos os fatores se conjugam, aí sim, "qualquer um pode se tornar um estuprador". Em qualquer país.

NEGACIONISMO O então presidente Mbeki não negou apenas o problema do estupro. Sua mais famosa negação foi em relação à proliferação da Aids no país, que não passaria de invenção da indústria farmacêutica.
Citando uma tese do pesquisador americano Peter Duesberg, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e da Academia Nacional de Ciências dos EUA, ele sustentava que o vírus HIV não seria o causador da AIDS. A deficiência imunológica característica da doença seria uma decorrência da fome e dos problemas crônicos da saúde sul-africana -herança maldita do apartheid.
Em novembro de 2008, sem políticas de prevenção ou tratamento, a África do Sul bateu nos 365 mil mortos por Aids, 60% dos quais mulheres. Hoje, o vírus está no sangue de mais de 5 milhões de sul-africanos (a população é de 48 milhões).
O hospital Baragwanath, no bairro de Soweto, em Johannesburgo, é um gigante com mais de 4 mil leitos, considerado o maior da África. Lá, ainda não se atendem casos de estupro que não sejam acompanhados por lesões físicas graves: "O estupro é um problema menor para ser tratado aqui", disse o relações-públicas à reportagem da Folha, na semana passada. Muitos profissionais de saúde no país não veem a violência sexual como uma questão de saúde pública, embora ela acompanhe os índices de infecção por HIV.
Nas macas encostadas nas paredes de tijolinhos do pronto-socorro viam-se apenas pacientes negros -vários deles esqueléticos, com as feridas características dos doentes de Aids sem tratamento.

SURPRESA E, no entanto, quando este texto é escrito, já se passaram 12 dias do início da Copa do Mundo. Todas as nove cidades-sede receberam 220 mil torcedores e turistas, fluxo várias vezes maior do que o habitual. E não se ouviu falar em onda de estupros.
A enfermeira Smangele Zulu, funcionária da clínica Zolach, em Soweto, especializada em primeiros socorros, arrisca uma hipótese: "Realmente está mudando o tratamento dispensado ao agressor e à vítima nos casos de estupro -mais rigor para o predador, mais acolhimento para a vítima". "Smangele" significa "surpresa" na língua tribal.
As políticas negacionistas em relação à Aids e ao estupro sofreram o seu maior revés numa trapalhada do zulu Jacob Zuma, presidente do país e polígamo (com três mulheres, 20 filhos e algumas namoradas). Em 2005, quando era o vice-presidente de Mbeki, Zuma foi acusado de estuprar uma mulher de 31 anos, soropositiva e amiga de longa data de sua família. Levado aos tribunais, Zuma disse que, sim, tivera relações sexuais com a mulher, mas por iniciativa dela. Acabou absolvido em 2006.
No tribunal, o promotor quis saber se Zuma havia usado preservativo. "Não." Perguntou-se então se o acusado não tivera medo de contrair o vírus da Aids. "Não, não havia risco, porque tomei uma ducha logo depois."
As organizações de prevenção à Aids e as feministas não demoraram a acusar Zuma de "irresponsável". Mas, depois do caso, viu-se que a necessidade do uso de preservativos jamais tinha sido tão discutida na África do Sul como naquela época.
Na disputa pelo controle do Congresso Nacional Africano, um fragilizado Zuma, às voltas com denúncias de corrupção, concordou em fazer uma composição política original: entregou 43% dos ministérios a mulheres, para conseguir o apoio de mais da metade do eleitorado sul-africano. O resultado imediato da manobra foram mulheres em situação de muito mais poder do que jamais na história sul-africana. E o fim do negacionismo.

REAÇÃO O enterro da menina Masego Kgomo, em 16 de janeiro, contou com a presença da ministra da Mulher, Noluthando Mayende-Sibiya, da vice-ministra do Desenvolvimento Econômico, Gwen Mahlangu Nkabinde, do secretário da Província de Gauteng para a Segurança da Comunidade, Khabisi Mosunkutu, e da prefeita da cidade de Tshwane, Gwen Ramokgopa.
No cemitério Zandfontein, logo depois do popular Solly Moholo cantar uma canção gospel, seguida de hinos religiosos entoados pelo coral da escola onde Masego estudava, o secretário Mosunkutu repreendeu a comunidade. "Por que as pessoas que viram a menina gritar não fizeram nada?", perguntou ele. "Como é possível que o dono do bar aonde os agressores levaram uma menina de 10 anos não tenha percebido nada de errado?"
A mudança veio quando Mosunkutu condenou os assassinatos relacionados ao curandeirismo: "Tem gente se escondendo atrás da nossa cultura para perpetrar atos criminosos. Precisamos deixar claro que a nossa cultura não tem nada a ver com pedaços de corpos humanos para rituais 'muti'", disse ele, referindo-se a "trabalhos" religiosos. "Isso não passa de criminalidade."
Corando, a prefeita de Tshwane, Gwen Ramokgopa, disse que é necessária a colaboração dos curandeiros tradicionais "corretos", para que sejam extirpados aqueles que cometem crimes em nome dos rituais "muti".
Não faltam tentativas canhestras de resolver o problema, como a campanha oficial "Masturbe-se, Não Estupre!", lançada em 2007, ou a "camisinha antiestupro", curioso invento da médica Sonnet Ehlers. O apetrecho é dotado de pequenas lâminas que supostamente ferem o agressor e inviabilizam a conclusão do ato - embora sua eficácia ainda esteja longe de ter sido comprovada.
O que está claro é que há uma reação institucional. Em junho de 2009, Mayende-Sibiya fez questão de levar sua solidariedade à família de Nadine Jantjies, menina de 7 anos que foi violentada e morta pelo tio, Manfred Swartz, que confessou o crime.
Na ocasião, a ministra Mayende-Sibiya disse: "Trago a mensagem de que este governo não tolerará mais crimes de violência sexual. E que trabalharemos para que a Justiça se faça da forma mais rápida possível."

"Um relatório publicado pela ONU em 2002, com dados de 50 países, confere à África do Sul o vergonhoso título de campeão mundial de estupros. Logo depois vêm Canadá, EUA, Nova Zelândia e Suécia"


Da Folha de São Paulo de 27/06/10

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Texto do José Geraldo / Espancamento

Na última quarta- feira, dia 16 de junho de 2010, uma criança de apenas 8 (oitos) anos foi espancada pelo padrasto Salvaterra, cidade da ilha de Marajó, no Pará.

A criança só não sofreu mais agressão porque os vizinhos denunciaram no quartel da policia ...
Depois foram até o conselho tutelar e eles disseram que nada podiam fazer.
Já o delegado de polícia falou que aquilo que o padrasto cometeu foi apenas uma correção na crianças.
Mas os vizinhos acham um absurdo pois ficaram marcas evidentes que a criança foi mesmo espancada.
A quem recorrer neste caso já que as autoridade locais nada fazem?
Não podemos deixar que aconteça algo pior!


.POR FAVOR, participem das denúncias que estão nas comunidades de SALVATERRA e na cmn COTNRA VIOLÊNCIA À CRIANÇA.


.Os links das denúncias são estes:


http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1417483&tid=5484350431565515831


.


http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=547191&tid=5486285997751211993&na=4


.


http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=2477859&tid=5486284709261023193&start=1

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O Preconceito / Miriã Soares

Preconceito "racial"/étnico - Porquê?



O teu cristo é judeu,


Tua máquina é japonesa,


Tua pizza é italiana,


Tua democracia é grega,


Teu café é brasileiro,


Teus números são árabes,


Tuas feições são latinas (...)


e tu chama o teu vizinho de estrangeiro


(Carlo Giuliani)


É um absurdo em pleno século XXI, ainda se debater racismo, ter campanha de concientização... Ninguém pode ser julgado por suas origens, porque não é a cor de uma pele e outros fatores externos que define a inteligência, o caráter ou os sentimentos de determinadas pessoas. O que mostra realmente quem é alguém, são as atitudes, o comportamento, a personalidade, e não as características físicas.
As pessoas sabem sim quem é negro e quem é branco. Só se esquecem quando é hora de usufruir dos mesmos direitos. (Maria Aparecida Silva Bento, diretora do CEERT)
"O preconceito é o filho da ignorância. " ( William Hazlitt )
"Não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris".(Ulisses Tavares).
" Tristes tempos os nossos! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito"(Albert Einstein).
"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos haverá guerra".(Bob Marley).


RACISMO:É a crença na inferioridade nata dos membros de determinados grupos étnicos e raciais. Os racistas acreditam que a inteligência, a engenhosidade, a moralidade e outros traços valorizados são determinados biologicamente e, portanto, não podem ser mudados. O racismo leva ao pensamento ou/ou:ou você é um de nós ou é um deles.
Todo racista e preconceituoso é fraco de espírito tentando enfraquecer os mais fortes para que se tornem fracos iguais a eles. A maior parte dos racistas desconhecem sua formação genética, não conhecem a origem do próprio avô...
Somos todos da RAÇA HUMANA (Pelo dicionário, raça quer dizer origem,geração,ESPÉCIE.) e nossas almas tem uma cor universal, assim como o nosso sangue.
As pessoas de coração impuro que não acreditam na paz, na irmandade e no amor caem na desgraça de ver que uma ou outra etnia é a errada e deve ser caçada.
Preconceito é até mais cultural do que apenas a cor da pele (preconceito quer dizer conceito formado antecipadamente sem fundamento sério,PREJUÍZO, ERRO)... afinal, quantos povos na Europa têm preconceito um pelo outro, mas o fenótipo deles é idêntico?
E o preconceito com argentinos, japoneses, paraguaios, nativos, portugueses, norte-americanos, ciganos, judeus, árabes, etc? Vamos trabalhar em nós mesmo os nossos preconceitos!
Como não podemos mudar nosso passado, vamos tomar algumas atitudes para mudar o presente e o futuro. Evitemos atitudes, frases, piadas:

você foi assaltado por um negro... acha que todo negro é assaltante;


um árabe fez um atentado terrorista... todo árabe é terrorista;


" Das brancas quero sexo, dos brancos o dinheiro"[Mano Brown]


"cabelo ruim" ser sinônimo de cabelo crespo;


pensar que todo norte americano é igual ao Bush e todo alemão é igual ao Hitler;


“Preto de alma branca”. Desde quando alma tem cor?


“A coisa ficou preta”. Dá-se a entender de que tudo referente à cor preta é ruim.


“Que judiaria!” Vocês sabiam que este termo deriva da palavra judeu? Se deve à época da II Guerra.


''todo judeu é rico e pão duro"


''negro com sucesso só se for pagodeiro ou jogador de futebol''


''cuidado quando for negociar com um árabe''


"baiano é preguiçoso"


''tinha que ser argentino''


''todo nordestino é burro''


"tudo de ruim vem de Minas Gerais"


... e outras coisas que omitirei por que incitam a ira e indignação, e extrapolam todos limites da decência.


Preconceito: O mal do mundo? Ja foi vitima disso? Ja presenciou? Porque ele existe? E quais medidas você toma perante a esse problema?






http://mdiversidades.blogspot.com/2008/12/preconceito-racialtnico-porqu.html

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Bulling

Já ouvimos muitas matérias de balas perdidas. Depois foram sobre desastres naturais. Logo após, sobre a violência sexual e pedofilia. E, agora, chegou a vez do bulling.
Bulling, nada menos que uma provocação, aquela coisa de colocar apelidos, de pegar o ponto fraco da pessoa, como sotaque, um defeito, um gosto, preferência por um time ou uma crença.
Antigamente nâo passava de "tiração de sarro", apelidos e, no máximo, humilhações. Hoje em dia virou um tipo de violência, um tipo de constrangimento, onde predominam as humilhações, violência física, psicológica e, até, a morte.
Nem sempre o assassino é quem pratica o bulling. Na maiora das vezes não é o agressor, e sim, a vítima.
O constrangimento violento faz a vítima acumular tanta raiva e mágoa, que ela não mede as consequências dos seus atos.
Posso citar alguns dos casos:
1. Meu marido, português, chegou ao Brasil com 12 anos e foi estudar num colégio eletista de Sâo Paulo. Desde início, por causa do sotaque, foi vítima de piadas, principalmente praticadas por dois colegas judeus. Como sempre foi paciente, aguentou ao máximo as humilhações, até que não deu mais. Resolveu o problema chegando nos dois, ficando em posição de sentido e proferindo a seguinte frase: " Hei Hitler!". Após esse episódio, foi finalmente deixado em paz. Fez isso por estar sob forte pressão psicológica, pois normalmente jamais teria discriminado alguém.
2. Eu, por vir de um país socialista / comunista, fui vítima durante quatro anos de uma professora de educação física, que dizia que odiava os comunistas. Ela era uma pessoa tão ignorante e era tão agressiva que, juntamente com o problema que eu tinha de conviver no meu dia a dia, precisei aguentar mais esse tipo de violência e discriminação, já que os meus pais não fizeram nada. Quase repeti por faltas na matéria...
3. Eu e o meu marido somos voluntários de um colégio estadual do bairro. Um dia chegando ao mesmo, deparamos com uma menina, alta e robusta, sangrando na cabeça. O agressor, por incrível que pareça, era um menino baixo e magro, que no ato de provocação sentiu tanta raiva, que conseguiu ser o mais forte e machucá-la, jogando uma carteira na cabeça dela. Os dois foram para o Conselho Tutelar. Por sorte, o menino não matou a colega, fato que poderia ter acontecido se tivesse pego no lugar mais sensível da cabeça.
4. Em maio, na cidade de Belo Horizonte, os pais de um menino foram obrigados pelo juiz a pagar oito mil reais ao colega do filho, que foi vítima de bulling praticado por esse menino.

Fora os outros casos, infelizmente com finais trágicos, que os jornais mostram quase que diariamente. Mas, se pararmos para pensar, por que há tantos assassinatos nos Estados Unidos? São as vítimas de bulling, que acumulam a raiva, o rancor durante anos, até extravasar tudo numa rajada de metralhadora.
Os pais precisam orientar sempre os filhos contra o preconceito, que é o grande causador desse mal. Mostrar que as diferenças existem, que é preciso aceitá-las e conviver normalmente com elas no dia a dia. Afinal, todos nós temos os nossos defeitos, os nossos gostos e desgostos.






Abraço

Dá um abraço?


De repente ,
deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço,
de proximidade ...
de amizade, sei lá !
Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores ...
que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte ...

Deu vontade ,
de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo o espaço.
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge devagarinho,
na magia da união dos corpos,
das auras,
sei lá!

Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas,
a dizerem : - Estou aqui !
Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,
afirmando : - Estou com você !
Lembrar da transfusão de força,
ou até da suavidade do momento,
sei lá.

Então, pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia,
abraço força,
abraço união,
abraço suavidade,
abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça,
abraço verdade,
abraço cumplicidade ?

Mas o que importa é a magia desse abraço,
a fusão de energias que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...

Só sei que agora ,
deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços ...
Que sirva de "colo",
afastando toda e qualquer angústia...
Que desperte a lágrima de alegria e acalme o coração...

Um abraço que traduza a amizade,
o amor
e a emoção.
E para um abraço assim,
só consegui pensar em você .
Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o porque
dessa minha vontade.

Pois então:

Dá logo esse abraço !!!

Autor Desconhecido

sábado, 12 de junho de 2010

Incesto é 'comum' e não é denunciado

Incesto é 'comum' e não é denunciado, dizem especialistas

G1 ouviu estudiosos sobre caso de jovem que teve 7 filhos do pai no MA.
Somente isolamento e falta de condições sociais não levam ao incesto.

Luciana Rossetto Do G1, em São Paulo
Pescador é chamado de avó pelos 'filhos-netos' em PiedadePescador teve sete filhos com a própria filha
(Foto: Divulgação/Polícia Civil do Maranhão)

Isolamento, falta de acesso à educação e condições sociais precárias. A soma de todos esses fatores poderia explicar o caso do pescador que teve sete filhos com a própria filha no povoado de Extremo, em Pinheiro (MA). No entanto, especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que tudo isso não justifica o abuso, mas colabora para que ele ocorra. Eles chegam a afirmar que em algumas regiões do interior do Brasil é um costume os homens iniciarem sexualmente as filhas.
O psiquiatra José Raimundo da Silva Lippi, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de São Paulo (USP), explica que somente o isolamento não leva a uma conduta incestuosa, mas a falta de contato com a sociedade colaborou para o incesto.
“Dentro de cada pai incestuoso, existe algo não resolvido, que o faz buscar a solução para seu desejo sexual com uma criança ou o próprio filho. Ele age ainda como uma pessoa primitiva em termos de desenvolvimento afetivo”, afirmou.
Dentro de cada pai incestuoso existe algo não resolvido, que o faz buscar a solução para seu desejo sexual com uma criança ou o próprio filho"
José Raimundo da Silva Lippi, psiquiatra
De acordo com o médico, o incesto não é uma questão biológica, mas psicológica e predominantemente cultural. Ele ressalta que há semelhanças entre o pescador brasileiro e o engenheiro austríaco, que também abusou e teve filhos com a filha, que era mantida em cárcere privado, apesar do nível socioeconômico dos dois ser bem diferente. O caso do austríaco veio à tona em abril de 2008.
“Todos nascemos instintivos, mas conforme vamos nos desenvolvendo, criamos estruturas que nos permitem interromper pensamentos que ocorrem. Não é proibido um pai ter desejo ao ver uma filha, mas o pai com desenvolvimento afetivo adequado tira o pensamento da cabeça e não concretiza o ato. Já o pai instintivo vê a filha como objeto sexual e não tem essa lei interior que o ajuda a conter esses impulsos. O lugar ermo pode ter dificultado o mecanismo de contenção interior, então ele se sentiu mais livre para isso, sem regras sociais que o impedissem”, disse.

Pescador teve sete filhos com filha de 28 anos mantida em cárcere privado
Casa onde pescador vivia tem dois cômodos e fica afastada do Centro de Pinheiro (Foto:
Divulgação/Polícia Civil do Maranhão)

A cientista social Sandra Nascimento, pesquisadora do programa de Cultura e Sociedade da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), destaca que o pescador falou com naturalidade sobre o incesto após a prisão. “O fato de ele viver isolado, sem controle, contribuiu para o que aconteceu. Até pelas condições de miséria em que vivia, ele não tem dimensão social do horror que causou com o incesto. Talvez, ele tenha considerado que é algo natural para todos os homens, que desejam e têm as mulheres”, explicou.
Sandra também vê aspectos semelhantes entre os casos do Brasil e da Áustria. “Tanto no caso da Áustria quanto no brasileiro, há uma relação de poder muito forte. Existe a questão de querer dominar a filha, que é vista como propriedade. Eles quiseram possuir as meninas e subjugá-las aos seus domínios. Nós nos horrorizamos, porque, pelas normas, pai é proteção”, disse.
Existe a questão de querer dominar a filha, que é vista como propriedade"
Sandra Nascimento, cientista social
O antropólogo José Rogério Lopes, professor do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), concorda que o isolamento não é uma explicação. “Em quase todas as culturas é proibido ter relação dentro de um grupo íntimo de parentesco. Isso é importante, inclusive, para forçar as pessoas a buscar alternativas e constituir outras relações que ampliam o núcleo de convivência. O indivíduo não nasceu no isolamento, portanto, ele já tinha conhecimento dessa proibição, que foi estabelecida antes.”
De acordo com o antropólogo, o incesto não é aceito na maioria das culturas. “Os casos não são legitimados e, quando ocorrem, os indivíduos são penalizados. Agora, existem relatos de homens que não têm possibilidade de buscar uma companheira para estabelecer uma relação conjugal que seja fora da própria família. Isso faz com que, muitas vezes, sujeitos pratiquem atos incestuosos”, disse.
Em quase todas as culturas é proibido ter relação dentro de um grupo íntimo de parentesco"
José Rogério Lopes, antropólogo
Casos ocorrem com frequência
De acordo com Lippi, em algumas regiões do interior do Brasil, é um costume os homens iniciarem sexualmente as filhas. “Existe a idéia de que o pai sabe mais sobre as coisas do mundo. Em determinada região do Tocantins, por exemplo, há relatos de meninas que passam por isso, porque é algo visto como ‘obrigação de pai’.”

O médico conta que assim surgiram os filhos dos botos, que seriam, na verdade, fruto do relacionamento incestuoso entre pais e filhas. “Criou-se uma lenda para tirar a culpa dos pais e justificar a gravidez das jovens. Então, surgiu a história de que as crianças são filhas de um boto”, diz.
Sandra também relata que esse tipo de caso é comum no interior do Maranhão. “Pais dizem que eles vão ter as filhas primeiro, porque elas não serão de outro homem sem ser primeiro deles. É uma dominação de gênero. O homem quer ter a posse da mulher. A vítima se sente ameaçada e, ao mesmo tempo, não consegue reagir contra o próprio pai. Acontece muito, mas é algo que tem pouca visibilidade.”
Criou-se uma lenda para tirar a culpa dos pais e justificar a gravidez das jovens. Então, surgiu a história de que as crianças são filhas de um boto"
José Raimundo da Silva Lippi, psiquiatra
Lopes lembra que essas atitudes também são comuns na Região Amazônica. “É possível encontrar, entre a população ribeirinha, famílias em que os pais iniciam sexualmente as filhas. Não constituem família ou chegam a ter filhos com elas, mas ocorre a relação sexual”, diz.
Denúncias
O psiquiatra acredita que, quando situações como essa são descobertas, a população tem um incentivo maior para denunciar casos de abuso. “A tendência é que a comunidade não permita mais. Se isso chega à comunidade como algo proibido, então a cultura do local pode mudar”, diz.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Hoje, dia 07, faz exatamente um ano da minha "libertação". Foi quando eu participei de uma terapia em grupo e coloquei para fora toda a minha história, mágoa, medos, insegurança... Compartilhei o choro, o desespero, o pavor e o horror que havia vivido. Hoje, ainda estou me recuperando, mas muito mais forte. Hoje comemoro o fato de me valorizar mais como pessoa e como mulher. Abraços.
Essas são três mensagens que recebi, entre tantas outras (muitas...). Não dá para postar todas, mas agradeço do fundo do meu coração pela força, pelo carinho e pelo incentivo. Esse reconhecimento é mais poderoso que a luta em si, pois faz a gente ir em frente, não desistir... Muito obrigada a todos.

Marcello:

Não abandone a leveza dos seus gestos,
nem a suavidade de suas palavras.
Não deixe de colher rosas por medo dos espinhos,
nem de se emocionar ao receber um carinho.
Siga seu próprio modelo:
Simples como a natureza,doce como mel.
Acaricie os pensamentos de quem lembrar de você,
e adoce os lábios de quem pronunciar o seu nome.
E que o vento possa levar-lhe uma voz,
que diz que há um Anjo em algum lugar do Mundo
desejando que você esteja bem e feliz"
Que sua vida seja calma,
tranqüila e serena.
Que suas esperanças estejam
totalmente revigoradas,
prontas para um novo sonho!.
Que sua semana e
toda sua vida seja sempre:
Claro como a Luz do Sol
Brilhante como as estrelas
Livre como as borboletas
Especial como o Amor
Sereno e tranqüilo como
quem tem fé
Alegre e sincero como o
sorriso espontâneo de uma
criança.
Perfeito como a Natureza
Cheio de muita Luz.
 
 
Quem Me Robou...
 
Olá querida!!! Parabéns pela sua luta, e que seja grande o seu novo recomeço, porque a palavra para nós que passamos por isso tudo, e ninguém jamais nos ajudar e somente julgar é o recomeço de uma vida melhor e principalmente de nos valorizarmos como humano e mais ainda como mulher, não importa o que aconteceu o que importa é que jamais vão nos derrubar porque sempre existirá o recomeço, e somo forte o suficiente para isso.... Seja bem-vinda ao novo mundo... beijos
ps. Sua história é igual a minha...
 
 
Andre:
 
Se a felicidade já foi possível para você um dia,então, ser feliz agora também o é.Se a felicidade vai ser possível no futuro,também é possível ser feliz agora.Seja feliz com a pessoa que você é hoje.Não, você ainda não é quem gostaria de ser.Mesmo assim você tem todas as chances de setornar a pessoa que quer ser.Você gostaria de perder a aventura de alcançartodo seu potencial?Claro que não!Seja feliz por ter ainda muito a conquistar,pois é nesse processo que se experimenta a riqueza da vida.Se você ainda não tem certeza de qual caminhosua vida deve seguir,fique feliz por ter tantas possibilidades edivirta-se explorando-as.Se você está cheio de problemas e responsabilidades,fique feliz por ter a possibilidade de fazer diferente efortaleça-se ultrapassando os obstáculos.Nada pode impedir você de ser feliz.Ninguém pode afastar você da felicidade a não ser você mesmo.Seja feliz agora mesmo.

domingo, 6 de junho de 2010

Sexo e batina

Padres precisam casar; não é justo deixá-los passar a vida em abstinência. Mas como seria para um padre começar?

Pelo que os fatos têm demonstrado, a pedofilia é doença, e doença incurável. Não adianta achar que a solução é ser tratado por psicólogos. É totalmente irreal imaginar que em um país como o nosso, onde as prisões são jaulas tenebrosas e superpopulosas, um pedófilo vai ser "tratado" e se curar; tanto quanto é delírio pensar em monitorar os presos que saem para passar o Natal com a família, fazendo com que eles usem a pulseirinha que permite o seu rastreamento. Prepare-se: a licitação seria dispensada, as pulseirinhas custariam uma fortuna e pouco tempo depois estariam à venda nos camelôs da cidade, com o manual de instruções ensinando a como driblar a polícia.
Os padres têm sido muito acusados de pedofilia, ultimamente, mas pense um pouco: jogar num seminário um garoto de 16, 17 anos, com os hormônios explodindo, e pretender que ele se mantenha casto para o resto da vida -não, isso não pode dar certo. É contra a natureza, e como é mais difícil para os padres seduzir mulheres, já que não convivem com elas, acaba sobrando para os garotos. Um belo dia, muito tempo depois, um deles resolve contar o que aconteceu na penumbra de uma sacristia e vira um escândalo. E os casos de que nunca vamos saber, que devem ser milhares?
Os padres precisam casar; não é justo deixá-los passar a vida em abstinência. Mas como seria para um padre começar um namoro? Convida para um chopinho, leva a garota para dançar? E motel depois, pode?
Eu conheço uma moça que namorou um padre; tudo começou por telefone, e ela gostou tanto, mas tanto, que dizia, para quem quisesse ouvir, que nada como um padre que tivesse guardado a castidade durante anos para acalmar as tensões, digamos assim, de uma mulher solitária.
A única coisa que ela não me disse (e eu esqueci de perguntar) é se ele usava batina.

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Texto de Danuza Leão na Folha de São Paulo de 06/06/10