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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Pedofilia: um crime silencioso / Antonio Edelgardo Pereira da Silva

Normalmente ocorre dentro do ambiente familiar, o que torna mais difícil ainda a vítima se manifestar (abuso sexual infrafamiliar).

É silencioso porque geralmente ocorre dentro do ambiente familiar e para a vítima de um pedófilo fica muito difícil a mesma contar para alguém em que ela tenha confiança, a violência que ela vem sofrendo.
A maioria dos casos de pedofilia não são denunciados pois a família entende que com isso preserva a imagem que tem perante a sociedade e a imagem da própria vítima, o que é um erro pois ao não denunciar o pedófilo só irá contribuir ainda mais para que o mesmo continue agindo impunemente sem as reprimendas da lei.
Independentemente de classe social, a pedofilia acontece em todas as camadas sociais embora a maioria desses crimes aconteçam na periferia, principalmente em lares em que os pais passam o dia trabalhando e não tem como proteger seus filhos dos pedófilos.
O mais grave é que a maioria desses crimes infrafamiliar são praticados por parentes e pais das próprias vítimas e na sequência aparecem vizinhos, amigos da família, pessoas próximas que geralmente tem acesso as vítimas sem despertar nenhuma desconfiança. Pessoas que tem intimidade e confiança com a vítima.
Não existe um perfil pré-determinado e clássico do pedófilo. Eles estão em todas as classe sociais e independe do grau de instrução o que vai desde o analfabeto até o mais alto grau de instrução que se possa imaginar. Normalmente é uma pessoa que goza de boa reputação no meio em que vive, benquista por todo mundo e que geralmente gosta de ajudar e é justamente por trás dessa máscara que se esconde um predador de crianças.
Os casos mais comuns acontecem com crianças que possuem uma faixa etária abaixo dos 14 anos, até mesmo crianças de 3 anos já foram vítimas da pedofilia, inclusive com penetração.
As denúncias de pedofilia podem ser feita hoje no Brasil através do Disque 100 mas o importante mesmo é que a vítima seja levada a uma Delegacia, importante lembrar que sua identidade será preservada a fim de se evitar represálias por parte do abusador. Não é um procedimento que dar pra esperar então quanto mais rápido a denúncia for formalizada mais rápido a polícia terá condições de apurar o caso e adotar as devidas e necessárias providências.
Interessante esclarecer que a vítima for uma criança até 12 anos ela será atendida por uma assistente social e uma psicóloga, os quais fazem o acolhimento da criança abusada em ambiente propício tipo uma brinquedoteca e que a criança se sinta a vontade até o momento de falar o que realmente aconteceu. Depois passa por um atendimento psicossocial e, havendo vestígios do crime será encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal) para apurar a materialidade delitiva.
Todos os pais devem e querem proteger os seus filhos de predadores mas como os manter em local seguro sem saber identificar um pedófilo?
Segundo o site http://pt.wikihow.com/Identificar-um-Ped%C3%B3filo, alguns cuidados são importantes para a identificação de um pedófilo, senão vejamos:
Primeiramente nunca descartar a ideia de que alguém pode ser um pedófilo, não é o fato de o mesmo ser charmoso, carinhoso e parecer uma pessoa boa que vai merecer menos atenção. 30% das crianças que sofreram abusos sexuais, foram abusadas por algum membro da família, 60% por alguém que a criança já conhecia e que não era membro da família e 10% por um completo estranho da criança.
Os pedófilos tendem a falar sobre crianças como se estivessem falando sobre adultos. Eles podem fazer referência a uma criança como fariam a um amigo adulto ou companheiro. Os pedófilos normalmente dizem que amam todas as crianças e sentem-se como se ainda fossem crianças.
Os pedófilos procuram por crianças que são vulneráveis a suas táticas, pois têm pouco apoio emocional ou não estão tendo atenção suficiente em casa. O pedófilo tentará ter uma figura paterna para a criança. Alguns pedófilos procuram por crianças de pais solteiros, que não estão tão disponíveis para dar muita atenção.
Um molestador de crianças normalmente usará vários jogos, truques, atividades e linguagens para ganhar a confiança e/ou enganar a criança. Entre essas táticas estão: guardar segredos (os segredos são muito valiosos para a maioria das crianças, que sentem-se “adultas” e poderosas), jogos sexuais explícitos, carícias, beijos, toques, comportamentos sexualmente sugestivos, exposição da criança a materiais pornográficos, coerção, suborno, bajulação, e – o pior de todos – afeição e amor. Saiba que essas táticas são usadas basicamente para isolar e confundir a criança.
Muitos pais usam o método do “toque bom, toque ruim, toque secreto”. Você deve ensinar seu filho que existem alguns toques adequados, como batidinhas nas costas ou nas mãos. Existem também os toques “ruins”, como tapas ou chutes. Além disso, existem os toques “secretos” que são aqueles sobre os quais as pessoas dizem que elas não devem contar a ninguém. Use esse método ou algum outro para ensinar seu filho que alguns toques não são bons e que, quando algum acontecer, ele deve contar a você imediatamente.
Ensine seu filho que ninguém deve tocá-lo em suas regiões íntimas. Muitos pais definem essas áreas como aquelas que devem ser cobertas pelas roupas de praia. Diga para seu filho falar “não” e sair quando alguém tentar tocá-lo nessas áreas. Diga a seu filho para procurá-lo imediatamente se alguém tocá-lo de maneira inadequada.
Identifique quando alguém estiver agindo de maneira diferente com seu filho.Se perceber que seu filho está tendo um comportamento diferente, aborde o assunto para descobrir o que há de errado. Se perguntar regularmente a seu filho como foi o dia dele, inclusive sobre os toques bons, ruins ou secretos, ajudará a manter uma comunicação aberta. Sempre preste atenção quando seu filho disser que foi tocado de maneira inadequada ou se ele disser que não confia em um adulto. Confie primeiro em seu filho.
Esperamos que essas dicas ajudem a você caro leitor a identificar esse tipo de criminoso e denunciá-lo junto as autoridades competentes.

Postagem da Cláudia Sobral da comunidade "Brasil Sem Pedofilia"



Estudo indica que as pessoas que são ofendidas perdoam mais facilmente quando sabem que ofensor foi punido
Um estudo feito por pesquisadores norte-americanos da Escola de Psicologia da Universidade Adelaide refere que as pessoas que são ofendidas facilmente perdoam quando sabem que quem lhes fez mal foi submetido a algum tipo de punição.
“A justiça e o perdão são muitas vezes considerados como opostos, mas descobrimos que as vítimas que punem os seus agressores são mais suscetíveis de perdoar o ofensor e seguir em frente”, refere em comunicado Peter Strelan, psicólogo da Escola de Psicologia da Universidade Adelaide, que tem vindo a estudar o perdão, numa tentativa de entender melhor como as pessoas podem resolver conflitos pessoais.
Para Peter Strelan, “a punição pode assumir muitas formas diferentes. Pode-se dar a alguém o ´tratamento silencioso`, o que em si mesmo é um castigo psicológico muito poderoso. Ou, no caso de um agressor criminoso, sabendo que um tribunal impôs uma sentença razoável e que a justiça está a ser feita – que pode ser o suficiente para algumas pessoas perdoarem”.
“Esse sentido de justiça, ou esse ´receber o que merece` é importante. No entanto, nas relações interpessoais a punição não deve ser extrema ou vingativa. Se fosse, isso não iria ajudar a reparar os danos no relacionamento e iria tornar as coisas piores”, acrescentou Peter Strelan.
“Para que o perdão realmente funcione, deve haver um sentimento de que as respostas negativas para com um transgressor estão a ser substituídas por pensamentos positivos. Não se trata de retaliação, trata-se de responder de forma construtiva e fazer algo sobre o mau comportamento das pessoas para consigo, de uma forma que funciona para ambas as partes envolvidas no conflito”, sublinhou o psicólogo norte-americano, na nota divulgada pelo portal Newswise.
Peter Strelan considerou que muitas pessoas têm dificuldade em perdoar aquelas que lhes fizeram mal.
“Quando você se sente magoado por alguém que você naturalmente sente ser vulnerável, a própria ideia de a perdoar também faz com que a vítima se sinta vulnerável. Quando alguma forma de punição está envolvida, a vítima sente-se mais habilitada que o agressor e é mais facilmente capaz de a perdoar”, afirmou.
Fonte: www.rtp.pt

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Racismo... / Bya Albuquerque

Estimados amigos. Vocês que me conhecem já faz um tempo sabem que no grupo somente posto sobre o abuso sexual...porém na página "Filhas do Silêncio" posto sobre vários abusos e crimes. Um deles é sobre o racismo. Infelizmente estou precisando de ajuda e orientação sobre esse tipo de crime. Tenho um primo que me escreveu buscando ajuda. A irmã dele se envolveu num relacionamento com um homem negro e por racismo de sua mãe, foi posta para fora de casa...do mesmo jeito que esse meu primo que não é aceito pelo ramo da família da cidade de Franca por ser homossexual. A irmã dele quis voltar para casa e a mãe disse que somente aceitava se ela se "livrasse" do bb negro. Foi o que fizeram. Ninguém sabe o paradeiro da criança...muitas mentiras são ditas...e a autoridade de Franca fechou os olhos para o caso. Meu primo e seu pai gostariam de saber sobre o paradeiro da criança...se está viva e bem. Meu primo tem as provas de que a criança nasceu e sumiu (ou seja, sumiram com ela). Também está em posse de dois documentos feitos na polícia...um deles é do pai da criança que está arrasado com toda essa situação. Peço orientações e que repassem um absurdo desses, pois é um crime de racismo e a criança não tem culpa da irresponsabilidade...ignorância...e falta de amor por parte da mãe e da avó. Obrigada.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Brasil tem 50 mil estupros registrados por ano e está em sétimo, entre 84 países, no ranking de assassinato de mulheres. Lei e punição não bastam para resolver o problema, diz Joana Chagas, da ONU Mulheres, à DW Brasil.

Há exatos 40 anos, no dia 19 de junho de 1975, começava a primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres com três objetivos prioritários: igualdade, desenvolvimento e paz. Foi nessa conferência que se instituiu o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.
Quatro décadas de luta contra a desigualdade de gênero e a discriminação das mulheres resultaram em importantes conquistas, principalmente no acesso à educação e ao mercado de trabalho. Mas em relação à violência, o caminho ainda parece ser longo.
“Não tenho expectativa de que daqui a cinco anos não haverá mais violência contra as mulheres. Sequer durante toda a minha vida”, diz Joana Chagas, da ONU Mulheres, em entrevista à DW Brasil.
Recentemente, dois crimes chocaram o país. Na pequena Castelo do Piauí, no interior do estado nordestino, quatro adolescentes foram brutalmente violentadas por jovens de idade semelhante – uma das vítimas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 7 de junho. Em Araçatuba, interior de São Paulo, uma jovem de 20 anos foi estuprada, morta e jogada em um rio.
Crimes como esses entram na estatística do feminicídio (ou femicídio), termo que designa o assassinato de um mulher por razões estritamente de gênero. A capital federal, Brasília, registrou no dia 2 de junho seu primeiro caso desde que a lei do feminicídio foi sancionada, em março. Um ex-policial militar teria matado a companheira a socos.
Joana Chagas acompanha o protocolo sobre feminicídio e ações na área de eliminação da violência contra mulheres e meninas no Brasil e conversou com a DW a respeito do tema. Educação, punição e proteção seriam, para ela, a tríade a ser colocada em prática para evitar que mais mulheres sejam agredidas.
DW Brasil: Dezesseis países da América Latina e do Caribe adotaram medidas para combater e punir o feminicídio. Estamos enfim aptos a reduzir o número de mulheres assassinadas?

Joana Chagas: A violência contra a mulher é um processo que demanda tempo para enfrentar. Não tenho expectativa de que daqui a cinco anos não haverá mais violência contra as mulheres. Sequer durante toda a minha vida. Em oito anos, a Lei Maria da Penha diminuiu em 10% os homicídios de mulheres. Isso demonstra que leis efetivamente aplicadas podem reduzir crimes e mandar uma mensagem à sociedade: a de que esses crimes não são tolerados. Mas somente leis não respondem a todo o problema.
O que mais precisa ser feito?
Na verdade, [o combate à violência contra a mulher] começa na escola, na família, na comunidade, no ambiente de trabalho, nas ruas. Na escola, por meio de uma educação que promova papéis de gêneros que valorizem a mulher e desvalorizem uma masculinidade violenta. Que valorizem a igualdade de gênero, a liberdade e uma vida livre de violência. Acredito que a violência pode estar aumentando porque cada vez mais mulheres participam da vida pública, da vida produtiva…
Por que isso seria uma causa?
Isso poderia vir como uma resposta conservadora para que as mulheres voltem aos seus “lugares tradicionais”. Se trabalharmos desde a infância desconstruindo esses papéis, da mulher como mãe, restrita ao ambiente privado, e do pai como provedor, no ambiente público, poderemos construir imagens de homens e mulheres em pé de igualdade, prevenindo uma violência futura.
O ambiente de trabalho, em certas situações, também pode ser complicado.
Há a questão do assédio, que precisa ser combatido com mais participação, possivelmente com mais mulheres em cargos de decisão, nos quais as mulheres ainda estão menos representadas. Nas ruas, a questão é a não tolerância com o assédio, por meio de campanhas. O transporte público é um bom exemplo disso.
A adoção de vagões de metrô exclusivos para mulheres, por exemplo, ajuda a inibir ou estimula a cultura do assédio?
Esse é um exemplo que causa opiniões contraditórias. Por um lado, devido à situação atual de violência e assédio, as mulheres que têm a possibilidade de usar um vagão somente para elas sentem-se muito mais tranquilas. Se perguntarmos, não tenho dúvidas de que elas dirão que a ação é positiva. Por outro lado, a mensagem é complicada porque não estamos indo à raiz do problema. São as mulheres que têm de usar outro vagão. Não os homens, que são os agressores.
Soa praticamente como um retrocesso.
O ideal é ter pacotes complementares, ou seja, a possibilidade de oferecer proteção, mas também tratar os agressores, o problema, para que possamos, daqui a dois, cinco, 10 anos, eliminar esse vagão [exclusivo às mulheres]. Pode até ser necessário, mas não deve ser a única política. Sozinha, essa política não vai resolver o problema.
Entre 84 países, o Brasil é o sétimo no ranking de assassinatos de mulheres. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, são de 40 a 50 mil atendimentos anuais devido à violência doméstica. Há distinção de classe, cor, religião nessa conta ou a violência está em todos os lugares, em todas as classes?
No caso do Brasil, é muito difícil falar sobre violência sem fazer um recorte de raça e de classe social. A violência está mais concentrada nas classes mais pobres, na qual a maioria é negra e marginalizada. No entanto, a violência acontece em todos os lugares. Não há como ignorar o fato de que em todas as classes, religiões, em todas as famílias há violência. É muito difícil, para as mulheres, assumirem que já sofreram violência. E a maior parte das mulheres assassinadas, no país, está na faixa dos 20 aos 39 anos. É a faixa das relações, em que o controle e a possessividade são mais complicados.
Falando em feminicídio, por que existe um termo específico para definir o assassinado de mulheres?
A importância do termo específico é porque essa é uma violência diferente. Homens e mulheres morrem de maneiras diferentes. O feminicídio é o homicídio de mulheres causado por razões de gênero. A maioria tem requintes de crueldade, com mutilação dos corpos, principalmente em áreas características das mulheres, como seios, genitais, rosto, olhos, sem contar a tortura. Obviamente, há homicídios semelhantes de homens. Mas, no caso do feminicídio, está presente na maioria dos casos. São crimes que podem ser evitados porque sabemos quem é o agressor, a partir de um ciclo de violência anterior.
Quem é o agressor?
Na maioria dos casos são companheiros ou ex-companheiros. Por volta de 60% dos agressores são pessoas que tiveram relações íntimas com as mulheres. Também há, em segundo lugar, a família: pais, irmãos, padrastos, pessoas ligadas por laços familiares. E também, em menor número, pessoas desconhecidas. Apesar do feminicídio ser, sim, um resultado extremo de um ciclo de violência doméstica, ele não ocorre somente via parceiros ou ex-parceiros e apenas no ambiente doméstico.
Há 50 mil estupros por ano no país. O número oficial já é assustador. Há estimativas sobre quantos casos não são registrados?
Sim. Existem alguns cálculos e estimativas mundiais que indicam que somente um terço dos estupros são registrados. E aí esse número poderia ser triplicado, o que é ainda mais chocante.
O que decepciona mais: que os números sejam tão altos ou que as mulheres tenham tanto medo de denunciar, o acaba diminuindo a estatística, a investigação e a punição?
Difícil escolher. Os dois são horríveis, obviamente. É preocupante que exista tanto estigma e que as mulheres não busquem os postos de saúde e delegacias para registrar os casos. Em relação ao estupro, há preocupações quanto à saúde, para evitar gravidez indesejada ou contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, e também quanto à punição. Queremos que os agressores sejam punidos pelos crimes cometidos. Para isso, as mulheres agredidas não podem se sentir envergonhadas.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Postagem da Cláudia Sobral da comunidade "Brasil Sem Pedofilia"

Transtorno de personalidade antissocial (Psicopatia ou Sociopatia)
A psicopatia é caracterizada, principalmente, pela ausência de empatia com outros seres humanos (quando não pertencente a família), resultando em descaso com o bem-estar do outro e sérios prejuízos aos que convivem com eles. Esse desvio de caráter costuma ir se estruturando desde a infância. Conforme se tornam adultos, o transtorno tende a se cronificar e causar cada vez mais prejuízos na vida do próprio indivíduo e especialmente de quem convive com ele.
Ao notarem que sua personalidade foi descoberta é comum que saiam de cena, mudem de residência e procurem estabelecer novos vínculos sociais com pessoas que desconheçam seu comportamento patológico, mantendo pouco ou nenhum vínculo com seu passado.
Parafilia é o termo atualmente empregado para os transtornos da sexualidade, anteriormente referidos como "perversões", uma denominação ainda usada no meio jurídico. Estudar as Parafilias é conhecer as variantes do erotismo em suas diversas formas de estimulação e expressão comportamental.
É difícil conceituar a sexualidade normal (veja artigo O Normal em Sexualidade na seção Sexualidade), a ponto de o médico inglês Havelock Ellis ter dito que "todas as pessoas não são como você, nem como seus amigos e vizinhos, inclusive, seus amigos e vizinhos podem não ser tão semelhantes a você como você supõe."
Está configurada a Parafilia quando há necessidade de se substituir a atitude sexual convencional por qualquer outro tipo de expressão sexual, sendo este substitutivo a preferida ou única maneira da pessoa conseguir excitar-se. Assim sendo, na Parafilia os meios se transformam em fins, e de maneira repetitiva, configurando um padrão de conduta rígido o qual, na maioria das vezes, acaba por se transformar numa compulsão opressiva que impede outras alternativas sexuais.
Algumas Parafilias incluem possibilidades de prazer com objetos, com o sofrimento e/ou humilhação de si próprio ou do parceiro(a), com o assédio à pessoas pre-púberes ou inadequadas à proposta sexual. Estas fantasias ou estímulos específicos, entre outros, seriam pré-requisitos indispensáveis para a excitação e o orgasmo.
Ao analisar o agressor sexual dentro do Código Penal, deve-se estudar a conduta sexual de cada individuo particularizado, deve-se ter em mente que estes delitos também podem ser cometidos por indivíduos considerados "normais", em determinadas circunstâncias (como uso de drogas e/ou álcool, por exemplo). Também é importante levar em conta que a as Parafilias não são, só por si mesmas, obrigatoriamente produtoras de delitos, e nem acreditar que os delitos sexuais são mais freqüentemente produzidos por pessoas com Parafilias.
Os delitos sexuais mais comuns são: violação, abuso sexual desonesto, estupro, abuso sexual de menores, exibicionismo, prostituição, sadismo, etc, mais ou menos nessa ordem.
Outra peça comum ao teatro psicopático é a Refratariedade, ou seja, a incapacidade que eles têm de corrigir seu comportamento, seja por falta de crítica, seja por imunidade às atitudes corretivas (não aprendem pelo castigo). Quando se submetem voluntariamente a alguma terapia é, claramente, no sentido de despertar complacência, condescendência e aprovação. Depois de conquistada nova confiança, invariavelmente reincidem no crime.
O que se observa, nos delitos sexuais, é que eles podem ser cometidos, em grande número de vezes, por pessoas consideradas "normais" e que o acontecimento sexual delituoso ocorreu numa determinada circunstância momentânea. Isso acontece porque muitos desses delitos são cometidos não diretamente pela perturbação sexual do agressor mas, freqüentemente, por situações favorecedoras do delito, como por exemplo, a intoxicação alcoólica ou por drogas (estupefacientes).
O Perfil do Delinqüente Sexual
As estatísticas têm mostrado que 80 a 90% dos contraventores sexuais não apresentam nenhum sinal de alienação mental, portanto, são juridicamente imputáveis. Entretanto, desse grupo de transgressores, aproximadamente 30% não apresenta nenhum transtorno psicopatológico da personalidade evidente e sua conduta sexual social cotidiana e aparente parece ser perfeitamente adequada. Nos outros 70% estão as pessoas com evidentes transtornos da personalidade, com ou sem perturbações sexuais manifestas (disfunções e/ou Parafilias).
Aqui se incluem os psicopatas, sociopatas, borderlines, anti-sociais, etc. Destes 70%, um grupo minoritário de 10 a 20%, é composto por indivíduos com graves problemas psicopatológicos e de características psicóticas alienantes, os quais, em sua grande maioria, seriam juridicamente inimputáveis.
Como vimos, não é raro que o violentador sexual apresente algum desvio sexual (Parafilia), como pode ser o caso do fetichismo, travestismo, exibicionismo, voyeurismo ou outras disfunções sexuais, tais como a impotência de ereção, ejaculação precoce, etc. Isso, evidentemente, não torna o agressor irresponsável pelos seus atos e nem, tampouco, inimputável.
Mitos e Realidades sobre Abuso Sexual
1 - O agressor sexual normalmente é um psicopata, um tarado ou doente mental que todos reconhecem.
Na maioria das vezes, é uma pessoa aparentemente normal, até mesmo querida pelas crianças e pelos adolescentes.
2 - Pessoas estranhas representam perigo maior às crianças e adolescentes.
Os estranhos são responsáveis por um pequeno percentual dos casos registrados. Na maioria das vezes os abusos sexuais são perpetrados por pessoas que já conhecem a vítima, como por exemplo o pai, a mãe, madrasta, padrasto, namorado da mãe, parentes, vizinhos, amigos da família, colegas de escola, babá, professor(a) ou médico(a).
3 - O abuso sexual está associado a lesões corporais.
A violência física sexual contra crianças e adolescentes não é o mais comum, mas sim o uso de ameaças e/ou a conquista da confiança e do afeto da criança. As crianças e os adolescentes são, em geral, prejudicados pelas conseqüências psicológicas do abuso sexual.
4 - O abuso sexual, na maioria dos casos, ocorre longe da casa da criança ou do adolescente.
O abuso ocorre, com freqüência, dentro ou perto da casa da criança ou do agressor. As vítimas e os agressores costumam ser, muitas vezes, do mesmo grupo étnico e sócio-econômico.
5 - O abuso sexual se limita ao estupro.
Além do ato sexual com penetração (estupro) vaginal ou anal, outros atos são também considerados abuso sexual, como o voyeurismo, a manipulação de órgãos sexuais, a pornografia e o exibicionismo.
6 - A maioria dos casos é denunciada.
Estima-se que poucos casos, na verdade, são denunciados. Quando há o envolvimento de familiares, existem poucas probabilidades de que a vítima faça a denúncia, seja por motivos afetivos ou por medo do agressor; medo de perder os pais; de ser expulso(a); de que outros membros da família não acreditem em sua história; ou de ser o(a) causador(a) da discórdia familiar.
7 - As vítimas do abuso sexual são oriundas de famílias de nível sócio-econômico baixo.
Níveis de renda familiar e de educação não são indicadores do abuso e as famílias das classes média e alta podem ter condições melhores para encobrir o abuso. Nesses casos, geralmente as crianças são levadas para clínicas particulares, onde são atendidas por médicos da família, encontrando maior facilidade para abafar a situação.
8 - A criança mente e inventa que é abusada sexualmente.
Raramente a criança mente sobre essa questão. Apenas 6% dos casos são fictícios.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Texto de Marcia Zoé Ramos

Aos Amigos da linha:
A pós modernidade anda flertando com a Idade das Trevas?
O artista visual Flavio Colker e a amiga Cristiane Barbará tiveram suas contas no Face bloqueadas. Ele por enviar duas imagens do fotógrafo Edward Weston para uma amiga estudiosa em fotografia em mensagem privada , ela por comentar o caso em mensagem também privada e anexar as imagens para explicar o fato a outra pessoa. 
Colker é um pesquisador da obra de Weston bem como de outros grandes nomes da fotografia mundial que tiveram atuação no México. O próprio Colker divide residência entre o Brasil e o México. Ele tem um lindo filho com a artista mexicana Daniela Vidal. Conto isso porque somos amigos e conheço a índole de Colker. Polêmico, afiado, dono de uma bela carreira no campo da fotografia ele jamais cometeria um delito em postar uma imagem leviana com fins escusos. 
A Cristiane que também é amiga de Colker recebeu dele por email a mensagem de que foi bloqueado e os motivos anexos. Repetindo, ela ao explicar isso para uma amiga pelo Face, também inbox, teve sua conta igualmente bloqueada.
Inicialmente apareceu a mensagem: “Esta mensagem foi temporariamente removida porque a conta do remetente precisa ser verificada ou ela foi identificada como abusiva.” Em seguida as contas foram banidas sem maiores explicações.
Verificada? Abusiva?
Ocorre que o mais grave é que ao se comunicar por inbox foram rastreados como se estivessem sendo vigiados. Qual o delito deles afinal? Por que o bloqueio das contas em mensagens privadas? O Face considerou abusiva uma mensagem privada? Onde estão essas regras descritas? Onde está descrito que não se pode enviar essa ou aquela imagem? 
Sobre as imagens enviadas, trata-se da obra de nada menos que Edward Weston , um dos fotógrafos estadunidenses mais importantes do século XX. Com 20 anos seus trabalhos já haviam sido publicados. Em 1922, Weston fotografou seu filho Neil nu. A imagem é hoje reconhecida como uma clássica escultura em fotografia.
Viajou ao México em 1923, acompanhado de sua companheira Tina Modotti também fotógrafa e com ela realizou um trabalho fotográfico de mais de 200 obras para o livro Ídolos por trás dos altares, de Anita Brenner. Em 1926 voltou para a Califórnia. Esse período de 1926 a 1930 para Weston foi um dos mais significantes de sua carreira, realizando seus trabalhos mais representativos.
Quando Edward Weston morreu em 1958, deixou um cláusula em seu testamento estipulando que apenas seu filho, Cole Weston, poderia fazer ampliações a partir de seus negativos. O fotógrafo havia deixado a câmera de lado uma década antes, em 1947, logo que soube de seu diagnóstico de mal de Parkinson, e ensinado a Cole suas técnicas de estúdio de modo que as ampliações mantivessem exatamente seus padrões. Quando Cole morreu, em 2003, os negativos de Edward Weston fora doados ao Center for Creative Photography, sob a condição de que nenhuma ampliação em fine art seria feita a partir deles.
A maior coleção particular do fotógrafo, atualmente em posse da Cole Weston Trust, que reúne 548 fotos tiradas por Edward Weston e ampliadas postumamente por seu filho, foram leiloadas pela Sotheby’s em Nova York em 2014.
Considero o Facebook uma invenção genial capaz de unir o mundo e deixa-lo mais lúcido e translúcido. Pessoalmente devo demais a essa rede onde a palavra e imagem tem o mesmo peso e a mesma leveza talvez.
Acho que o mundo deve muito ao Mark Zuckerberg e sua equipe por nos possibilitar um avanço dessa natureza na comunicação mas também acho que devemos ter claro que uma ferramenta assim deva ser sempre aprimorada para que injustiças planetárias não sejam cometidas. 
O Face deve uma explicação para o fato de banir pessoas por enviar um arquivo em mensagem privada, reconhecidamente de teor artístico e, na minha opinião, deve devolver as contas a eles com um pedido de desculpas.
Marcia Zoé Ramos , 29 de junho de 2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

4 Sinais de Que Você Está Sendo Manipulada / Psiconlinebrasil

A pior parte de ser manipulado em um relacionamento é que, muitas vezes, você nem sabe que está acontecendo. Pessoas manipuladoras distorcem seus pensamentos, ações, desejos e vontades em algo que se adéqua melhor ao modo como eles vêem o mundo. Assim eles moldam você para servir aos seus próprios fins. Assustador não é?
Aqui estão algumas situações que ajudarão você a se certificar de que isso não está acontecendo com você:
1. Ele(a) faz você se sentir culpada(o) … por tudo.
A manipulação sempre começa com culpa. Se ele pode convencê-la a se sentir culpada por suas ações (mesmo quando você não fez nada de errado), então ele sabe que você estará mais predisposta a fazer o que ele diz. “Eu acho que o jantar estava bom. Não foi o que eu esperava, preferia que você tivesse feito algo diferente, mas acho que, se você estiver feliz, isso é tudo o que importa. Eu te amo e a sua felicidade é importante para mim, mesmo que isso signifique deixar de lado o que eu quero”.
Viu o que ele fez? Como ele usou as palavras para virar a situação contra você? Aparentemente, ele faz parecer que é um namorado amoroso, mas fica o alerta: quem ama não culpa.
Manipuladores também tentam fazer você acreditar que eles estão tentando ´´te amar melhor´´, de modo que você fique mais disposta a deixar de lado o que você quer. É um jogo ardiloso.
2. Ele(a) faz você duvidar de si mesma(o).
Quer saber por que é tão fácil para ele manipular você? Porque ele ´´ferrou´´ você até o ponto em que você já não confia mais em si mesma. É isso mesmo, manipuladores tomam suas inseguranças e usam contra você. Eles sempre apontam o que você está fazendo “errado” e como eles poderiam ter feito melhor. Eles ressaltam seus pontos fracos e, em seguida, mostram que, com a sua ajuda, você pode fazer melhor, ser melhor. Eles lentamente convencem você de que se interessam pelo seu bem-estar … mas não fazem nada por você.
A fim de manter os seus desejos e necessidades na vanguarda de seu relacionamento, eles gentilmente distorcem o seu pensamento até que você precise consultar a sua opinião sobre tudo. Quando isso acontece, o manipulador pode fazer com que você faça tudo o que eles querem que você faça, porque agora você confia mais nele do que em si mesma.


3. Ele(a) faz você se responsabilizar pelas emoções dele(a).
Manipuladores são irônicos, no sentido de que eles tentam fazer você se sentir como se não pudesse pensar por si mesma, mas, em seguida, mudam e responsabilizam você pelo que estão sentindo. Se ele está triste, provavelmente é porque você o fez se sentir assim. Se ele está com raiva, bem, obviamente foi você quem fez algo errado.
Por mais que tentem fazer você acreditar que é totalmente incapaz de controlar a sua própria vida, eles esperam que você seja responsável pela forma como eles se sentem. Insano.
4. Ele faz você acreditar que você quer o que ele quer.
Todos nós iniciamos nossas relações com exigências e negociações – é natural, quando se começa a união de duas vidas, que alguns compromissos sejam feitos. O que não é normal: Quando você precisa deixar de lado tudo o que você quer, em um esforço para apaziguar o seu parceiro. Se você começar a perceber que as necessidades do seu parceiro estão sendo atendidas com muito mais freqüência do que as suas; cuidado, você pode estar casada com um manipulador.
Você está cedendo para o que ele quer para se livrar de sentimentos de culpa? Ou porque ele fez você se sentir responsável pela forma como ele se sente? Você desistiu do que queria porque ele fez você acreditar que deveria querer algo mais? Se você respondeu “sim” para qualquer uma dessas perguntas, talvez seja hora de reconsiderar essa relação.

Fonte: YourTango traduzido e adaptado por Psiconlinews


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vossos filhos não são vossos filhos... / Khalil Gibran

Recebi esse poema de uma amiga no e-mail e achei muito lindo...portanto estou compartilhando.

       "Vossos filhos não são vossos filhos. 
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesmos.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."

quarta-feira, 13 de maio de 2015

18 DE MAIO: DATA FAZ ALUSÃO À IMPUNIDADE E IMPORTÂNCIA DA DENÚNCIA DE CRIMES DE VIOLÊNCIA SEXUAL NO BRASIL / Claudia Sobral

18 DE MAIO: DATA FAZ ALUSÃO À IMPUNIDADE E IMPORTÂNCIA DA DENÚNCIA DE CRIMES DE VIOLÊNCIA SEXUAL NO BRASIL
Silêncio e impunidade são palavras que rodeiam os crimes de violência sexual no Brasil. Neste domingo, 18 de maio, entretanto o tema vem a público. É o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que traz em sua importância a memória de todas as vítimas da violência sexual, que perdura enraizada na sociedade até os dias de hoje.
A data é em alusão a um episódio ocorrido em 18 de maio de 1973, quando a garota Araceli de apenas oito anos foi sequestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. Tempo depois, seu corpo foi encontrado desfigurado por ácido em uma rua movimentada em Vitória (ES) e poucos tiveram a capacidade de denunciar o que estavam vendo. O silêncio e falta de aplicação da lei marcaram o caso.
O silêncio dos envolvidos é ao mesmo tempo causa e consequência, que faz com que os crimes sexuais sejam tão recorrentes, como aconteceu recentemente com o caso de exploração sexual no município de Coari, no Amazonas. É comum que vítimas, parentes e testemunhas prefiram não denunciar, por razões diversas, o que contribui para a impunidade. “A violência sexual ainda é muito velada pela sociedade e pela mídia. O 18 de maio faz alusão à impunidade e também à importância da participação e da denúncia das pessoas de maneira geral”, explica a coordenadora juvenil do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Daniele de Paula.
Para ela, persiste uma visão atrasada e retrógrada em relação ao assunto. “Muitas pessoas ainda culpam a vítima. E estamos falando de responsabilizar crianças. Elas são vítimas também de um sistema machista e opressor. Além disso, em nossa sociedade capitalista e desigual, muitas garotas são levadas à exploração sexual por dinheiro – seja por necessidade ou por consumo”.
Avanços
Um avanço recente em relação ao tema foi a aprovação, na última quarta-feira (14), do Projeto de Lei (PL) que torna hediondo o crime de exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável. O PL segue agora para a sanção da presidenta Dilma Rousseff. Porém, só a punição não é o suficiente. “Esse é um ponto, mas não pode acabar por aí, temos vários crimes que são colocados como hediondos, mas não têm aplicação devida da lei. As vítimas vão continuar sendo vítimas”, aponta a coordenadora.
A precarização na formação e no atendimento de profissionais de saúde, educação e segurança, por exemplo, também são preocupantes. De acordo com Daniele, “precisamos primeiramente entender que as crianças são vítimas; precisamos de atendimento específico e mais qualificado de assistência e saúde, e de tratamento humanizado para o abusador, o abusado e as famílias. Senão esse ciclo não vai se romper”.
Esses são alguns dos pontos que foram revisados no Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. O documento foi elaborado em 2000 por vários setores governamentais e da sociedade civil organizada para orientar e subsidiar a criação de políticas públicas de enfrentamento à violência sexual. Outro ponto da revisão do Plano, destacado por Daniele, é a formação dentro das escolas. “Precisamos capacitar não só os professores e educadores, mas todos que trabalham nas escolas. Dessa forma os profissionais se tornam parceiros e abre-se uma porta para que o assunto seja debatido nas escolas e também conscientize as famílias para que o tema não seja mais velado”.
Sociedade mobilizada
Além do Plano, o Comitê acredita que a mobilização do poder público, da mídia e da sociedade devem ser permanentes para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes. “O ideal seria que essas campanhas fossem contínuas e não só próximas à data. Então, buscamos a conscientização da população, mostramos os cuidados que devemos ter com as crianças e adolescentes e por que elas são prioridade máxima na proteção dos direitos.”
Segundo a coordenadora do Comitê, campanhas de conscientização e prevenção são de extrema importância. Esses são os principais objetivos da campanha “Faça Bonito - Proteja nossas Crianças e Adolescentes”, realizada pelo Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, que há quatro anos disponibiliza esforços para mobilizar a sociedade.
Audiências públicas, passeatas, palestras para profissionais de educação, segurança e saúde; além de rodas de conversas com estudantes são algumas das ações de mobilização que a campanha promove ao longo do ano. Em números, Daniele afirma que o Faça Bonito já atingiu aproximadamente meio milhão de pessoas em 1.200 municípios no Brasil. “No período próximo à data há maior número de denúncias no Disque 100, pois é quando nós e outras campanhas conseguimos chamar a atenção da mídia e sensibilizar a sociedade para o tema”, contextualiza.
A denúncia também é apontada como fundamental no combate à violência sexual. “Quando se faz a denúncia, o Sistema de Garantia de Direitos toma conhecimento do caso e pode agir e garantir a proteção. Independente se isso acontecer na sua família ou não, todos devem zelar pelos direitos da criança e do adolescente”, aponta Daniele.
Um dos principais canais é o Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), que recebe denúncias e encaminha para a rede de atendimento. Outro meio é o aplicativo para celulares “Proteja Brasil” desenvolvido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que conta com o apoio da Fundação Telefônica Vivo para divulgação. Juntos, numa campanha, eles reforçam a importância de todos estarem atentos à proteção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes, principalmente em megaeventos como a Copa, e também convidam a fazer uso do aplicativo.
FONTE: PROMENINO


quinta-feira, 23 de abril de 2015

O SEXO REDEFINIDO / DR. DRAUZIO VARELLA

A ideia de que existam apenas dois sexos separados pela presença ou ausência de um cromossoma Y, é simplista. Os cromossomas podem dizer uma coisa, enquanto ovários, testículos, hormônios e a anatomia sexual indicam outra direção.
Descritas como distúrbios de desenvolvimento sexual, condições intersexuais ocorrem em 1% dos seres humanos. Claire Ainsworth publicou uma revisão sobre o tema na revista Nature, uma das mais respeitadas no mundo científico. A discussão se ateve ao lado biológico, não foram abordados aspectos comportamentais.
Quando a genética é levada em consideração, a linha divisória entre os sexos fica nebulosa. Pequenas variações nos genes envolvidos no desenvolvimento sexual exercem efeitos sutis ou marcantes na anatomia e na fisiologia.
Estudos recentes mostram que somos formados por células geneticamente díspares, algumas das quais com cromossomas sexuais que não combinam com os do resto do organismo. A diversidade genética existente nos tecidos de uma pessoa nem sempre se enquadra na ortodoxia binária: masculino/feminino.
Até a quinta semana de vida, o embrião tem potencial para formar órgãos de ambos os sexos. A partir da sexta, surgem as estruturas gonadais que formarão as tubas e o útero da futura menina ou os dutos eferentes, vesículas seminais e os epidídimos.
O ambiente hormonal gerado por ovários ou testículos condicionará o desenvolvimento dos órgãos sexuais externos e, na puberdade, as características secundárias. Desequilíbrios entre as moléculas responsáveis por essas etapas causarão efeitos dramáticos na definição do sexo.
Mutações nos genes que controlam tais eventos moleculares, podem resultar em características tipicamente femininas em indivíduos XY ou masculinas em pessoas XX.
Trata-se de um processo complexo de diferenciação, no qual a identidade das gônadas e dos caracteres sexuais secundários emerge num contexto entre duas redes opostas de genes, uma das quais inibe a expressão da outra.
Modificações da estrutura desses genes e das moléculas codificadas por eles deslocam o equilíbrio das características sexuais para torná-las mais condizentes ou mais distantes do binário XX ou XY.
A conclusão é que, do ponto de vista genético, existe entre as mulheres e os homens típicos um espectro de pessoas com variações cromossômicas sutis, moderadas ou acentuadas. Neste último caso, as gônadas chegam a ser mistas (ovotestis), os cromossomas podem ser XX, XY ou uma mistura de ambos e os genitais externos têm aparência ambígua.
O dogma de que cada célula contém exatamente o mesmo set de genes está ultrapassado. Em alguns casos, os cromossomas se misturam no óvulo fertilizado, de modo que um embrião que iniciou como XY pode perder o cromossoma Y em um grupo de células (mosaicismo).
Se a maioria de suas células for XY, a aparência física será de homem. Se a maioria for XX, a mulher terá ovários atrofiados e baixa estatura (síndrome de Turner).
Cromossomas de sexos diferentes na mesma pessoa também surgem quando dois óvulos fertilizados se fundem no início do desenvolvimento (quimerismo), distúrbio que ocorre em 1% dos nascimentos.
Nos anos 1970, ficou demonstrado que células-tronco do feto cruzavam a placenta, caíam na circulação materna e não eram rejeitadas (microquimerismo). Outras células seguiam no caminho oposto: da mãe para o feto.
Vinte anos mais tarde, nova surpresa: essas células podem sobreviver décadas. Foram encontradas células XY até no cérebro de mulheres autopsiadas, a mais velha das quais tinha 94 anos.
Células com essa origem se integram aos tecidos em que se instalam, adquirindo funções especializadas — como formar novos neurônios, por exemplo.
Hoje, sabemos que células XX e XY se comportam de forma diversa, independente dos hormônios sexuais.
À medida que a Biologia deixa claro que o conceito de sexo envolve um espectro, a sociedade e as leis terão que decidir como traçar a linha divisória entre os gêneros. Devem ser considerados os cromossomas, as células, os hormônios ou a anatomia externa? E o que fazer quando esses parâmetros se contradizem?
Diante de tal complexidade, não seria mais sensato considerarmos irrelevante o sexo ou o gênero de qualquer pessoa?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Pedir e receber perdão / DANIEL MARTINS DE BARROS

Pedir desculpas e desculpar podem ser difíceis. O rancor é automático, o perdão é mais sofisticado.
Mas pesquisas mostram que tanto um como outro têm grande impacto em nossa vida mental e na saúde como um todo.

É difícil pedir desculpas? Talvez essa cena deletada do premiado seriado Louie, escrito, dirigido, interpretado e editado pelo brilhante comediante americano Louis CK – o cara da comédia, atualmente – possa ajudar (assista). Ao ensinar a filha mais nova a se desculpar, mesmo que tenha sido “sem querer”, a vinheta mostra bem a genialidade de CK, que parece um maestro capaz de orquestrar nossas diversas emoções, choro, riso, raiva e até schadenfreude com harmonia e precisão.
Se soubéssemos o poder real do pedido de desculpas seríamos mais dispostos a utilizá-lo. Ano passado foi publicada uma pesquisa mostrando como desculpar-se interfere na decisão da pessoa ofendida. A taxa de perdão foi duas vezes e meia maior entre as pessoas que receberam uma mensagem se desculpando. Mas é interessante notar que elas demoraram mais para tomar sua decisão – exames de Ressonância Magnética mostraram que mais áreas do cérebro foram recrutadas pelas pessoas que decidiram perdoar, o que levou mais tempo. Quando alguém se desculpa, não pensamos mais apenas racionalmente para decidir se aquilo foi justo; nesse momento a empatia entra em cena, para decidir se é perdoável. O rancor é automático, o perdão é sofisticado.
Mas se pedir perdão é eficaz, perdoar, então, é um mecanismo psicológico muito mais poderoso do que se imagina. Quando sentimos alguma injustiça – seja por sofrermos algo, sermos privados do que merecíamos etc – temos a tendência de buscar reparação. Como essa nem sempre é possível, cria-se uma sensação de ressentimento, raiva, amargura, desconforto associados à injustiça – o tal rancor automático. Esse estado, contudo, é bastante estressante, e se torna prejudicial ao organismo como um todo. Perdoar é um processo – e não um momento – de redução gradual dessas emoções negativas. Existem outras formas de reduzir a sensação de injustiça – vingança, condenação judicial do ofensor, crença na reparação divina, justificação da conduta do outro – mas elas não são eficazes como o perdão real. Quando de fato se perdoa, o estresse associado ao ressentimento diminui a ponto de suas consequências serem fisicamente notáveis – diversos estudos mostram redução da pressão arterial, da frequência cardíaca, da tensão muscular. Além do quê, quem perdoa experimenta maior relaxamento, mais bem estar e sensação de controle.
A decisão racional de perdoar é diferente do perdão emocional, contudo. Ao decidir perdoar, a pessoa reduz a hostilidade mas não necessariamente se livra das emoções negativas; o perdão emocional, aquele em que se abandona de fato o rancor, este sim está associado à redução do estresse e restauração das emoções positivas.
Claro que nem sempre é fácil. Mas mais do que isso, nem sempre desejamos perdoar – ficamos com aquela sensação de que, se o fizermos, estaremos saindo no prejuízo. Ok, você pode decidir guardar sua mágoa. Mas o faça consciente de que, sem a menor sombra de dúvida, quem sofre com isso é você.

VIU ESSA? – LIVROS PARA COLORIR PARA ADULTOS: UMA FERRAMENTA ANTI-STRESS / Ane Caroline Janiro

Johanna Basford, uma ilustradora britânica teve a ideia de criar livros com seus desenhos em preto e branco, com a finalidade de comercializá-los para que sejam coloridos por adultos. A ideia tem dado certo. Johanna já vendeu quase 2 milhões de cópias de seus livros!
E por que será esse grande interesse do público neste material? A ilustradora garante que é uma ótima ferramenta anti stress.


“Para mim, gráficos gerados por computador podem ser frios e sem alma, enquanto o desenho à mão capta uma sensação de energia e caráter que nenhum pixel poderá replicar”, diz ela.
Os desenhos nos livros foram inspirados em visitas feitas aos seus avós ainda quando ela era criança, na Escócia.
Realmente, colorir é uma excelente atividade anti stress! Além disso, quase todo mundo gostava de colorir quando criança e nada como resgatar velhos hábitos que nos trazem bem estar e boas lembranças!
Existe outra boa razão para aderir a essa atividade, e esta razão é explicada pela Arteterapia.
A arteterapia explora a criatividade utilizando recursos artísticos expressivos e frisa que a arte é fonte de transformações e, neste contexto, a “vida tende a pulsar e possibilidades várias de compreensão da natureza das coisas e do ser humano se fazem iminentes.”
Assim, a arteterapia possibilita que qualquer indivíduo entre em contato com seu universo interno, com aqueles que estão à sua volta e com o mundo.
Existem outras possibilidades também, como pinturas em telas, em tecidos, ou mesmo montar seu próprio “livro para colorir” em casa. O que vale é encontrar aquilo que lhe desperte bem estar e funcione como sua “válvula de escape”.

sábado, 18 de abril de 2015

Vaginismo / Site Minha Vida

O que é Vaginismo?

O vaginismo é caracterizado pela contração involuntária dos músculos (espasmo) ao redor do orifício da vagina, causando dor, dificuldade e até impossibilidade de manter relação sexual, sem causa física. Alguns estudos questionam a causa destes mecanismos que levam à dor como sendo desencadeada da mesma maneira que a vulvodinea localizada, que é a dor pela manipulação da entrada da vagina.
É frequente nos depararmos com casais que não expõem este tipo de problema, o que acaba levando a sentimentos de raiva, culpa, frustração, rejeição e distanciamento entre o casal. Alguns estudos mostram que menos de 30% das pacientes com sintomas do vaginismo se consultam por este problema. Por isso, sua incidência é muito difícil de estimar, mas pode ocorrer em cerca de 5% a 17% das queixas.

Causas

É importante diferenciar o vaginismo de outras dores que podem ocorrer antes, durante ou depois da relação sexual, as chamadas dispareunias. Existem inúmeras causas de dispareunias, como infecções, atrofia, mal formações, falta de lubrificação, problemas urinários, intestinais e ginecológicos. O vaginismo pode ser um dos diagnósticos já que, muitas vezes, ocorre sobreposição entre eles. O problema pode ser dividido conforme a época do aparecimento, em primário quando ocorre desde o inicio da vida sexual e secundário quando acontece depois de um período de relações normal. As causas do vaginismo ainda não são bem conhecidas, provavelmente multifatoriais. O vaginismo primário está mais relacionado a um mecanismo psicossomático e, o secundário, a uma experiência negativa real ou imaginaria. Independentemente da causa, ela funciona como um ciclo: medo da dor, ansiedade, contração e dor. Por ser multifatorial, é impossível focar apenas nas causas psicológicas ou só nas orgânicas.

Fatores de risco

A resposta sexual psicofisiológica da mulher depende de inúmeras causas desde como foi o desenvolvimento da sua sexualidade, educação, tabus, religiões, moral, personalidade, histórias de abuso, falta de conhecimento sexual, cultural etc. A falta de atitude positiva em relação ao prazer sexual também é um fator importante.

Os sintomas mais comuns de vaginismo são:

Buscando ajuda médica

A dor, dificuldade na relação sexual, dúvidas e necessidade de ajuda são motivos que indicam a necessidade de uma consulta médica. Além disso, é um momento e uma grande oportunidade de melhorar a comunicação, aproximação do casal, autoconhecimento e autoestima.

Diagnóstico de Vaginismo

O diagnóstico do vaginismo é feito pelo histórico do paciente, exame clínico e por exames de imagem, se necessário, para afastar algum problema orgânico.

Tratamento de Vaginismo

O médico deve, sempre que possível, avaliar o casal, condições de tratamento etc. Existem médicos, psicólogos e terapeutas especializados nestes problemas que devem ser consultados para evitar frustração por tratamentos inadequados.
Deve-se tratar com medicamentos doenças associadas que podem causar dor como infecção, e hormônios para atrofia. Alguns trabalhos incluem gel anestésico e Botox para ajudar a relaxar a musculatura. Após excluir e tratar as causas orgânicas é importante dar apoio emocional, orientar a paciente a conhecer seu próprio corpo, avaliar a necessidade de tratamento por psicoterapia, fisioterapia do assoalho pélvico (exercícios de Kegel), terapia cognitiva-comportamental, biofeedback, focando no componente da dor.
As cirurgias podem ajudar a corrigir os problemas anatômicos, mas no vaginismo já são excluídos estas doenças.

Complicações possíveis

A principal complicação da falta de tratamento para o vaginismo é a perda da oportunidade do desenvolvimento psicológico da mulher e do casal. São aqueles momentos difíceis da vida que é necessário atravessar, deixar de lado o pseudo conforto e a segurança da dor já conhecida e enfrentar uma parte oculta e desconhecida.
O "órgão" sexual mais importante é o cérebro. O do desenvolvimento da sexualidade e como ela é digerida e absorvida é diferente para cada pessoa. O ideal seria que a pessoa se conhecesse melhor tanto do ponto de vista psicológico, como do anatômico e do fisiológico. É importante avaliar a necessidade de alguma intervenção no desenvolvimento das atitudes negativas em relação a sexualidade. O indivíduo tem necessidades diferentes nas fases da sexualidade desde que é feto até a morte e isso deve ser feito de maneira mais natural e saudável possível.
FONTE:
  • Fabio Laginha, ginecologista e mastologista, coordenador da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho e especialista Minha Vida (CRM 42141-SP)