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sábado, 17 de maio de 2014

Texto da Comunidade Crianças abandonadas



Abuso sexual infantil agora é crime inafiançável
Punição também valerá para quem favorece o crime, não somente para quem pratica; as penas podem variar de quatro a dez anos de prisão em regime fechado
Um projeto de lei que torna hediondo o crime de exploração sexual de crianças e adolescentes foi aprovado nesta quarta-feira pelo plenário da Câmara. O projeto, que vai agora à sanção presidencial, prevê que condenados pelo crime não poderão ter nenhum direito à liberdade provisória, anistia ou indulto.
Além disso, o texto aprovado também prevê que o ato de favorecer a prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável também se torne crime inafiançável sob pena de pena de quatro a dez anos, que deverá ser cumprida em regime fechado. Pode haver progressão do regime, no entanto, somente após o cumprimento de dois quintos da pena, para réus primários, e de três quintos para reincidentes. Essas penas também serão aplicadas a quem for flagrado, ainda em contexto de prostituição, praticando sexo ou ato libidinoso com alguém com mais de catorze anos e menos de dezoito.
Atualmente, homicídio qualificado e execuções por grupos de extermínio já são considerados crimes hediondos. Além desses, também são hediondos os crimes de latrocínio, extorsão mediante sequestro e estupro. “Um dos crimes mais graves de que temos conhecimento é a exploração sexual de crianças. Poucos comportamentos suscitam tanto repúdio social, sobretudo quando resulta em atentado à liberdade sexual e se revela como a face mais nefasta da pedofilia”, reforça o autor do projeto, senador Alfredo Nascimento (PR-AM).
Pontos de risco em rodovias - Conforme levantamento da Polícia Federal e da Secretaria de Direitos Humanos, existem mais de 1.800 prontos de risco de exploração sexual de crianças e adolescentes em rodovias federais. Somente na Operação Anjo da Guarda, deflagrada em 2005, a Polícia Federal conseguiu resgatar em uma madrugada 48 adolescentes e três crianças vítimas de abuso nas estradas e prendeu 27 adultos. Em 2010, havia um ponto de prostituição a cada onze quilômetros das rodovias paulistas.
Ainda existe uma verdadeira rede de exploração sexual de crianças em vários pontos do Brasil, segundo a relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a deputada Liliam Sá (Pros-RJ). “Há muitos pedófilos e exploradores de crianças que precisam ser presos e, só assim, as crianças serão prioridade neste país”, disse Liliam.

Pelo fim do preconceito religioso / Jean Wyllys.

A intolerância religiosa e os preconceitos em relações ao candomblé e à umbanda sempre infiltraram os poderes da República e as instituições do Estado que se pretende laico. E talvez pelo fato de essa infiltração ter sido sempre negligenciada, apesar dos seus efeitos nocivos, ela tenha feito desabar um cômodo do Judiciário: a Justiça Federal do Rio de Janeiro definiu que umbanda e candomblé "não são religiões". Tal definição - que mais se parece com uma confissão pública de ignorância - se deu em resposta a uma decisão em primeira instância do Ministério Público Federal que solicitou a retirada, do Youtube, de vídeos de cultos evangélicos neopentecostais que promovem a discriminação e intolerância contra as religiões de matriz africana e seus adeptos, já que o Código Penal, em seu artigo 208, estabelece como conduta criminosa, “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.
Em vez de reconhecer a existência da ofensa - e não há dúvida para qualquer pessoa com um mínimo de discernimento e senso de justiça de que a ofensa existe - a Justiça Federal do Rio de Janeiro desqualificou os ofendidos; considerou que não "há crime se não há religião ofendida". Para tanto, a Justiça Federal do Rio conceituou umbanda e candomblé como cultos a partir de dois motivos absolutamente esdrúxulos (ou seria melhor dizer a partir de dois preconceitos?): 1) candomblé e umbanda deveriam ter um texto sagrado como fundamento (aqui a Justiça Federal ignora completamente que religiões de matriz africana são fundadas nos princípios da transmissão oral do conhecimento, do tempo circular, e do culto aos ancestrais); e 2) candomblé e umbanda deveriam venerar a uma só divindade suprema e ter uma estrutura hierárquica (aqui a Justiça Federal do Rio atualiza a percepção dos colonizadores do século XVI de que os indígenas e povos africanos não tinham fé, não tinham lei nem tinham rei). Pergunto: Há, na decisão da Justiça Federal, pobreza de repertório cultural, equívoco na interpretação da lei ou cinismo descarado?
A decisão judicial fere claramente dispositivos constitucionais e legais, além de violar tratados internacionais como a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, ratificada pelo Brasil em 1992 e que dispõe sobre a garantia de não discriminação por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões, políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social. Esse pacto diz ainda que o direito à liberdade de consciência e de religião implica na garantia de que todos são livres para conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como na liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos afirma que ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita unicamente às limitações existentes em leis e que se mostrem necessárias à proteção da segurança, da ordem, da saúde ou da liberdade.
Ou seja, se há uma liberdade religiosa a ser limitada é a daquelas religiões que usam dos meios de massa para difamar e promover a intolerância contra outras religiões e divulgam práticas que põem em risco a saúde coletiva, como pedir que pessoas abandonem tratamento de câncer ou aids em nome de orações!
Ao ratificar esse Pacto, o Brasil assumiu desde 1992 o papel de um país que tem a obrigação de respeitar direitos. Infelizmente, o Poder Judiciário, que tem a função de "dizer o direito", de aplicar as leis, assim não o fez, simplesmente negando a interpretação dos ditames constitucionais e disposições supranacionais de direitos humanos.
Já foi noticiado que o Ministério Público Federal recorreu dessa decisão, mas precisamos ficar atentos a essas manobras que perseguem, acuam e tentam destruir o que não está de acordo com o que o fundamentalismo religioso determina como correto. E não resta dúvida de que essa decisão judicial é fruto do fundamentalismo religioso que avança sobre os poderes da República. Não podemos nos esquecer de que todos estamos sob a garantia de que podemos promover reuniões livremente para realizar cultos de qualquer denominação - um direito individual e coletivo previsto na Constituição Federal, artigo 5º, inciso VI.
O ataque à umbanda e ao candomblé é também um ataque de viés racista por se tratar de religiões praticadas sobretudo por pobres e negros. Mas é, antes, uma disputa de mercado. O que os fundamentalistas pretendem com os ataques à Umbanda e ao Candomblé é atrair os adeptos - e, logo, o dinheiro deles - para suas igrejas. E como vivemos sub uma cultura cristã hegemônica, que se fez na derrisão e repressão das religiões indígenas e africanas, é óbvio que as igrejas fundamentalistas levam a melhor nessa disputa de mercado e em suas estratégias de difamação.
O que esperamos do Judiciário é o mínimo de justiça que possa colocar freios à intolerância e à ganância dessas igrejas e seus pastores; e possa assegurar a pluralidade religiosa pautada no respeito e sem hierarquias entre as religiões.
Este texto está, também, publicado em minha coluna na CartaCapital:http://goo.gl/w3xncV


sexta-feira, 16 de maio de 2014

NESSE DOMINGO É O DIA DE DIVULGAR A CAUSA CONTRA O ABUSO SEXUAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS. POR FAVOR, COMPARTILHEM!!! SOMENTE COM A ELUCIDAÇÃO PODEREMOS DIMINUIR ESSA VIOLÊNCIA E TAMBÉM A OMISSÃO SOCIAL. AGRADEÇO DE CORAÇÃO...SOMENTE QUEM VIVENCIOU O ABUSO SEXUAL ENTENDE A IMPORTÂNCIA DA DIVULGAÇÃO E, INFELIZMENTE, TAMBÉM DE TODA A DOR QUE O MESMO CAUSA. BYA ALBUQUERQUE


Foto

terça-feira, 13 de maio de 2014

Psicossomática III: O Inconsciente / Rosemeire Zago

As doenças e seus sintomas são expressões do inconsciente, assim como os sonhos. Por isso é importante resolvermos os conflitos internos para impedirmos que o inconsciente se comunique através da linguagem do corpo. Mas como entender essa parte da mente tão misteriosa? O inconsciente não é lógico, mas primitivo e antigo. Sendo assim, ele não se exprime em palavras racionais ou pensamentos realistas e, sim, através de imagens, fantasias e, principalmente, sensações físicas.
No inconsciente, ficam os conteúdos que alteram e influenciam o comportamento, tudo que é considerado agressivo à consciência. Pode-se dizer que o inconsciente é semelhante a um porão, onde se guarda tudo que não queremos ver e onde há bem mais coisas que imaginamos.
Cada vez que acontece algo que nos magoa profundamente, como decepções, traições, perdas, estas vão aos poucos se somando e acumulando, transformando-se em ressentimentos, mágoas, frustrações, que podemos negar conscientemente, mas tudo fica registrado em nosso inconsciente.
Geralmente quando acontece algo, nossa mente busca mecanismos de defesa para evitar a dor, e os mais comuns são a negação e a repressão; assim, negamos o que sentimos, ou reprimimos. Tais lembranças são reprimidas no inconsciente como forma de defesa e censura interna. Nossa mente recorre ainda a outro mecanismo de defesa, a conversão, onde os conflitos emocionais são convertidos em sintomas físicos.
Mas conforme outras situações acontecem trazendo mais dor e não conseguindo se expressar nem ser compreendida pelo consciente, elas não somem simplesmente, mas são guardadas em nosso inconsciente; onde vaão se somando às anteriores até um momento que a mente não suporta mais e busca um canal de expressão: o corpo. Isso é a somatização.
Os conflitos vão sendo somados até conseguirem se expressar. É importante entender que não são os traumas que nos tornam doentes, mas sim a incapacidade de expressá-los, por isso se torna tão importante identificarmos nossos sentimentos e conseguirmos expressá-los, ao menos para nós mesmos. Porém, como nem sempre identificamos ou expressamos nossos sentimentos quando ocorrem, sendo muitas vezes originados durante nossa infância, a doença surge para nos mostrar que é preciso identificar algum conflito que ficou do passado. Mesmo que um sentimento seja inaceitável por parte de seu ser consciente, alerta, racional, isso não quer dizer que tal sentimento deixe de existir, mas será reprimido no inconsciente de maneira automática.
Por exemplo, você se encontra numa situação que o faça sentir raiva. Esta raiva pode ser inaceitável por parte de seu consciente, mas sem a consciência desse sentimento, você a reprime. Conforme reprimimos aquilo que nos afeta, a tensão vai sendo acumulada até que consiga uma maneira de ser extravasada. Para aliviar essa tensão imposta pelos conflitos reprimidos, o inconsciente pode se expressar por meio da linguagem fisiológica. Assim sendo, o inconsciente expressa através do corpo aquilo que nossa psique não conseguiu elaborar. É quando se torna importante a psicoterapia.
Uma das finalidades da psicoterapia é a de tornar consciente aquilo que tenha sido anteriormente inconsciente, visando a solução das dificuldades com a mente consciente e racional. Quando há um maior entendimento das causas dos sintomas em nosso corpo, entendendo esse processo inconsciente e, principalmente, o que ele tenta nos mostrar através dos sintomas, com maior facilidade poderemos encontrar a cura.
Caso esteja tendo sintomas recorrentes ou não, procure um profissional com especialização em Psicossomática, que poderá orientá-lo como entender melhor essa linguagem do inconsciente que expressa as emoções em nosso corpo.
A aceitação e a elaboração de todo esse processo que muitas vezes nos é mostrado através dos sintomas, conduz-nos ao caminho da cura, do equilíbrio, que nada mais é que a busca de si mesmo, o self, termo usado na terminologia de Jung.
Muitas pessoas resistem a esse encontro consigo mesmo, preferindo recorrer apenas ao uso de remédios, o que muitas vezes são apenas paliativos que não eliminam a causa.
O objetivo com a psicoterapia e o confronto com os próprios sentimentos não é criar uma ferida, pois, na verdade, a ferida já está lá. Ela não surge no momento em que é identificada, somente se torna mais consciente.
É através desse passo de coragem, confrontando aquilo que está dentro de você é que se poderá obter a possibilidade de cura. Fique atento à sua linguagem corporal. O que seu inconsciente pode estar querendo lhe dizer?

segunda-feira, 5 de maio de 2014

VALE DAS EMOÇÕES / Christiano Dortas



No vale das emoções a razão se perdeu
Deixou pegadas profundas no labirinto do coração
O sentimento que brotou não é novo
Embora a história seja outra
E ainda que seja a mesma
O momento é distinto
Cada alma com o seu fardo
Cada luta com sua farda
Escolher um lado, mesmo que nenhum tenha razão
A emoção se solidifica e se concentra em doses elevadas
Inerme o espírito se inclina
Reverencia o que deve ser vencido
Sem espadas, sem paus nem ouros que vençam ou comprem o que não pode ser vendido
Um coração composto de corações
Se já não há como traduzir ao menos reparte o que é possível
Pensar em si pra caminhar
Seguir os passos que já não são comandados pelo sentimento
Ser outro pra se manter de pé
No exército dos corações moídos
Frente a frente em um jogo que não tem regras claras
Onde nem sempre vence o melhor
O mais forte sucumbe por sentir
O mais fraco vence por mentir
A fraqueza que sorri quando a dor se aloja
O blefe dos covardes, em lágrimas escusas
Enquanto o outro trava guerras contra os inimigos internos
Vertigem, miragens de ontem, a procura de salvação
Jejum inconsciente, se alimentando de aprendizado
O saber traz angústia onde o contorno é ignorância
O coração deu as cartas e se condenou
Deve ser abafado pra que o corpo caminhe pra onde quer chegar
De nada vale ser peregrino entre colinas floridas de espinhos
Onde deve habitar aquele que não nasceu pra jogar?


sábado, 3 de maio de 2014

Poema de Pablo Neruda

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e por isso te amo quando te amo.





Abuso sexual na infância / Sandra Lordsleem

O assunto não estava esquecido pela sociedade, mas apenas adormecido nos meios de comunicação diante do cenário político no Brasil que hoje chama a atenção da mídia. Temos o dever de levantar sempre esse assunto diante da sociedade para mostrar que nossas crianças estão sendo abusadas sexualmente todos os dias.

Depois do depoimento de uma celebridade que foi abusada sexualmente na infância, o assunto ganhou destaque novamente nos meios de comunicação. No Disque Denúncia são aproximadamente 2.200 denúncias por mês, conforme informações da Central do Disque Denúncia no Recife e Região Metropolitana que trabalha junto com o Agreste de Pernambuco. (81-3241-9595/3719-4545)

Não existe uma idade limite para ocorrer o abuso sexual. A criança pode ter quatro anos, seis anos ou dez anos. O agressor não tem escrúpulos. Não leva em consideração o ambiente, o horário, a família e, principalmente, sua vitima. Isso ocorre em qualquer classe social, com pessoas esclarecidas com nível de instrução e com as famílias sem esclarecimentos pedagógicos. Como no interior de Pernambuco, onde o pai mantém relação sexual com a filha de menor, e a mãe se cala diante do agressor.

O abusador sexual, geralmente, é um membro da própria família ou um amigo próximo que convive diretamente com a vítima. Sem levantar suspeita e com certo grau de confiança dentro do contexto familiar. Quais os sintomas que a criança apresenta quando ocorre o abuso sexual? Mudança súbita no comportamento, principalmente a agressividade; Isolamento; Falta ou excesso de sono; Irritação; Dificuldade de concentração e de relacionamento; Alteração no comportamento na escola com a família, nas brincadeiras com os amigos; Não quer ficar sozinha com determinado adulto; Medo aparentemente infundado; Pesadelos; Tremores noturnos; Ganho ou perda de peso; Crianças extrovertidas podem ficar mais caladas, ou vice-versa.

Alertamos também que um sintoma isolado não significa que a criança sofreu abuso sexual. A linguagem da criança não é somente verbal: vale a pena prestar atenção no isolamento, no comportamento, nas brincadeiras e nos desenhos.

O sinal mais grave que pode indicar o abuso sexual na criança pode ser notado quando ela chega a desenhar a genitália do abusador, como imagens de homens com o pênis ereto e com pelos pubianos. Isso é um sinal de abuso. Afinal, como a criança pode ter visto um pênis ereto e com pelos?
As brincadeiras e os gestos também são uma forma de denunciar.

O abuso sexual tem um impacto muito grande na saúde física e mental da criança e do adolescente, deixando marcas em seu desenvolvimento, com danos que podem persistir por toda vida.
Sintomas mais frequentes em adultos que sofreram abuso sexual na infância apresentam-se como, por exemplo, a dificuldade de adaptação interpessoal; Com pessoas em geral e figuras masculinas. Dificuldade de adaptação sexual; Medo de transar, masturbação excessiva, problemas de relacionamento sexual com o marido, medo da intimidade. São as marcas deixadas pelo agressor. Dificuldade afetiva; sentimento de culpa, suicídio como idealização e/ou fixação em ideias de morte, sintomas de depressão.

Devemos orientar nossas crianças de forma clara e objetiva. Qualquer idade. Sabendo, claro, se utilizar das palavras. Como por exemplo: Não sente no colo de ninguém; Mamãe é quem ajudar você a tomar banho; Ninguém pega no seu bumbum, se pegar, avise para a mamãe.

Criar um ambiente de confiança com a criança para que ela conte tudo para a mãe ou o cuidador. Isso com menina ou menino, não importa o sexo. O abuso sexual na infância ocorre independentemente do sexo, classe social ou religião. Temos que ficar em alerta caso a criança conviva com algum membro da família que use drogas ilícitas. Se, por exemplo, o pai, o tio ou outro parente chegam em casa alcoolizados com frequência, resguardar ainda mais a criança exposta nesse tipo de ambiente é nosso dever.

Recomendo procurar um profissional de sua confiança para ajudar a criança, e aos pais a aliviar as consequências deixadas pelo agressor.

*Sandra Lordsleem é psicóloga clínica e atende adultos, adolescentes e crianças.

http://www1.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/edicaoimpressa/arquivos/2012/Maio/28_05_2012/0093.html



Foto: Abuso sexual na infância

O assunto não estava esquecido pela sociedade, mas apenas adormecido nos meios de comunicação diante do cenário político no Brasil que hoje chama a atenção da mídia. Temos o dever de levantar sempre esse assunto diante da sociedade para mostrar que nossas crianças estão sendo abusadas sexualmente todos os dias.

Depois do depoimento de uma celebridade que foi abusada sexualmente na infância, o assunto ganhou destaque novamente nos meios de comunicação. No Disque Denúncia são aproximadamente 2.200 denúncias por mês, conforme informações da Central do Disque Denúncia no Recife e Região Metropolitana que trabalha junto com o Agreste de Pernambuco. (81-3241-9595/3719-4545)

Não existe uma idade limite para ocorrer o abuso sexual. A criança pode ter quatro anos, seis anos ou dez anos. O agressor não tem escrúpulos. Não leva em consideração o ambiente, o horário, a família e, principalmente, sua vitima. Isso ocorre em qualquer classe social, com pessoas esclarecidas com nível de instrução e com as famílias sem esclarecimentos pedagógicos. Como no interior de Pernambuco, onde o pai mantém relação sexual com a filha de menor, e a mãe se cala diante do agressor.

O abusador sexual, geralmente, é um membro da própria família ou um amigo próximo que convive diretamente com a vítima. Sem levantar suspeita e com certo grau de confiança dentro do contexto familiar. Quais os sintomas que a criança apresenta quando ocorre o abuso sexual? Mudança súbita no comportamento, principalmente a agressividade; Isolamento; Falta ou excesso de sono; Irritação; Dificuldade de concentração e de relacionamento; Alteração no comportamento na escola com a família, nas brincadeiras com os amigos; Não quer ficar sozinha com determinado adulto; Medo aparentemente infundado; Pesadelos; Tremores noturnos; Ganho ou perda de peso; Crianças extrovertidas podem ficar mais caladas, ou vice-versa.

Alertamos também que um sintoma isolado não significa que a criança sofreu abuso sexual. A linguagem da criança não é somente verbal: vale a pena prestar atenção no isolamento, no comportamento, nas brincadeiras e nos desenhos.

O sinal mais grave que pode indicar o abuso sexual na criança pode ser notado quando ela chega a desenhar a genitália do abusador, como imagens de homens com o pênis ereto e com pelos pubianos. Isso é um sinal de abuso. Afinal, como a criança pode ter visto um pênis ereto e com pelos?
As brincadeiras e os gestos também são uma forma de denunciar.

O abuso sexual tem um impacto muito grande na saúde física e mental da criança e do adolescente, deixando marcas em seu desenvolvimento, com danos que podem persistir por toda vida.
Sintomas mais frequentes em adultos que sofreram abuso sexual na infância apresentam-se como, por exemplo, a dificuldade de adaptação interpessoal; Com pessoas em geral e figuras masculinas. Dificuldade de adaptação sexual; Medo de transar, masturbação excessiva, problemas de relacionamento sexual com o marido, medo da intimidade. São as marcas deixadas pelo agressor. Dificuldade afetiva; sentimento de culpa, suicídio como idealização e/ou fixação em ideias de morte, sintomas de depressão.

Devemos orientar nossas crianças de forma clara e objetiva. Qualquer idade. Sabendo, claro, se utilizar das palavras. Como por exemplo: Não sente no colo de ninguém; Mamãe é quem ajudar você a tomar banho; Ninguém pega no seu bumbum, se pegar, avise para a mamãe.

Criar um ambiente de confiança com a criança para que ela conte tudo para a mãe ou o cuidador. Isso com menina ou menino, não importa o sexo. O abuso sexual na infância ocorre independentemente do sexo, classe social ou religião. Temos que ficar em alerta caso a criança conviva com algum membro da família que use drogas ilícitas. Se, por exemplo, o pai, o tio ou outro parente chegam em casa alcoolizados com frequência, resguardar ainda mais a criança exposta nesse tipo de ambiente é nosso dever.

Recomendo procurar um profissional de sua confiança para ajudar a criança, e aos pais a aliviar as consequências deixadas pelo agressor.

*Sandra Lordsleem é psicóloga clínica e atende adultos, adolescentes e crianças.

http://www1.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/edicaoimpressa/arquivos/2012/Maio/28_05_2012/0093.html

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Chega de Fiu Fiu: mapa colaborativo mostra assédios sexuais contra mulheres pelo país / Graziela Salomão

Onde estão as principais ocorrências de assédio sexual pelo Brasil? Em busca de mapear essas regiões, a jornalista Juliana de Faria Kenski, que criou a campanha "Chega de Fiu Fiu" no ano passado, inaugurou agora um site colaborativo. A ideia deste mapa é reunir os testemunhos de mulheres que sofreraam algum tipo de violência ou tentativa de intimidação. "A primeira parte da campanha Chega de Fiu Fiu, que incluia a pesquisa e os primeiros passos, eram para trazer o assunto para a pauta. Queríamos denunciar que assédio não é algo aceito e cultural. Nosso objetivo é dar um basta porque isso causa um impacto muito negativo na vida das mulheres", diz Juliana.
De acordo com a descrição do projeto, a ferramenta é “uma tentativa de mapear os lugares mais incômodos e até perigosos para mulheres no Brasil”. No site, Juliana e Bárbara Castro, outra idealizadora do projeto, dizem que "ninguém deveria ter medo de caminhar pelas ruas simplesmente por ser mulher. Mas, infelizmente, isso é algo que acontece todos os dias". Ainda na descrição do mapa, a jornalista afirma que o "objetivo é lutar contra outros tipos de violência contra a mulher".
É possível ver alguns testemunhos já no site, que estreou no última terça-feira (22). “Estava sentada em algum dos bancos do metrô, quando um cara parou em pé na minha frente, haviam outros lugares para se sentar no vagão mas ele fez questão de parar na minha fente. Poucos minutos depois, quando olhei na direção em que ele estava, vi que havia abaixado as calças e estava com o pênis a mostra. Fiquei horrorizada e mudei de lugar, na hora fiquei tão assustada que não consegui pensar em nada, mandei apenas uma mensagem para o sms do metrô mas nada foi feito". O caso teria acontecido em São Paulo no dia 16 de outubro de 2013.
O metrô da capital paulista é um dos lugares com mais descritivos de assédio. Outra mulher relata que foi abusada sexualmente na Linha Vermelha no dia 5 de abril. “Dentro do trem lotado às sete da manhã, um homem ofegante abriu minha calça jeans. Distraída, senti cócegas na altura da virilha e pensei que fosse a corrente que usava pendurada na calça que estivesse me dando a sensação. Passei a mão e me assustei ao sentir que era a mão de outra pessoa. Afastei a mão dele, em choque. Ele tornou a colocá-la em mim, e eu tive que afastá-lo repetidamente até chegar na próxima estação, onde desci chorando. Entrei para as estatísticas do metrô, mas não conseguiram pegar o cara porque eu nem sequer consegui vê-lo direito”, contou.São Paulo possui mais denúncias. Na sequência vem Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. As idealizadoras do mapa pedem que as vítimas denunciem os crimes para a polícia. “O mapa não substitui denúncias oficiais contra a mulher. Pedimos que denunciem também nas Delegacias de Defesa da Mulher e na Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180”. Para Juliana, é importante que as mulheres se unam neste assunto. "O mapa é de todas nós. Ele só vai ser relevante se tiver números relevantes. Espero que as pessoas denunciem. Com números relevantes a gente consegue articular mudanças", finaliza.

O SITE COLABORATIVO QUER MAPEAR AS REGIÕES MAIS PERIGOSAS PARA AS MULHERES (Foto: Reprodução)

VÁRIAS VÍTIMAS JÁ DEIXARAM RELATOS NO SITE. OS CRIADORES PEDEM QUE AS PESSOAS PROCUREM TAMBÉM A POLÍCIA (Foto: Reprodução)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

ESTUPRADORES / Drauzio Varella

Anos atrás fui comprar uma luminária na rua da Consolação. A que escolhi, o vendedor disse custar R$ 250,00. Achei caro demais. Ele sorriu:
- Na verdade, custa R$ 85,00. É a tática que uso para o freguês comprar na hora.
Assim aconteceu com a tal pesquisa do Ipea. No primeiro momento, disseram que 65% dos brasileiros concordavam total ou parcialmente com a frase: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.
Uma semana mais tarde, esse número foi corrigido para 26%. A reação foi de alívio e de revolta contra o Ipea, como se em cada quatro brasileiros um estar a favor do ataque fosse pouco.
A mesma pergunta refeita em São Paulo pelo Datafolha encontrou 12% de respostas positivas.
Quando o Datafolha substituiu a palavra atacadas por estupradas, 9% de nossos respeitáveis conterrâneos consideraram o estupro justificável.
O estupro é prática descrita em orangotangos, gorilas e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.
Veja o caso dos orangotangos, primatas como nós, que passam a vida em cima das árvores. Os machos chegam a pesar 90 quilos, enquanto alguns não passam de 40, peso igual ao das fêmeas. A dominância é disputada pelos mais encorpados, que se enfrentam em lutas renhidas, mas que jamais acabam em morte; terminam quando o perdedor volta as costas para o adversário e se retira.
Os etologistas nunca entenderam como os machos pequenos conseguem se reproduzir, uma vez que são rejeitados pelas fêmeas, sempre interessadas nos grandes, mais aptos a proteger-lhes a prole.
Observações de campo mais recentes encontraram a explicação: os pequenos são estupradores. Atacada por um deles, a fêmea berra e se defende com todas as forças. Ao ouvir-lhe os pedidos de socorro, o macho-alfa corre pelos galhos das árvores para ajudá-la.
Mais ágeis, os pequenos fogem. Quando não conseguem, são espancados e atirados lá de cima. Chegam a morrer na queda, incidente que não ocorre entre os machos grandes em luta pela supremacia.
Agressões semelhantes contra estupradores são descritas em gorilas e chimpanzés. Do ponto de vista evolutivo, a explicação é lógica: aqueles incapazes de defender suas fêmeas, não transmitiram seus genes à descendência.
Seres humanos não são diferentes.
As agressões mais torpes a que assisti, foram perpetradas contra estupradores presos. No antigo Carandiru, o mínimo que lhes acontecia era serem esfaqueados pela turba enfurecida. Num deles, contei mais de quarenta facadas.
Quando perguntei a um dos detentos que havia carregado o corpo até a enfermaria, por que razão respeitavam o assassino de um pai de família, enquanto barbarizavam o estuprador, ele respondeu com voz pausada:
- Quem mata uma pessoa, pode passar o resto da vida sem matar mais ninguém. O estuprador vai sair daqui e atacar outra mulher, que pode ser a sua filha ou a minha irmã. Esses caras são anormais.
Não lhe tiro a razão. De fato, aceitamos com mais condescendência um assassino do que o estuprador. O estupro é o mais abjeto dos crimes.
Vamos falar de homem para homem, prezado leitor. Quem nunca passou pela experiência de estar a sós com a mulher desejada, ardente, em ambiente acolhedor, e fracassar?
Se nas condições mais favoráveis a impotência pode nos surpreender, imaginar que alguém consiga manter ereção enquanto agarra uma mulher desesperada, que grita, chora, tenta fugir e pede pelo amor de Deus para não ser violentada, está além da compreensão masculina.
Homem nenhum tem direito de atacar uma mulher, sob nenhum pretexto. Nem que ela esteja nua, num banco de jardim. Sexo não consentido é uma brutalidade criminosa que precisa ser punida com rigor.
Partir do princípio de que roupas decotadas justificam agressões sexuais, é aceitar que todas as mulheres possam ser estupradas em nossas praias ou nas cidades com verões escaldantes. Para evitar ataques, o que elas deveriam esconder? As pernas, os ombros, os braços, o colo? Não seria mais prudente andarem de burca?
Jogar a culpa na vítima é compactuar com a natureza do crime cometido contra ela. A questão é simples: estupradores são maníacos sexuais que precisam ser afastados do convívio social.

sábado, 19 de abril de 2014

.Mulheres Abusadoras Sexuais de Crianças

POSTAGEM DE 30.01.11

RESOLVI POSTAR NOVAMENTE DEVIDO AO INTERESSE SOBRE O ASSUNTO...BYA.
Ao longo dos últimos anos, houve uma crescente percepção de abuso sexual de crianças por mulheres. Evidências de que as mulheres abusam sexualmente das crianças estiveram disponíveis nos últimos 30 anos, mas permaneceram bem escondidas, por causa de estereótipos criados em relação à sexualidade feminina e à idealização das mulheres como fornecedoras de cuidado e alimentação.
A visão que se tem das mulheres como não agressoras sexuais dificulta a crença de que elas possam praticar o abuso sexual. Tradicionalmente, as mulheres têm sido vistas como as recebedoras passivas nos encontros sexuais, e não como agressoras sexuais. Além disso, algumas pessoas consideram difícil compreender de maneira precisa como as mulheres poderiam abusar sexualmente. Pesquisas mostram que mulheres abusadoras de crianças cometem vários tipos de atos sexuais, que incluem tocar os genitais, forçar a criança a sugar-lhes os seios ou a genitália, masturbação mútua forçada, penetração da vagina ou do ânus da criança com objetos e o coito propriamente dito. Por vezes, o abuso sexual é acompanhado de espancamento físico da criança. Os pesquisadores puderam identificar quatro categorias de mulheres abusadoras de crianças.
1. A professora / amante:
Envolve principalmente a mulher adulta mais velha engajada em um relacionamento sexual com um garoto pré-púbere ou adolescente, o qual ela encara como seu igual.
2. A agressora cuja predisposição ao abuso é de caráter intergeracional:
Todas as mulheres dessa categoria iniciaram o abuso sexual em crianças, muitas vezes, em seus próprios filhos.
3. As mulheres coagidas por homens:
As mulheres dessa categoria são, a princípio, coagidas a atacar sexualmente os filhos por um companheiro dominador, com um histórico de violência sexual contra crianças. Essas mulheres são muito dependentes e incapazes de se afirmar em relação aos companheiros.
4. A experimentadora - exploradora:
São garotas adolescentes relativamente ingênuas quanto a sexo e que buscavam ter uma experiência sexual com uma criança mais nova. São geralmente babás das crianças abusadas.

Principais características de mulheres abusadoras de crianças:
  • Baixa auto-estima, sentimentos de inadequação e vulnerabilidade.
  • Infância perturbada.
  • Falta de cuidados na infância.
  • Experiência de solidão, isolamento e separação dos outros.
  • Relacionamentos abusivos e negativos com companheiros de sexo masculino.
  • Histórico de atividade sexual compulsiva ou indiscriminada.
  • Graves distúrbios psicológicos ou doença mental.
  • Vício em álcool ou em drogas.
  • Quando criança, não era desejada ou era do sexo errado.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

VIOLÊNCIA SEXUAL...

UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO SEXUAL...
Automutilação - Cutting
Automutilação (AM), é definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio. Os atos geralmente têm como intenção o alívio de dores emocionais e em grande parte dos casos, estão associados ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)




O ABUSO SEXUAL NÃO ESCOLHE QUEM SERÁ A VÍTIMA...COMPARTILHE!!!






MUITOS DOS TRAFICADOS VIRAM ESCRAVOS SEXUAIS...

Via Ministério da Justiça
Tráfico de Pessoas é crime. Ajude a combater este mal. Compartilhe essa mensagem! O tráfico de pessoa é um risco que pode aparecer disfarçado em propostas tentadoras e sedutoras.




ESSE TIPO DE VIOLÊNCIA É MUITO COMUM NO ABUSO SEXUAL E É O MAIS DEVASTADOR DE TODOS...

sábado, 5 de abril de 2014

Perfil psicológico e comportamental de agressores sexuais de crianças - Parte II / Antonio de Pádua SerafimI; Fabiana SaffiI; Sérgio Paulo RigonattiI; Ilana CasoyII; Daniel Martins de BarrosI INúcleo de Psiquiatria e Psicologia Forense (Nufor), Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) IIEscritora e pesquisadora sobre crimes seriais

Pedofilia, psicopatia e violência sexual

Um importante aspecto associado aos molestadores de crianças é a psicopatia. A presença de psicopatia em pedófilos colabora para a expressão de insensibilidade afetiva, diminuição da capacidade empática e elevado comportamento antissocial. Vários estudos têm demonstrado que criminosos psicopatas apresentam histórico de violência gratuita, com atos extremos de violência, como sadismo, crueldade e brutalidade.
O termo psicopatia descreve o indivíduo que apresenta padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros e pobreza geral nas reações afetivas - estima-se que entre 25% e um terço dos indivíduos com transtorno de personalidade antissocial apresentam critério para psicopatia. O que vai caracterizar o pedófilo ou molestador com psicopatia é a manifestação de evidente crueldade na conduta sexual, centrada e modulada pela postura de indiferença à ideia do mal que comete, não expressando emoções quanto ao desvio nem ao fato de que o seu comportamento produz sofrimento. Sugere-se que esse tipo de agressor sexual experimenta o prazer não mais com o sexo, e sim com o sofrimento de sua vítima. Em geral, reduz a vítima ao nível de objeto, passível de toda manipulação, degradação e descarte. O crime por prazer é produto de extremo sadismo, e a vítima é assassinada e mutilada com o propósito de provocar gratificação ao criminoso, sendo o prazer dele adquirido pela violência, e não pelo ato sexual.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a prática do abuso pode ser caracterizada como o comportamento desviante denominado parafilia (do grego para → ao lado de, oposição + philos = amante, atraído por) se for motivada por transtorno da preferência sexual. Notadamente, as parafilias são caracterizadas por impulsos sexuais intensos e recorrentes, modulados por fantasias e manifestação de comportamentos não convencionais, como ocorre no fetichismo, travestismo fetichista, exibicionismo, voyeurismo, necrofilia e pedofilia.
Alguns autores ressaltam que o fato de uma pessoa apresentar preferências por determinadas partes do corpo, objetos e acessórios não representa necessariamente parafilia e, em muitos casos, não há riscos para condutas sexuais criminosas. De acordo com esses autores, para que esse funcionamento preencha critérios para a parafilia, deve-se considerar no seu portador os seguintes aspectos: 1) caráter opressor do desejo, com perda de liberdade de opções e alternativas, isto é, o parafílico não consegue deixar de atuar dessa maneira; 2) caráter rígido, significando que a excitação sexual só se consegue em determinadas situações e circunstâncias estabelecidas pelo padrão da conduta parafílica; e 3) caráter compulsivo, que se reflete na necessidade imperiosa de repetição da experiência.
A dificuldade no controle da compulsão se apresenta como o fator de maior vulnerabilidade para a ocorrência de condutas criminosas com implicação médico-legal. Altos níveis de testosterona, incapacidade em manter relação conjugal estável, traumatismo cranioencefálico, retardo mental, psicoses, abuso de álcool e substâncias psicoativas, reincidência de crimes sexuais e transtornos da personalidade são outros fatores conhecidos de vulnerabilidade para as condutas sexuais criminosas. Ressalta-se que no Brasil há grande escassez de material de pesquisa sobre a violência sexual infantil.
Outro padrão psicológico e comportamental observado em molestadores refere-se a aspecto obsessivo. Gaconoet al ressaltaram que o construto obsessivo nos molestadores psicopatas se inicia bem antes da primeira expressão de conduta sexual delituosa.
Características demográficas e comportamentais dos agressores
Molestadores sexuais dificilmente modificam seus aspectos psicológicos, culturais ou sexuais, mesmo que corram risco de eles serem identificados. Para alguns autores, a realização da investigação fenomenológica é a chave para a identificação do agressor.
modus operandi (MO) - expressão repetitiva do comportamento criminoso em questão - assegura o sucesso do crime, protege a identidade do criminoso e garante sua fuga. O MO é dinâmico e maleável, na medida em que o infrator ganha experiência e confiança. O ritual, por sua vez, é comportamento que excede o necessário para a execução do crime, sendo construído com base nas necessidades psicossexuais do agressor, e este aspecto é crítico para a satisfação dos seus desejos e impulsos.
Lanning ressalta que, se o MO é repetido frequentemente durante a atividade sexual, alguns de seus aspectos podem, por comportamento condicionado, transformar-se em ritual e seus comportamentos subsequentes são determinados pelas imagens eróticas e abastecidos pela fantasia e podem ter natureza bizarra.
O típico agressor é homem, começa a molestar por volta dos 15 anos, se engaja em vários comportamentos pervertidos e molesta uma média de 117 jovens, cuja maioria não dá queixa. Cerca de 30% são menores de 35 anos. Por volta de 80% têm inteligência normal ou acima da média.
Lanning e Salfati e Canter ressaltam que 50% dos abusos infantis envolvem o uso de força física e que molestadores de crianças produzem o mesmo percentual de ferimentos na vítima que os estupradores
Mais da metade dos criminosos sexuais condenados que acabam de cumprir pena voltam para a penitenciária antes de um ano. Em dois anos esse percentual sobe para 77,9%. A taxa de reincidência varia entre 18% e 45%. Quanto mais violento o crime, maior a probabilidade do criminoso repeti-lo.

Considerações finais
Analisado com minúcia, o crime sexual contra menores vem se mostrando complexo e variado, com diferentes perfis de criminosos se engajando nessa prática, por diferentes motivos. O perfil psicológico para identificar criminosos sexuais, embora utilizado por alguns pesquisadores, ainda requer melhor validação científica, visto que seus procedimentos são em sua maioria decorrentes de pesquisas empíricas.
Diante do quadro exposto, todavia, tal prática é muitas vezes necessária na esfera da psiquiatria e da psicologia forense, não só como forma de ampliação do conhecimento da dinâmica do indivíduo agressor, mas também contribuindo para a determinação da sua capacidade de entendimento e autocontrole.
Reforça-se que estabelecer sólidas bases para a classificação de criminosos sexuais de acordo com comportamento, tipo de vítima, motivação e risco de reincidência só é possível em um contexto interdisciplinar. Fica claro que a confluência dos saberes do psiquiatra, apto a diagnosticar transtornos mentais com seu instrumental específico; do psicólogo, cuja expertise se dá na direção da análise do comportamento, das motivações e da psicodinâmica subjacente aos atos; do assistente social, capaz de identificar elementos do contexto socioeconômico e familiar implicados nas situações; enfim, de equipe verdadeiramente comprometida com o trabalho conjunto, deve ser ativamente perseguido, se o objetivo é traçar perfil fidedigno das pessoas envolvidas em atitudes, como os crimes sexuais, uma vez que o comportamento de agressores sexuais não apresenta uma causa única, tem origem sabidamente multifatorial e envolve o complexo imbricamento de vários fatores. Só assim haverá, de fato, possibilidades para uma contribuição de forma técnica tanto para a possível identificação do ofensor como para o planejamento de tratamentos individualizados, auxiliando na definição de qual intervenção é mais efetiva e para quem.

Perfil psicológico e comportamental de agressores sexuais de crianças - Parte I / Antonio de Pádua SerafimI; Fabiana SaffiI; Sérgio Paulo RigonattiI; Ilana CasoyII; Daniel Martins de BarrosI INúcleo de Psiquiatria e Psicologia Forense (Nufor), Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) IIEscritora e pesquisadora sobre crimes seriais

CONTEXTO: A prática de abuso sexual contra crianças é um fenômeno universal. Ela ocorre em todos os tempos e lugares e atinge todas as classes socioeconômicas. Enquanto a maioria dos estudos investiga as vítimas, os poucos estudos sobre agressores se concentram principalmente em dados demográficos. 
OBJETIVO: Apresentar revisão da literatura quanto à classificação de molestadores sexuais de crianças, de acordo com o perfil psicológico e comportamental. 
MÉTODOS: Revisão da literatura e discussão do material utilizado. 
RESULTADOS: Apresentação das principais classificações dos criminosos sexuais contra crianças, identificando as tipologias mais utilizadas com suas possíveis contribuições à psiquiatria e à psicologia forense. 
CONCLUSÃO: A utilização do perfil psicológico em crimes sexuais é de fundamental relevância no contexto médico-legal, mas ainda carece de bases científicas mais sólidas.


A violência sexual vem sendo perpetrada desde a antiguidade em todos os lugares do mundo, em todas as classes socioeconômicas, sendo fenômeno complexo, com multiplicidade tanto de causas quanto de consequências para a vítima.
As experiências de violência ou abuso sexual na infância correlacionam-se a perturbações psicológicas e comportamentais na vida adulta, especificamente sendo identificada a associação entre o abuso sexual de crianças e os distúrbios psiquiátricos como transtorno de estresse pós-traumático, transtornos do humor e transtornos psicóticos.
Os crimes sexuais não acontecem simplesmente, pois somente pequeno número de molestadores de crianças age sem planejamento ou premeditação. Para a maioria desses criminosos o planejamento se inicia horas, dias ou até meses antes da ação. Apesar de compreenderem que estão agindo fora da lei, racionalizam seu comportamento, convencendo-se de que não estão cometendo nenhum crime e de que seu comportamento é aceitável.
O molestador de crianças convence a si mesmo de que a criança quer se relacionar sexualmente com ele, projetando nela os pensamentos e sentimentos que ele quer que ela tenha sobre ele. Ele interpreta a reação humana da vítima aos seus atos preparatórios e manipulatórios como resposta positiva aos seus desejos sexuais e se convence de que seu comportamento abusivo não causa estragos nem é prejudicial.
Pedófilo abusador
O tipo mais comum de pedófilo abusador é o indivíduo imaturo. Em algum ponto da vida ele descobre que pode obter com crianças níveis de satisfação sexual que não consegue alcançar de outra maneira. Trata-se de tipo solitário, e a falta de habilidade social acaba levando-o a mergulhos cada vez mais profundos e fantasiosos na pedofilia. Seu comportamento é expresso de forma menos invasiva (usam de carícias discretas) e dificilmente age com violência, o que na maioria das vezes dificulta que a criança e as pessoas ao seu redor notem o fato. Tende a se envolver com pornografia infantil, pela internet ou utilizando fotografias diferentes dos molestadores.
Pedófilo molestador
Como dito, a característica marcante do pedófilo molestador é o padrão de comportamento invasivo com utilização frequente de violência. Esse tipo também pode ser dividido em dois grupos: molestadores situacionais e preferenciais.
Molestador situacional (pseudopedófilo)
Para esse indivíduo a criança não é especialmente o objeto central de sua fantasia, logo não pode ser diagnosticado como pedófilo, na acepção estrita do termo. Alguma circunstância contingente o impele a obter gratificação sexual através da criança, o que ocorre muito mais pela fragilidade dela e pela dificuldade de ser descoberto do que pelo fato de ser pré-púbere - daí a denominação "situacional".
Esse tipo de molestador frequentemente é casado e vive com a família, mas, se alguma situação de estresse acontece, ele é levado a sentir-se mais confortável com crianças. Na maioria das vezes ataca meninas. Se a preferência for por meninos, é provável que, nesse caso, o agressor seja homossexual.
A maioria dos agressores desse tipo pertence às classes socioeconômicas mais baixas e é menos inteligente. Seu comportamento sexual está a serviço das suas necessidades básicas sexuais (excitação e desejo) ou não sexuais (poder e raiva). São oportunistas e impulsivos, focalizam as características gerais da vítima (idade, raça, gênero) e os primeiros critérios para a escolha dela são a disponibilidade e a oportunidade. Entre os molestadores de criança situacionais existem três perfis diferentes de indivíduos: o regredido, o inescrupuloso e o inadequado.
Molestador situacional regredido
Segundo alguns autores, o indivíduo com esse perfil, em razão de vivências intensas de estresse, regride a estágios anteriores do desenvolvimento e, para sentir-se seguro e à vontade, passa a interagir melhor com pessoas tão fragilizadas quanto ele naquele momento. Por esse motivo, não ataca apenas crianças. Para satisfazer seus desejos sexuais, utiliza-se de qualquer grupo vulnerável, como idosos e deficientes físicos ou mentais.
Esse tipo de molestador apresenta estilo de vida estável, financeira e geograficamente. Deve estar empregado, mas no seu histórico podem constar alguns problemas relativos a abuso de substâncias alcoólicas. Tem prazer imenso em seduzir, diminuindo, assim, seus problemas com a baixa auto-estima, que provavelmente o acometem, e mantém várias vítimas seduzidas em estágios diferentes, esperando sua ação.
A internet é um meio de busca de alvos bastante comum para esse tipo de agressor, cujo comportamento sexual é composto de sexo oral e vaginal. O uso de pornografia infantil melhora seu desempenho e a conquista da vítima. É frequente esse tipo de molestador infantil colecionar filmes caseiros e/ou fotografias das crianças que foram suas vítimas.
Molestador situacional inescrupuloso (moral ou sexual)
Esse agressor abusa de quem está disponível para satisfazer suas necessidades sexuais e o fato de atacar crianças faz parte desse contexto, não sendo a sua prioridade. Molestar uma criança é parte do padrão de abuso geral em sua vida, pois tem como hábito usar e abusar das pessoas. Esse indivíduo mente, trapaceia, furta e não vê motivo para não molestar crianças. Usa força, sedução ou manipulação para conquistar sua vítima. É um indivíduo charmoso, considerado agradável pelas pessoas e crianças à sua volta. Se for casado, é o tipo de homem que troca de mulher a toda hora.
O incesto é comum para esse molestador, que não hesita em envolver seus filhos ou enteados na realização de seus desejos. Não é raro esse agressor fazer parte de grupos de pornografia infantil, mas escolhe uma faixa etária definida de vítimas ao atacar crianças.
Molestador situacional inadequado
Alguns autores enfatizam a possibilidade de que esse tipo de molestador sofra de alguma forma de transtorno mental (retardo mental, senilidade etc.) que o impossibilita de perceber a diferença entre certo e errado em suas práticas sexuais, ou seja, o caráter delituoso de seus atos. Em geral, não manifesta comportamento agressivo, isto é, não machuca a criança fisicamente, pois suas práticas sexuais envolvem abraçar, acariciar, lamber ou outros atos libidinosos que raramente incluem a relação sexual. Quando mantém relação sexual com a criança, esta tende a ser anal ou oral.
Pedófilo molestador preferencial
Para o molestador desse grupo, a gratificação sexual só será alcançada se a vítima for uma criança. Na realidade americana os agressores desse grupo tendem a ser mais inteligentes que a média da população e pertencem a classes sociais mais elevadas. Seu comportamento sexual está a serviço de suas parafilias e é persistente e compulsivo, orientado por suas fantasias. Focaliza sua ação em vítimas específicas, no seu relacionamento com elas ou no cenário dos fatos. Alguns colocam em prática com a criança as fantasias que têm vergonha de executar com um parceiro adulto. O número de vítimas desse tipo de molestador de crianças é altíssimo e ele costuma atacar mais meninos do que meninas.
A característica marcante desse tipo de molestador é a violência extrema, que chega até o homicídio. Ele pode ser do tipo: sedutor, sádico e introvertido.
Pedófilo molestador preferencial sedutor
De acordo com Holmes e Holmes, esse perfil representa um dos grupos mais perigosos, visto ser difícil para a criança escapar das suas mãos. Geralmente ele corteja, presenteia e seduz seus alvos e é capaz de percorrer qualquer distância para alcançá-los. Em princípio, esse ofensor não quer machucar a criança. Fica íntimo dela antes de molestá-la e insinua gradativa e indiretamente assuntos sexuais, usando pornografia infantil e parafernália sexual. Esse material tem como objetivo diminuir as inibições da vítima e criar a possibilidade de ela manter sexo com um adulto. Normalmente é solteiro, tem mais de 30 anos e estilo de vida e comportamento infantilizados.
Para que esse tipo de molestador infantil possa estar em constante contato com seus alvos, deixando crianças em vários estágios de sedução, é necessário que o contato seja legítimo. Sendo assim, as profissões escolhidas por esse tipo de agressor serão aquelas da qual as crianças são parte inquestionável, como funcionários de escolas, monitores de acampamento, técnicos esportivos, motoristas de ônibus escolar, fotógrafos, padres etc.
Pedófilo molestador preferencial sádico
Esses agressores pretendem molestar crianças com o expresso desejo de machucá-las. Seu excitamento sexual é diretamente proporcional à violência, que pode ser fatal.
O crime é premeditado e ritualizado, sendo resultado de elaborado plano de ataque. Ele não conhece a criança que ataca e não a seduz: utiliza-se de truques para tirá-la dos pais ou de armas para amedrontá-la ou simplesmente a leva a parquinhos, shopping centers e escolas.
A maioria dos molestadores desse tipo é do sexo masculino, tem personalidade antissocial, trabalha em empregos temporários e muda frequentemente de endereço ou de cidade. Antecedentes criminais envolvendo atos violentos, como estupro ou assalto, são comuns. Os meninos se caracterizam como a principal vítima desse molestador, que prefere o sexo anal. Machuca a criança de forma fatal, e a prática do canibalismo pode ser frequente. Castração de meninos, brutalização da área genital feminina e decapitação fazem parte do repertório de mutilações desse criminoso.
Pedófilo molestador preferencial introvertido
É um indivíduo que prefere crianças, mas não tem habilidade pessoal para seduzi-las. Tipicamente, mantém mínima comunicação verbal com a criança que escolhe. Em geral, ela é desconhecida e muito pequena para entender o que está acontecendo. Sua área de ação envolve os parques infantis ou locais com grande concentração de crianças, onde observa e/ou tem breves encontros sexuais. Telefonemas obscenos e exibicionismo também são ofensas comuns. Para realmente se relacionar sexualmente utiliza prostituição infantil, turismo sexual, internet ou se casa com a mãe das crianças que deseja para ter acesso legítimo e seguro e com a frequência que necessita.


ESTAR NO FUNDO DO POÇO...SOZINHA...ABANDONADA É UMA SENSAÇÃO CAUSADA PELA CONSEQUÊNCIA DO ABUSO SEXUAL...BYA.


Estupro não é por pouca... roupa / Sônia T. Felipe

Já escrevi em outro lugar e repito aqui: se o tamanho da roupa fosse a causa do estupro, bebês, idosas, deficientes e freiras jamais conheceriam essa violência.
Estupro é uma forma de assalto. O alvo do assalto é a parte sexual do corpo, a genitália e seus arredores, de pessoas vulneráveis. A vulnerabilidade pode ser o estado permanente da pessoa sexualmente assaltada, ou um estado transitório, um momento do qual o violentador se aproveita, em que a pessoa não tem como se defender, para produzir o assalto sexual, o estupro, ainda que a pessoa assaltada não esteja permanentemente numa condição vulnerável, como ocorre com crianças muito pequenas, com deficientes ou com idosas.
Estupro é violência física que tem exclusivamente como agente o macho inconformado com o fato de que os corpos das pessoas não disponibilizam o gozo que ele tanto almeja.
Estupro é prática de homens machistas até a raiz dos cabelos, criados em religiões machistas, formados em escolas machistas, educados em famílias machistas. Dizer que o tamanho da roupa de uma mulher é a causa que produz o estupro é desculpar os homens por sua barbaridade sexual, típico na cultura brasileira, onde são feitas essas pesquisas pretensamente neutras que acabam por reforçar a violência sexual sofrida pelas mulheres, pelas crianças, pelas idosas, independentemente do tamanho da roupa.
Vai alegar na Europa que o tamanho da roupa foi o que provocou o estupro, vai! Lá as pessoas se despem totalmente em muitos lugares, incluindo parques nos centros urbanos, para se exporem à luz do sol sem a qual não há formação da D, que fixa o cálcio nos ossos e ajuda a combater a depressão por falta do sol. Vai pesquisar nos países da Europa quantas pessoas foram estupradas por estarem peladas ao sol! Nunca isso aconteceu.
Fora do Brasil, esses brasileiros que levam na cabeça o seu membro viril, mais parecendo unicórnios do que homens, se comportam direitinho. É, tem homem que só tem isso bem no centro da cabeça e daí fica parecendo essa figura estranha.
Por que será que em lugares onde tais teses machistas não imperam, os homens se contêm? Se a pouca roupa fosse o caso, o estupro correria solto também na Europa. A ideia da pouca roupa é puritanismo, mais uma forma de repressão contra as mulheres.
E há mulheres que juntam sua voz para afirmar tais barbaridades, perpetuando assim a cultura machista, fálica e unicórnica na qual suas filhas meninas terão que crescer, submetendo suas escolhas estéticas ao padrão violento da sexualidade unicórnica, imposto a elas como limite para expressão de seu gosto pessoal. Estupradores usam seu pênis como um chifre: querem penetrar com violência o que não está aí para servi-los.
Bovinos usam seus chifres para se defenderem de ataques. Homens estupradores usam seu pênis para atacarem as mulheres que não estão aí para lhes oferecer o que cobiçam. Sexualidade violenta. De machos mal resolvidos. Impondo a todas as mulheres um padrão de vestir-se, quando não é o vestido que causa o estupro, é a cabeça mal formada do homem, deformada por conceitos violentos de superioridade da raça viril que o leva a penetrar o corpo de uma mulher usando a mesma estratégia do assalto à mão armada. Nesse caso, conforme escrevi num artigo há quase vinte anos, a arma é o pênis (para uma leitura maior, podem ver o livro: Estupro e atentado violento ao pudor, que escrevi em co-autoria com a jurista psicanalista Jeanine Nicolazzi Philippi, editado em 1998 pela Edufsc).
O corpo é o lugar sagrado no qual cada subjetividade se forma, o suporte sem o qual não há espírito, nem de homem, nem de mulher. Assaltar o corpo para realizar um ato que só tem sentido se consentido, é uma forma de violência que quer impor um padrão de sexualidade unicórnica, fálica a todas as mulheres. Funciona como funciona o ato terrorista: basta estuprar uma delas e todas as demais levam a lição.
No dia seguinte ao aviso de que a pouca roupa foi o que causou o estupro, todas as mães (por vezes os pais), em desespero, passam a examinar o tamanho da blusa, do short e da saia da filha quando sai para a noite ou para o trabalho. E é assim mesmo que a sexualidade unicórnica imposta pelos homens e reverenciada pelas mulheres vai forjando um tipo de sexualidade da qual a mulher foi excluída, na qual ela não pode se expressar, à qual ela sucumbe. Infelizmente, as mulheres foram educadas para achar que sua sexualidade se resume em atender aos apelos do órgão pendurado no corpo de um homem. A sexualidade de uma mulher não é fálica. Quando o falo se impõe como padrão, destino e sujeito da interação sexual, a mulher é derrotada. Estupradores nada mais fazem do que derrotar aquela que elegem para assaltar sexualmente. E muitas mulheres, mesmo as que não sofrem estupros na forma em que o conceito se impôs, são estupradas em sua sexualidade por esse padrão unicórnico imposto ao sexo delas.
Culpar a mulher, a criança, o bebê, a idosa, o idoso (mais raro, mas acontece), o rapaz, por sofrerem um estupro é da mesma ordem que culpar qualquer pessoa por levar sua carteira com dinheiro e documentos consigo e sofrer um assalto.
Você foi assaltada, assaltado? Estava pedindo, não é mesmo? Quem mandou andar com a carteira no bolso! Se as mulheres têm que vestir mantos dos pés à cabeça (e burkas) para não despertarem nos unicórnios estupradores qualquer impulso físico, então a mesma lógica deverá ser aplicada para que não haja mais assaltos: ninguém mais deve andar com carteira, com celular, com relógio, com carro, ter casa, objetos de valor na casa... nada nada que dê ideia ao assaltante de usar de violência para obter o que deveria ter apenas como fruto de sua conquista.
Não é diferente com sexo. Quer ter uma interação sexual? Tá precisando? Dê-se ao trabalho de conseguir isso com o consentimento da outra pessoa. Se não invertermos essa pesquisa machista, já, daqui a pouco esse instituto vai fazer nova pesquisa induzida e colocará lá a inteligente questão: Você acha que haveria assaltos na rua se ninguém mais saísse à rua? Êta gente inteligente, não é mesmo? Isso sim é uma vergonha nacional.
Sinto vergonha alheia, por ver homens e mulheres defendendo o estupro em respostas induzidas, e por ser mulher e ver gente (instruída) induzindo as pessoas a defenderem o estupro.
Divulgar o resultado de uma pesquisa mal feita como essa tem como resultado reforçar o que dizem ter ido investigar. Não foram pesquisar coisa alguma. Fizeram a pergunta de tal modo que automaticamente 65% dos entrevistados escolheram a resposta mais rápida, para parecerem inteligentes. Pesquisa de fatos, genuína, não induz nada. A indução na resposta tem o propósito de facilitar a contabilidade dos dados obtidos. Os dados obtidos são exatamente os que foram oferecidos ao entrevistado.
Portanto, a divulgação do resultado da pesquisa deveria ser assim: Pesquisadoras/es do IPEA creem que o estupro se deva à pouca roupa das mulheres. Ponto. Isso seria divulgar o que está na cabeça de quem formatou a pesquisa, aliás, péssima/o cientista. Fiz muita pesquisa nas ruas em toda a minha vida. E analisei muitas também, justamente nos 15 anos em que mais estudei o estupro e fiz palestras sobre ele.
Quanto ao unicórnio, que uma leitora lamentou, nos comentários de um compartilhamento, ter sido usado como metáfora da cultura fálica instalada pelo nosso país afora, o fiz justamente por ser um animal criado pelo imaginário com um design nada sutil do falo pontudo bem no meio da cabeça.
Esse design me leva a crer que quem o criou tinha exatamente um falo no meio de sua cabeça e criou a figura para que todas as mulheres venerem o falo. Não é de graça que induzem todas as mulheres a acharem lindinho o unicórnio. Fiquem espertas com imagens fálicas. É assim que plantam o falo na mente das mulheres, ocupando um espaço que elas deveriam cultivar para deixar florescer a sua própria sexualidade, com sua singularidade que não evoluiu para reverenciar o falo. Que os homens reverenciem seus falos. Aliás, a maior parte só sabe mesmo é fazer isso. Temos coisas mais sérias para tratar quando tratamos de expressar nossa sexualidade. Tá faltando admiração pelo que é da mulher. Tudo está voltado para o que é do homem. Tá havendo uma falta grande... e não é de roupa não.