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sexta-feira, 12 de abril de 2013

ADMIRO DEMASIADAMENTE ESSA MULHER / Maria Inês Oliveira

Estupro em zonas de guerra é evitável, diz Angelina Jolie a ministros do G8

A atriz Angelina Jolie disse nesta quinta-feira que o estupro em zonas de guerra é passível de ser evitado e fez um apelo aos ministros de Relações Exteriores de alguns dos países mais poderosos do mundo a impulsionar os esforços para levar criminosos sexuais de guerra à Justiça.

Falando em Londres depois de uma reunião com ministros do G8, incluindo o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, a atriz afirmou que o mundo precisa fazer mais para evitar tais crimes.

"Centenas de milhares de mulheres e crianças foram agredidas sexualmente, torturadas ou forçadas à escravidão sexual nas guerras de nossa geração", disse Jolie aos oito ministros e a representante especial das Nações Unidas sobre violência sexual em conflitos, Hawa Zainab Bangura.

"Hoje eu acredito que suas vozes são ouvidas e que finalmente temos alguma esperança para oferecer a elas", completou Jolie, que é embaixadora da boa vontade do alto comissariado da ONU para os refugiados.

Chanceleres do G8 concordaram em fazer um clamor para aumentar os esforços em busca de justiça para as vítimas de abuso, incluindo 35,5 milhões de dólares em financiamento para esforços de prevenção e de resposta.

"Estupro em zonas de guerra não é inevitável", disse Jolie. "Esta violência pode ser evitada, e deve ser confrontada."

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que a incidência de estupro em conflitos desde Ruanda até a Bósnia-Herzegovina foi uma das injustiças mais negligenciadas do mundo.

"Sabemos que um grande número de vítimas de violência sexual é de crianças: muitas vezes as crianças são muito jovens e, por vezes, bebês", disse Hague. "Sabemos que esta violência inflige sofrimento inimaginável, destrói famílias e comunidades."


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Síndrome de Burnout

http://www.nepas.org.br/abcs/v36n3/36abcs140.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_de_burnout

A síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico descrito em 1974 por Freudenberger, um médico americano. O transtorno está registrado no Grupo V da CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde).

Sua principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes. A síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso.

Profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm risco maior de desenvolver o transtorno.

Sintomas

O sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima.

Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, distúrbios gastrintestinais são manifestações físicas que podem estar associadas à síndrome.

Diagnóstico

O diagnóstico leva em conta o levantamento da história do paciente e seu envolvimento e realização pessoal no trabalho.

Respostas psicométricas a questionário baseado na Escala Likert também ajudam a estabelecer o diagnóstico.

Tratamento

O tratamento inclui o uso de antidepressivos e psicoterapia. Atividade física regular e exercícios de relaxamento também ajudam a controlar os sintomas.

Recomendações

* Não use a falta de tempo como desculpa para não praticar exercícios físicos e não desfrutar momentos de descontração e lazer. Mudanças no estilo de vida podem ser a melhor forma de prevenir ou tratar a síndrome de burnout;

* Conscientize-se de que o consumo de álcool e de outras drogas para afastar as crises de ansiedade e depressão não é um bom remédio para resolver o problema;

* Avalie quanto as condições de trabalho estão interferindo em sua qualidade de vida e prejudicando sua saúde física e mental. Avalie também a possibilidade de propor nova dinâmica para as atividades diárias e objetivos profissionais.






Adolescente comete suicídio após colegas divulgarem foto dela sendo estuprada.


 Rehtaeh Parsons, uma adolescente canadense, cometeu suicídio em Halifax, no Estado da Nova Escócia, após sofrer bullying por mais de um ano e meio em decorrência de um estupro que sofreu quando tinha 15 anos, que ficou público após a divulgação de uma foto do ocorrido, tirada pelos agressores. A imagem se tornou um viral e agravou os problemas psicológicos que a garota desenvolveu após o trauma. Ela tinha 17 anos e morreu no hospital, após tentar se enforcar em casa na última quinta (04).

Segundo a rede de TV CNN, a família afirmou que Rehtaeh demonstrou tendências suicidas desde que a foto da violência circulou entre colegas de escolas através de e-mails e mensagens de textos. Segundo Leah Parsons, mãe da jovem, ela mudou de escola, fez análise, mas o estado psicológico da filha piorou depois que uma investigação sobre seu estupro foi encerrada sem penas para os quatro envolvidos. 

No facebook, a mãe da adolescente criou uma página em homenagem à jovem e postou: “Rehtaeh nos deixou hoje porque quatro garotos acharam que estuprar uma garota de 15 anos não teria problema e distribuir uma foto que arruinou seu espírito e reputação seria divertido. Todo o bullying e perturbação ocasionou isso. Depois, a Justiça também falhou com ela. Essas são as pessoas que me tiraram minha linda garota”. 

O porta voz da polícia de Halifax, Scott MacRae, justificou o encerramento de caso na falta de evidências para que alguém fosse punido pelo suposto estupro. As autoridades confirmaram, porém, que uma foto da garota fazendo sexo com um dos quatro acusados circulou entre celulares e computadores, o que faria com que, mesmo se o ato fosse consensual, as imagens seriam consideradas pornografia infantil, mas mesmo para esse fato não houve pena.

Fonte: http://news.nationalpost.com/
http://brasiliaempauta.com.br/
www.ibtimes.com

Postado por Vítor Soares.


Foto: Adolescente comete suicídio após colegas divulgarem foto dela sendo estuprada.





Rehtaeh Parsons, uma adolescente canadense, cometeu suicídio em Halifax, no Estado da Nova Escócia, após sofrer bullying por mais de um ano e meio em decorrência de um estupro que sofreu quando tinha 15 anos, que ficou público após a divulgação de uma foto do ocorrido, tirada pelos agressores. A imagem se tornou um viral e agravou os problemas psicológicos que a garota desenvolveu após o trauma. Ela tinha 17 anos e morreu no hospital, após tentar se enforcar em casa na última quinta (04).

Segundo a rede de TV CNN, a família afirmou que Rehtaeh demonstrou tendências suicidas desde que a foto da violência circulou entre colegas de escolas através de e-mails e mensagens de textos. Segundo Leah Parsons, mãe da jovem, ela mudou de escola, fez análise, mas o estado psicológico da filha piorou depois que uma investigação sobre seu estupro foi encerrada sem penas para os quatro envolvidos.  

No facebook, a mãe da adolescente criou uma página em homenagem à jovem e postou: “Rehtaeh nos deixou hoje porque quatro garotos acharam que estuprar uma garota de 15 anos não teria problema e distribuir uma foto que arruinou seu espírito e reputação seria divertido. Todo o bullying e perturbação ocasionou isso. Depois, a Justiça também falhou com ela. Essas são as pessoas que me tiraram minha linda garota”.  

O porta voz da polícia de Halifax, Scott MacRae, justificou o encerramento de caso na falta de evidências para que alguém fosse punido pelo suposto estupro. As autoridades confirmaram, porém, que uma foto da garota fazendo sexo com um dos quatro acusados circulou entre celulares e computadores, o que faria com que, mesmo se o ato fosse consensual, as imagens seriam consideradas pornografia infantil, mas mesmo para esse fato não houve pena.

Fonte: http://news.nationalpost.com
http://brasiliaempauta.com.br
www.ibtimes.com

Postado por Vítor Soares.
NÃO DEIXEM DE LER O DEPOIMENTO DA LYA NO BLOG DE DEPOIMENTOS!!! BYA

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Coração Quebrado / Bya Albuquerque

Em nove meses tive meu segundo princípio de infarto. Altamente doloroso e desagradável. Senti os sintomas, mas como da primeira vez, não dei muita atenção e demorei a procurar socorro. Esse fato poderia ter me custado a vida. 
Esse é o maldito legado do meu pai. Não bastou me violentar sexualmente e emocionalmente...não bastou privar-me das melhores coisas que a adolescência e a juventude podem oferecer...não bastou todas as calúnias e atos dignos de um psicopata que separou-me totalmente da família e de outras pessoas que eu apreciava. Deixou-me também a saúde física precária, influenciada pela falta de saúde emocional (depressão e stress pós traumático). Meu corpo e minha alma foram brutalmente e cruelmente violados...mutilados. Já sitei várias consequências do abuso sofrido por mim nesse blog. Nenhum deles é tão letal como a incerteza se amanhã estarei em pé...cuidando de mim e dos meus filhos...fazer a faculdade de psicologia...trabalhar...simplesmente viver.
Imagino que muitos poderão considerar esse texto agressivo...escrito por uma pessoa extremamente revoltada. Porém não é assim. A revolta já passou faz muito tempo, mas tenho o direito de ficar brava SIM com toda essa situação. Muitos esquecem que sou a VÍTIMA...que nunca desejei isso para mim. E uma coisa que aprendi com a terapia que não devo sentir vergonha de todos esses fatos e que falar alivia e faz bem.
Vou citar alguns dos sintomas, para que outras mulheres não subestimem as dores ou o mal estar.
Os dois novos sintomas, que exatamente chamaram a minha atenção pelo fato de raramente senti-los foram: azia e dor nas costas.
Outros: suor intenso...enjoo e ânsia de vomito, chegando a vomitar tomando só água... uma fadiga intensa...dor no peito como se tivesse um bloco de concreto esmagando o mesmo... falta de ar... pontadas no coração... dor no braço esquerdo... formigamento nas mãos. Esses são também os sintomas (segundo o cardiologista) da Síndrome de Pânico, que graças a Deus não tenho e nunca tive.
Esse meu pequeno relato intenciona duas coisas: mostrar às pessoas como uma violência é brutal em todos os sentidos e que nós, mulheres, precisamos ficar alertas e atentas aos certos sintomas...nunca os subestimando.






































sábado, 6 de abril de 2013

Texto da Nilma Freitas


Foi então que o vento começou a soprar. Compreendi que viver é isto. Uma canoa que a vida nos empresta e só vale o quanto temos disposição para remar. Tenho medo que a minha termine num gemido afogado, por ter batido em uma rocha atormentada por lembranças que ela decidiu petrificar. Mas preferi acreditar que o temporal passaria largo e ao invés de se despedaçar eu a encontraria reluzente sobre as águas. Às vezes eu fico de pé dentro dela, gosto de olhar a travessia. Gosto de forçar o remo e sentir como é bonita a maneira como ela deixa tudo para trás. Olho para as margens e vejo o sol mergulhar no horizonte. Vejo as flores, os bosques, os prados, os jardins, as florestas e seus bichos correndo para os montes. Quero um mundo com o qual eu possa me emocionar. Quero ter a soberania de uma borboleta almirante e cessar fogo no entrecortar de minhas asas. Quero uma paisagem pela qual valha a pena lutar.
 

Sintomas do infarto feminino




Sintomas do infarto feminino

Mais de 200 mulheres morrem por dia por causa do infarto, problema que já mata seis vezes mais do que o câncer de mama
Texto: Lara Vendramini


Sintomas do infarto feminino
Foto: Thinkstock/Getty Images
O sexo feminino corresponde a 30% dos casos de infarto. “Ao comparar os casos entre jovens, o homem tem muito mais infarto. Porém, como a mulher vive mais, depois da menopausa elas apresentam até mais doenças do que eles. O homem adoece mais até a menopausa da mulher, depois ocorre um equilíbrio”, avalia o cardiologista Roberto Giraldez, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da Universidade de São Paulo (USP).
Após a menopausa
Estatísticas revelam que o infarto ocorre duas a três vezes mais após a menopausa, quando se comparam mulheres de mesma idade. Sabe-se também que quanto mais jovem a mulher entra na menopausa, maiores os riscos de desenvolver as doenças cardiovasculares. Durante muitos anos acreditou-se que a patologia ocorria em decorrência da perda da proteção do estrógeno, hormônio produzido durante a vida fértil da mulher. “A parada de produção do estrógeno pelo ovário provoca alterações no perfil do colesterol, levando ao aumento do colesterol ruim (LDL) e dos triglicérides”, explica o cardiologista Fernando Abrão Adura, do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André (SP). A crença da contribuição dos hormônios femininos para a doença ainda existe no meio médico, mas não é totalmente clara.
Seguindo essa linha de pensamento, a solução mais óbvia seria a reposição hormonal após a menopausa, porém isso mostrou-se paradoxalmente prejudicial. “Essa reposição após a menopausa tem uma tendência a aumentar os riscos da mulher ter doença do coração. Acredita-se que a proteção tem a ver com os hormônios, mas ainda não dá para saber exatamente como isso ocorre”, esclarece Giraldez.
Casos jovens
Não é só na maturidade que o sexo feminino deve se preocupar com o infarto. Atualmente, duas mulheres, de 20 a 39 anos, são internadas todos os dias vítimas do problema, estatística que tem assustado cardiologistas. Especialistas ressaltam que  é nessa fase, dos 20 até cerca dos 40 anos, que a ala feminina mais produz e é cobrada, tanto dos filhos, parceiros e no ambiente de trabalho, em busca de um espaço no mercado. As principais vítimas estão submetidas, em geral, a estresse, alimentação inadequada, pouco sono, fumo, sobrepeso e sedentarismo. Em jornadas até mesmo triplas, no papel de mãe, dona de casa e profissional dedicada, a figura da mulher moderna parece se aproximar da mulher maravilha, com os compromissos sendo salvos, porém correndo risco de morte.
Em qualquer idade
Quem deseja fugir das estatísticas deve apostar na prevenção e mudança de hábitos. Uma pesquisa realizada pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, indica que o risco de infarto em mulheres fumantes é seis vezes maior do que nas não fumantes. A combinação de fumo com pílula anticoncepcional pode agravar o quadro. De acordo com estudo norte-americano, nesses casos, o risco da mulher sofrer um ataque cardíaco pode ser até 30 vezes maior. A explicação disso está na redução pelo cigarro do efeito protetor dos hormônios femininos contra o infarto. Por isso, é importante buscar ajuda de um ginecologista para escolher o método anticoncepcional ideal em cada caso. Evitar o estresse, melhorar a alimentação e realizar visitas regulares ao médico também entram na lista de tarefas anti-infarto.
De olho no sintomas
Mulheres não têm sinais que homens têm durante um infarto e a maior resistência feminina à dor pode mascarar o problema, o chamado infarto silencioso. A qualquer sinal de dor no peito ou sensação muito desagradável ou anormal, procure o hospital mais próximo.
5 principais sintomas de infarto
-Falta de ar
-Cansaço súbito
-Náuseas e vômito
-Dor nas costas. Costuma ser bem no meio das costas, mas pode ocorrer em qualquer parte da área. Fique atenta se sentir essa dor durante um exercício físico ou uma situação estressante, como discussão.
-Pressão na parte inferior do corpo, muitas vezes confundida com dor de estômago.

Consultoria: Roberto Giraldez, cardiologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da FMUSP; Fernando Abrão Adura, cardiologista do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André (SP)
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Frases sobre a Violência / Fonte: Google


"A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota." Jean-Paul Sartre


"A violência é o último refúgio do incompetente." 
Isaac Asimov


"A violência é sempre terrível, mesmo quando a causa é justa." Friedrich Von Schiller


"A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano." 
Papa João Paulo II


"A não violência requer muito mais que coragem do que a violência." Mahatma Gandhi


"A violência é uma questão de poder. As pessoas se tornam violentas quando se sentem impotentes." Andrew Schneider


"A não violência leva-nos aos mais altos conceitos de ética, o objetivo de toda evolução. Até pararmos de prejudicar todos os outros seres do planeta, nós continuaremos selvagens." Thomas Edison


"Existem três tipos de violência: um, pelos nossos atos; dois, pelas nossas palavras; e três, pelos nossos pensamentos. A raiz de toda violência está no mundo dos pensamentos, e é por isso que treinar a mente é tão importante." Eknath Easwaran


"Querer saber - o que parece tão difícil - se não é errado, entre tantos seres vivos que praticam a violência, ser o único ou um dos poucos não violentos, não é diferente de querer saber se seria possível ser sóbrio entre tantos embriagados, e se não seria melhor que todos começassem logo a beber." Liev Tolstói

"A violência leva à violência, e justifica-a." 
Théophile Gautier

terça-feira, 2 de abril de 2013

PAI PSICOPATA E ABUSADOR SEXUAL / FONTE: GOOGLE


Abuso sexual
 
O que é 
O abuso sexual é uma situação em que uma criança ou adolescente é usado para gratificação sexual de um adulto ou mesmo de um adolescente mais velho, baseado em uma relação de poder que pode incluir desde carícias, manipulação da genitália, mama ou ânus, exploração sexual, voyeurismo, pornografia e exibicionismo, até o ato sexual com ou sem penetração, com ou sem violência. A etiologia e os fatores determinantes do abuso sexual contra a criança e o adolescente têm implicações diversas. Envolvem questões culturais (como é o caso do incesto) e de relacionamento (dependência social e afetiva entre os membros da família), o que dificulta a notificação e perpetua o "muro do silêncio". Envolvem questões de sexualidade, seja da criança, do adolescente ou dos pais, e da complexa dinâmica familiar.  
Na maioria dos casos, o abusador é uma pessoa que a criança conhece, confia e, freqüentemente, ama. Pode ocorrer com usa da força e da violência mas, na maioria das vezes, estas não estão presentes. O agressor é quase sempre um membro da família ou responsável pela criança, que abusa de uma situação de dependência afetiva e/ou econômica da criança ou adolescente. É importante destacar que, por vezes, o abusador é um adolescente.  
  
 
Mitos e realidades sobre o abuso sexual 
  
Mitos Realidades 
O abusador sexual é um psicopata, um tarado que todos reconhecem na rua Na maioria das vezes, são pessoas aparentemente normais e que são queridas pelas crianças e pelos adolescentes.  
O estranho representa o perigo maior às crianças e adolescentes Os estranhos são responsáveis por um pequeno percentual dos casos registrados. Na maioria das vezes, as crianças e adolescentes são sexualmente abusados por pessoas que já conhecem, como pai/mãe, madrasta/padrasto, namorado da mãe, parentes, vizinhos, amigos da família, colegas de escola, babá, professor(a) ou médico(a).  
O abuso sexual está associado a lesões corporais A violência física contra crianças e adolescentes abusados sexualmente não é o mais comum, mas o uso de ameaças e/ou a conquista da confiança e do afeto da criança. As crianças e os adolescentes são, em geral, prejudicados pelas conseqüências psicológicas do abuso sexual.  
O abuso sexual, na maioria dos casos, ocorre longe da casa da criança ou do adolescente O abuso ocorre, com freqüência, dentro ou perto da casa da criança ou do abusador. As vítimas e os abusadores são, muitas vezes, do mesmo grupo étnico e nível sócio-econômico.  
O abuso sexual se limita ao estupro Além do ato sexual com penetração vaginal (estupro) ou anal, outros atos são considerados abuso sexual, como o voyeurismo, a manipulação de órgãos sexuais, a pornografia e o exibicionismo.  
A maioria dos casos é denunciada Estima-se que poucos casos, na verdade, são denunciados. Quando há o envolvimento de familiares, existem poucas probabilidades de que a vítima faça a denúncia, seja por motivos afetivos ou por medo do abusador; medo de perder os pais; de ser expulso(a); de que outros membros da família não acreditem em sua história; ou de ser o(a) causador(a) da discórdia familiar.  
As vítimas do abuso sexual são oriundas de famílias de nível sócio-econômico baixo Níveis de renda familiar e de educação são indicadores do abuso. Famílias das classes média e alta podem ter condições melhores para encobrir o abuso, pois geralmente as crianças são levadas para clínicas particulares, onde são atendidas por médicos da família, encontrando maior facilidade para abafar a situação.  
A criança mente e inventa que é abusada sexualmente Raramente a criança mente. Apenas 6% dos casos são fictícios. 

  O que fazer ao tomar conhecimento?
 
Do ponto de vista legal
Muitas pessoas têm dificuldade em comunicar possíveis casos de abuso sexual às autoridades. No entanto, as conseqüências de não notificar o abuso sexual podem ser fatais. Um outro fator que atrapalha a denúncia é a descrença nas possíveis soluções, pois, na prática, nem todos os casos são legalmente comprováveis em razão de não existir uma estrutura judicial e policial satisfatórias, sob o ponto de vista da investigação. A Constituição Federal, o Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069, de 13/07/1990) dispõem sobre a proteção da criança e do adolescente contra qualquer forma de abuso sexual e determinam penalidades, não apenas para os que praticam o ato mas, também, para aqueles que se omitem. 
Estes são alguns dos artigos que tratam deste assunto: 
Da Constituição Federal: 
"Art. 227 - É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 
(...) 
Parágrafo 4º - A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente" 
Do Código Penal: 
"Art. 213 - Estupro: constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça. 
Art. 214 - Atentado violento ao pudor: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal. 
(...) 
Art. 224 - Presume-se a violência se a vítima: 
a) não é maior de 14 (quatorze) anos; 
b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância; 
c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência." 

Do Estatuto da Criança e do Adolescente: 
"Art. 5º - Nenhuma criança ou adolescentte será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. 
(...) 
Art. 13 - Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra a criança ou o adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. 
(...) 
Art. 130 - Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsáveis, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum. 
(...) 
Art. 245 - Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente. Pena: multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. 
(...) 
Art. 262 - Enquanto não instalados os Conselhos Tutelares, as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária". 
 

No caso de abuso sexual de crianças e adolescentes, especialmente quando não há evidência física do abuso, é necessária a utilização de entrevistas por pessoal treinado, já que a única fonte de informação, na maioria das vezes, é o relato da criança ou do adolescente, que precisa ser ouvido e acreditado. Face a suspeita ou confirmação de abuso sexual, deve-se comunicar imediatamente ao Conselho Tutelar do seu município ou, em sua falta, ao Juizado da Infância e da Juventude. 
Vale ressaltar que a omissão, além de ser a maior aliada à perpetuação do abuso, é também punida na forma da Lei. A comunicação pode ser feita por telefone ou por escrito, podendo ser utilizado os seguinte modelo, tendo o cuidado de endereçar corretamente como descrito abaixo: 
 


Conseqüências do abuso sexual
Crianças ou adolescentes que foram sexualmente abusados por seu pai, tio, irmão, avô ou algum outro amigo ou conhecido de confiança da família poderão ter uma visão muito diferente do mundo e dos relacionamentos interpessoais em relação àqueles que cresceram em um ambiente familiar amoroso, protetor e com fronteiras familiares bem definidas. Meninas que são sexualmente abusadas por seus parentes são levadas, muitas vezes, a sentir que a culpa foi delas ou que foram elas que "provocaram a situação". Pode lhes ser dito que "todos os pais fazem isso", ou que "estou somente lhe educando sexualmente". Em virtude de ouvirem essas mensagens, freqüentemente crescem sentindo que não têm valor. Aceitam, portanto, o ponto de vista do agressor, que afirma que são úteis somente desempenhando papéis que sejam de pouca importância ou que sejam predominantemente sexuais. 
Algumas vezes, nada é dito; a atividade sexual começa simplesmente quando a criança é muito pequena, podendo se estender ao período da adolescência e, em alguns casos, ter ainda uma continuidade. Existem barreiras óbvias para meninos e adolescentes do sexo masculino relatarem o abuso sexual praticado contra eles por homens mais velhos. Em primeiro lugar, há o "tabu duplo": incesto e homossexualidade. Em segundo, pode ser difícil para alguns indivíduos do sexo masculino aceitarem que não são capazes de se proteger (que não são "machos" o suficiente). Em terceiro, espera-se que os homens sejam auto confiantes e que não digam para os outros se estão magoados. E, por fim, há uma carência de cobertura da mídia em relação a meninos enquanto vítimas; eles são, na maioria das vezes, retratados como agressores. 
O abuso sexual infantil fornece a ambos, meninas e meninos, informações errôneas sobre relacionamento entre adultos e crianças. Uma relação envolvendo abuso sexual entre um adulto e uma criança - ou adolescente - é baseada emm um poder e conhecimento desiguais. À medida que estas crianças crescem, percebem que sua confiança e seu amor foram traídos. Conseqüentemente, pode ser difícil para elas voltar a confiar em alguém, e isso pode gerar problemas em seus relacionamentos na vida adulta. 
 

Comportamentos que podem ser observados em crianças/adolescentes abusados sexualmente:
- altos níveis de ansiedade 
- imagem corporal distorcida 
- baixa auto-estima 
- sentimentos de menos-valia 
- distúrbios no sono (sonolência, pesadelos) 
- distúrbios na alimentação (perda ou excesso de apetite) 
- enurese noturna (urinar na cama) 
- distúrbios no aprendizado 
- comportamento muito agressivo, apático ou isolado 
- comportamento extremamente tenso, em "estado de alerta 
- regressão a um comportamento muito infantil 
- tristeza, abatimento profundo 
- comportamento sexualmente explícito (ao brincar, demonstra conhecimento inapropriado para sua idade) 
- masturbação visível e contínua, brincadeiras sexuais agressivas 
- relutância em voltar para casa 
- não freqüentar a escola por vontade dos pais 
- faltar freqüentemente à escola 
- não participar das atividades escolares, ter poucos amigos 
- não confiar em adultos, especialmente os que lhe são próximos 
- idéias e tentativas de suicídio 
- auto-flagelação 
- fugas de casa 
- dificuldades de concentração 
- choro sem causa aparente 
- hiperatividade 
- comportamento rebelde  

Lembre-se que “... acreditar na criança/adolescente pode significar sua sobrevivência “. 
 

Psicopata: mente cruel em rosto agradável / Reportagem Kariny Martins Edição Rodrigo Batista


Charmosos e simpáticos; mentirosos e manipuladores. Os psicopatas não se importam de passar por cima de tudo e de todos para alcançar seus objetivos. Egocêntricos e narcisistas, eles não sentem remorso, muito menos culpa. Se algo ou alguém ameaça seus planos, tornam-se agressivos. São mestres em inverter o jogo, colocando-se no papel de ví­timas. E estão sempre conscientes de todos os seus atos, pois, diferentemente do que ocorre em outras doenças mentais, os psicopatas não entram em delí­rio.
A psicopatia atinge cerca de 4% da população (3% de homens e 1% de mulheres), segundo a classificação americana de transtornos mentais. Sendo assim, um em cada 25 brasileiros enquadra-se nesse perfil. Mas isso não significa, é claro, que todos são assassinos em potencial.
Estudos coordenados por diversos pesquisadores, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, é comum que os psicopatas recorram à violência fí­sica e sexual. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta. Alguns pesquisadores acreditam até que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na polí­tica, nos negócios ou nas artes.
O psicólogo Leonardo Fd Araujo, especialista em psicologia clí­nica pela Universidade Tuiuti do Paraná, concedeu entrevista ao Comunicação On-line e fala mais sobre a psicopatia e os psicopatas.
Comunicação On-line: O que caracteriza a psicopatia?
Araújo: O egocentrismo, a ausência de culpa e remorso, o excesso de razão e inexistência de emoção são as principais caracterí­sticas. Os psicopatas fingem e mentem muito bem, e forjam o afeto. Além disso, há os prejuí­zos sociais causados por esse tipo de transtorno mental, tais como agressões, estupros e assassinatos. É preciso ressaltar que o psicopata sente prazer em cometer o mal, em conseguir concretizar o que ele almeja. O falsário sente um extremo prazer ao conseguir enganar alguém, assim como o estuprador sente o mesmo ao cometer um estupro. Quando o mal está feito, ele não se culpa e ainda procura cometer outros crimes contra outras ví­timas.
Comunicação On-line: O psicopata é pintado geralmente como um assassino. Mas esse é o único perfil de um psicopata?
Araujo: O psicopata apresenta vários perfis. A grosso modo, existe o psicopata leve, moderado e grave. O psicopata leve é o conhecido “171″, aplica pequenos golpes e engana pessoas de bem. O moderado já se envolve de maneira mais contundente com as ví­timas dos golpes, que quase sempre envolvem muitas pessoas e grandes somas em dinheiro. Já o psicopata grave, esse sim é o mais conhecido pelo público leigo. É o indiví­duo que comete assassinatos a sangue frio, sejam em série ou não. Nos noticiários, infelizmente, volta e meia aparecem casos de assassinos e estupradores seriais, muitas vezes crimes com requintes de crueldade. O que os diferencia é a forma de agir. Uns sentem prazer no estupro, em torturar, outros em torturar e matar.
Comunicação On-line: O que pode levar um indiví­duo a cometer atitudes de psicopatas?
Araujo: A psicopatia tem causa multifatorial. Há estudos que demonstram que psicopatas que tiveram uma infância repleta de violência e com uma famí­lia desestruturada, podem chegar a cometer crimes graves contra a vida. Ou seja, podem se tornar verdadeiros predadores sociais, causando sérios prejuí­zos à sociedade. Há também fatores genéticos, fatores próprios de cada indiví­duo e fatores de ordem social que quando somados, podem levar à psicopatia.
Comunicação On-line: Existe uma maneira de perceber que uma pessoa é um psicopata?
Araujo: Isso é bem complicado. É sempre bom desconfiar de pessoas que se apresentam de forma sedutora, com idéias mirabolantes, sempre muito agradáveis. A mí­dia já retratou diversos casos de impostores. Eles se aproveitam de mulheres quase sempre muito bem colocadas profissionalmente, prometem mundos e fundos, enfim, ganham a confiança da ví­tima. Quando menos se espera, o impostor pede um dinheiro para completar a compra de um imóvel ou de um carro, e promete pagar assim que possí­vel, ou assim que fechar outro negócio. A partir daí­, já é tarde para reagir. Geralmente esses impostores somem no dia seguinte sem deixar nenhum vestí­gio. Coisa parecida acontece nos casos de estupradores e assassinos seriais. O psicopata vem com uma conversa agradável, dizendo que a moça é muito bonita, que quer tirar umas fotos dela para a agência de modelos. Pronto, a armadilha foi colocada, dificilmente a ví­tima terá escapatória. Esse tipo de abordagem foi usada, por exemplo, pelo Maní­aco do Parque em São Paulo.
Comunicação On-line: Uma pessoa que possui um perfil de psicopata nasce com essas caracterí­sticas, ou pode adquiri-las?
Araujo: O psicopata já o é desde o nascimento. Mais cedo ou mais tarde, o transtorno pode ser deflagrado, em maior ou menor grau. Estudos demonstram que filhos de psicopatas têm cinco vezes mais chances de desenvolver o mesmo transtorno. Sabemos que todo transtorno mental tem causas biológicas, psí­quicas e sociais. Uma criança filha de psicopata, que sofreu abuso e violência, tem ainda mais chances de desenvolver o transtorno. Um jovem pode desde cedo começar a demonstrar os primeiros sinais de que há algo errado. Por volta dos 15 anos pode apresentar os primeiros sinais de transtorno de conduta e se não tratado, pode evoluir para a psicopatia.
Comunicação On-line: Como é o relacionamento social do psicopata? Ele consegue ter uma vida social, com amigos, trabalho e estrutura como outra pessoa qualquer?
Araujo: O relacionamento social de um psicopata é movido por interesses. O problema é que na maioria das vezes é uma via de mão única: as vantagens são almejadas apenas para benefí­cio próprio. Nem que para isso seja necessário passar por cima de quem estiver em seu caminho, causando sérios problemas para quem o cerca. É importante ressaltar que os prejuízos monetários, morais, fí­sicos e psí­quicos que as ví­timas do psicopata sofrem são incalculáveis. No trabalho, o processo é o mesmo. A vida laboral do psicopata é repleta de desmandos, crises com superiores e intrigas. Para os que convivem com um psicopata, principalmente familiares, a relação é sempre difí­cil e conturbada. Os familiares percebem que algo está errado, mas para o psicopata está tudo na mais perfeita ordem.
Comunicação On-line: Aos olhos da maioria da população, as atitudes dessas pessoas são reprováveis. O psicopata tem consciência de que aquilo que ele faz é errado?
Araujo: Esse é um ponto importante. O psicopata sabe exatamente o que faz inclusive que tais atos são ilegais ou imorais. Ele tem ciência de que pode ser pego pela polí­cia e levado à justiça. Sendo assim, o psicopata calcula meticulosamente os seus passos. Um estelionatário ardiloso, por exemplo, planeja cada passo, cada detalhe para que seu plano tenha êxito e para que nada seja descoberto antes do tempo. Tudo o que o psicopata faz é normal e natural, para ele mesmo, é claro. Por não sofrer de remorso ou culpa, comete os piores crimes e atrocidades sem pestanejar.
Comunicação On-line: Assim como outros distúrbios da mente, a psicopatia tem algum tratamento?
Araujo: Para praticamente todos os casos, o tratamento tem pouco ou nenhum efeito. É preciso entender que a maneira de ser do psicopata é algo ruim para nós, mas para eles é algo perfeitamente normal e aceitável. Ainda não soube de nenhum caso de um psicopata estelionatário que passe por uma crise existencial e procure um tratamento. No psicopata grave então, nem se fala. As tentativas de intervenção, para estes casos graves, se dão no meio carcerário. Infelizmente, tais intervenções, são complicadas e conturbadas. Adoraria dizer o contrario, mas ainda não há cura para a psicopatia, e o tratamento se dá visando a redução de danos. Ou seja, é uma tentativa de tratamento que tem como objetivo diminuir os efeitos e os prejuízos sociais causados pelo psicopata.

abril 2002 Mente que mataPor que certas pessoas não conseguem conter o impulso violento que há em todos nós? O que leva alguns criminosos a ser tão cruéis? Saiba o que diz a ciência. por Rodrigo Cavalcante / Adriano Sambugaro


Monstro, aberração, pervertido, anomalia da natureza, calculista, psicopata, doente... Esses são apenas alguns dos adjetivos usados para designar os assassinos cruéis. Chamá-los assim parece ter sobre nós o curioso efeito de um pequeno alívio, um desabafo que os apresentadores de televisão, os radialistas e os políticos sabem capitalizar como ninguém em seus discursos sobre a violência. “Quanto mais execramos esses criminosos, mais nos sentimos diferentes deles, como um exorcista que, diante do demônio, fortalece a sua fé”, diz o psicanalista William Cesar Castilho Pereira, professor de Psicologia da PUC de Minas Gerais. “É uma defesa natural para negar o potencial de violência que existe em todos nós”, afirma William.
Quem nunca teve vontade de esganar alguém? Por mais zen que possa parecer, ninguém está livre do arrebatador impulso para a violência. “Assim como em outros animais, a violência faz parte do ser humano”, diz Márcia Regina da Costa, professora de Antropologia da PUC de São Paulo. Especialista em violência de gangues, Márcia diz que esse potencial pode variar de um comportamento agressivo no trânsito, uma briga de torcidas até um assassinato. “A violência é como uma espécie de arquivo de computador não-executável”, diz a antropóloga. “Dependendo do estímulo, ele entra em ação e os resultados podem ser inesperados.” Mas, se é verdade que todos nós temos a capacidade para o mal, por que somente algumas pessoas chegam às vias de fato?
“Assim como ocorre com os nossos desejos sexuais, a vida em sociedade exige a repressão de alguns instintos”, afirma o psicólogo paulista Antônio Carlos Amador Pereira, especialista em desenvolvimento psíquico de adolescentes e adultos. Ou seja: por mais vontade que tenha de agredir alguém, você tem que renunciar a esse desejo para viver em grupo. “Essa é a diferença entre a vida selvagem e a civilização”, diz o psicólogo. “Mas a renúncia a esses instintos nunca é fácil.” No artigo “O mal-estar da civilização”, publicado em 1930, Sigmund Freud descreveu pela primeira vez o conflito existente entre nossos impulsos animais e a repressão desses impulsos pela vida em sociedade. A força resultante desse embate é a culpa – aquele anjinho dos desenhos animados dizendo, no pé do ouvido, que você deve se controlar. Ainda assim, num momento de ira, ninguém estaria livre de cometer algum ato violento.
Se todos os crimes violentos fossem provocados por um momento de descontrole, as explicações acima seriam bastante satisfatórias. Os crimes passionais, portanto, são causados por uma onda incontrolável desse instinto animal que todos temos e que nos faz querer resolver nossos problemas pela via mais simples, direta e distante do raciocínio. Mas como explicar os crimes perversos que foram planejados com a tranqüilidade de quem prepara uma refeição? O que se passa na mente de um seqüestrador que agiu teoricamente em busca de dinheiro mas que não se conteve e estuprou e queimou sua refém?
“São atos que não podem ser simplificados como tendo origem na pobreza, na ignorância ou num momento de descontrole”, diz o psiquiatra americano Jonathan Pincus, autor do livro Base Istincts – What Makes Killers Kill (“Instintos básicos – O que faz matadores matarem”, inédito no Brasil). “Há algo diferente na mente dessas pessoas que as torna capazes de cometer atrocidades sem sentir nenhum remorso.” Lembra a figura do anjinho tentando controlar seus atos para evitar que você cometa um crime e depois se sinta culpado? Para essas pessoas, parece não existir nem o anjo nem a culpa. Popularmente, elas são conhecidas como psicopatas.
Segundo a medicina, psicopatas são, na verdade, portadores do distúrbio de personalidade anti-social, um transtorno catalogado desde 1968, cujos principais sinais são o desrespeito dos desejos, dos direitos ou dos sentimentos alheios e um padrão repetitivo de violação das normas. “A prevalência desse distúrbio na população é estimada em 2,5%”, afirma o psiquiatra Marco Antônio Beltrão, diretor do Instituto de Medicina Social e Criminológica do Estado de São Paulo (Imesc). Segundo essa proporção, o Brasil teria nada menos que 4,5 milhões de pessoas nessa condição – o equivalente à soma das populações do Estado de Mato Grosso e de Sergipe. Muita gente, não?
Ainda bem que nem todos os psicopatas são criminosos cruéis. “Sofrer desse distúrbio não significa necessariamente que a pessoa seja ou se torne um assassino”, diz o neurologista Henrique Del Nero, da Universidade de São Paulo. Segundo ele, na maioria dos portadores desse transtorno, o comportamento anti-social se manifesta por traços como egoísmo e falta de escrúpulos. É aquele colega de trabalho que atropela os outros para subir na vida ou o político que desvia dinheiro de um hospital para crianças órfãs com câncer para sua conta bancária. “Boa parte dessas pessoas também são psicopatas”, diz Del Nero. “Mas menos de um 1% comete assassinatos cruéis.”
O motoboy Francisco de Assis Pereira é um dos que estão nessa lista. Em 1998, ele confessou ter assassinado dez mulheres no Parque do Estado, em São Paulo. A técnica do “Maníaco do Parque”, como ficou conhecido, era seduzir moças e depois estuprá-las e matá-las por estrangulamento. Ao confessar seus crimes, Pereira estava com o olhar sereno. Não demonstrou sinais de emoção ou de arrependimento e disse que, se retornasse às ruas, voltaria a matar. Ao contrário do que muita gente imagina, ser diagnosticado como um sociopata não ajuda em nada na diminuição da pena. O motoboy foi condenado a 121 anos de prisão.
“Os psicopatas sabem que estão fazendo algo errado”, afirma o psiquiatra americano Jonathan Pincus. “Eles simplesmente não sentem que estão fazendo algo errado.” Confuso? Para entender melhor a diferença entre saber e sentir, o psiquiatra conta a história de um paciente não-violento que, após uma cirurgia para a retirada de um tumor no cérebro, passa a urinar na sala de jantar e em outros locais além do banheiro. “Você pergunta se ele sabia que não devia fazer isso. Ele responde que sim, sabia. Aí você pergunta: ‘Por que você fez isso, então?’, Ele responde:
‘Não sei, eu fiz’.” O psiquiatra diz que, por mais que ele saiba que é errado, alguma mudança no cérebro do paciente faz com que ele simplesmente não se incomode nem sinta constrangimento em molhar o assoalho da casa.
Essa consciência do ato no momento do crime é também a principal diferença entre os crimes cometidos por um psicopata e por um doente mental. “O sociopata facilmente se entrega numa conversa, já que fala de seus crimes sem demonstrar nenhuma emoção ou constrangimento”, diz o psiquiatra Marco Beltrão, que já fez o laudo de gente como o professor de Matemática Leonardo de Castro, o homem acusado de ter detonado uma bomba no avião da TAM, em 1997, matando um dos passageiros. (Leonardo não foi considerado nem doente mental nem sociopata.) “O assassinato movido por uma alucinação provocada por doença mental tem um perfil bem diferente.”
Foi o que aconteceu às 15h45 da tarde do dia 31 de março de 1985 na cidade de Itu, interior de São Paulo. O torneiro mecânico Sérgio Berloffa assassinou a mãe com uma faca de cozinha sem nenhum motivo aparente – Berloffa era considerado um filho meigo e carinhoso. A investigação feita mostrou que ele fora movido por alucinações. Como num filme de terror, o assassino ouvira uma voz que o instruíra a matar a própria mãe. Segundo ele, a tal voz demoníaca havia explicado que, ao matá-la, ela ressuscitaria e viveria para sempre. Sérgio seguiu as instruções da voz, sua mãe não ressuscitou e, desde então, ele está detido na Casa de Custódia de Franco da Rocha, interior de São Paulo. É para lá que são enviados os chamados autores de crimes inimputáveis – o palavrão significa que o juiz entendeu que o réu não tinha consciência do que estava fazendo no momento do crime e, logo, não pode ser julgado como um assassino comum.
Após ser examinado por psiquiatras, as alucinações de Sérgio mostraram ser sintomas de esquizofrenia paranóide, uma doença mental comum que apenas em pouquíssimos casos torna sua vítima violenta. “Esse é um típico caso de crime motivado por doença mental”, diz o psiquiatra Carlos Eduardo Garcia, que há 21 anos acompanha e medica os pacientes da Casa de Custódia.
“Mas esses assassinatos estatisticamente são raros”, afirma. “A maioria dos crimes considerados bárbaros são cometidos por pessoas com distúrbio de personalidade anti-social, os chamados psicopatas.”
Nos Estados Unidos, estima-se que nada menos que três quartos da população carcerária tenha o transtorno de personalidade anti-social.
“Não temos dados desse tipo no Brasil”, diz o psiquiatra Paulo Sérgio Calvo, um dos encarregados de examinar os presos da Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo. “Se eu tivesse que fazer uma estimativa, acredito que essa proporção, no Brasil, não chegaria a um quarto dos presos”, afirma. Para ele, mesmo que a proporção de psicopatas nos presídios brasileiros seja menor, são eles que encabeçam as rebeliões e convencem os outros presos a participarem dos motins. “Ainda que o número deles não seja tão expressivo, o estrago que eles provocam é enorme. Se conseguíssemos diagnosticar todos esses casos e separá-los dos outros presos, muitas dessas rebeliões deixariam de acontecer.” Mas, afinal, qual a origem desse transtorno? O chamado psicopata nasce assim ou é fruto do ambiente em que vive?
A resposta para essa pergunta vem gerando controvérsias desde o século XVIII, quando o médico austríaco Franz Gall defendia a tese de que ninguém se torna criminoso, já se nasce criminoso. Gall foi um dos mais importantes representantes da frenologia, a teoria de que era possível identificar um assassino frio por meio de algumas saliências no crânio. A idéia é que havia no cérebro uma área específica para a violência. Se essa área fosse grande, era melhor apressar o exame do paciente e sair logo da sala. Mas a realidade não se encaixou na sua tese e as idéias de Gall e outras explicações biológicas para a origem da agressividade caíram em descrédito na mesma época em que a psicanálise buscava modelos que não tivessem necessariamente uma origem orgânica para explicar a violência.
Até hoje, os pesquisadores se dividem. De um lado estão os que procuram encontrar no cérebro a origem da sociopatia. Uma pesquisa realizada pelo neurologista Adrian Raine, da Universidade de Southern California, em Los Angeles, analisou imagens computadorizadas de cérebros de sociopatas e sugeriu que eles apresentam algumas alterações no córtex frontal, a parte do cérebro que fica logo abaixo da testa e que é considerada responsável por nossa capacidade de sentir emoções. Resta saber se essa alteração é genética ou fruto de algum distúrbio psicológico adquirido.
Do outro lado estão os que acreditam que a insensibilidade dos psicopatas é fruto de um trauma, como violência ou abuso sexual na infância. Enfim, um problema de software e não de hardware. Mas todos parecem concordar num ponto: não deve existir apenas um fator para que alguém se torne um assassino frio. Problemas neurológicos, doenças mentais, abuso sexual e violência infantil, todas essas causas são plausíveis para explicar o que torna algumas pessoas mais vulneráveis a cometer esses crimes.
“É preciso reconhecer que existe uma série de outros problemas psíquicos que podem levar alguém à violência que não se enquadram nem na doença mental nem na sociopatia”, diz o psiquiatra José Cássio do Nascimento Pitta. Ele foi o psiquiatra do estudante de medicina Mateus da Costa Meira, preso após disparar, em 1999, cerca de 40 tiros de metralhadora na platéia de um cinema num shopping em São Paulo, matando três pessoas e ferindo outras cinco.
Mateus não foi considerado nem um sociopata nem um doente mental. Qual o motivo dos disparos? Pitta se recusa a falar do seu paciente por “questões éticas”, mas afirma que há uma série de outros fatores ligados ao desenvolvimento da personalidade que, aliados ao uso de drogas, podem servir de estopim para um ato violento. No exame que a polícia fez para saber se o estudante estava sob o efeito de tóxicos no dia da chacina, foram encontrados vestígios de cocaína.
Há o que fazer para prever esse tipo de crueldade? Os especialistas dizem que os esforços devem se concentrar no combate à violência e ao abuso infantis, que são mais recorrentes em locais onde predomina a pobreza. “É preciso coibir com rigor a violência contra crianças, porque quem é vítima dela tende a deixar de ser a vítima e se transformar no violentador no futuro”, afirma o psicoterapeuta paulista Roberto Ziemer. “A formação de uma criança não é um problema que só diz respeito aos pais dela, já que, no futuro, todos pagamos pelos crimes que tiveram origem na violência e no abuso sexual.” Ziemer defende a tese de que todo assassino perverso sofreu alguma forma de abuso na infância, seja o terrorista Bin Laden, Hitler ou o “Maníaco do Parque”.
O psiquiatra Paulo Sérgio Calvo, da Casa de Detenção do Carandiru, diz que outra forma de evitar a formação de assassinos frios é fazer com que a legislação aumente a parcela de responsabilidade dos pais sobre os atos cometidos por seus filhos. “O engajamento deles tem que ser cobrado”, diz o psiquiatra. “As pessoas parecem esquecer que o ambiente em que essas crianças vivem pode determinar se vão ou não se transformar em assassinos frios no futuro.”
Outro ponto polêmico que divide os especialistas é o papel da pobreza na formação de assassinos frios. “Ela pode até não explicar todos os casos, mas é claro que existe uma relação, mesmo que indireta”, afirma o psiquiatra do Imesc Marco Antônio Beltrão. “Em regiões pobres, há mais famílias desestruturadas, mais abuso e violência infantil e, conseqüentemente, mais assassinos frios.” Para o psicólogo Antônio Carlos Amador Pereira, da PUC de São Paulo, esse elo é mais direto: “Viver numa sociedade que celebra o consumo e se sentir excluído dessa festa é claro que torna uma pessoa muito mais vulnerável ao ódio e à violência”, diz. “Por que você acha que alguns seqüestradores vão direto a um shopping center depois que recebem o resgate?”
Além do consumo, o psicólogo diz que a violência tem outro atrativo para jovens excluídos: a sensação de poder. “Com uma arma na mão, uma pessoa se sente uma espécie de Deus, com o poder sobre a vida e a morte de outro ser humano”, diz o psicólogo. “É preciso que a violência deixe de ser encarada como a única forma, ainda que breve, de viver intensamente.”

Para saber mais

Na livraria:
Base Instincts - What Makes Killers Kill, de Jonathan H. Pincus, W.W. Norton & Company, Londres, 2001
Emotions: The Science of Sentiment, de Dylan Evans, Oxford, 2001
Into The Mind of a Killer, Revista Nature, Março de 2001, vol 410

Quatro tipos de matadores

TED KACZYNSKI (UNABOMBER)
CRIME - Matou três pessoas e feriu 16 enviando bombas pelo correio a executivos de empresas de tecnologia.
DIAGNÓSTICO - Esquizofrênico. Apesar de ser uma situação rara em alguns casos essa doença mental pode ser o estopim para a violência.

JEFFREY DAHMER
CRIME - Matou 17 rapazes e comeu seus órgãos.
DIAGNÓSTICO - Psicopata. Dahmer tem todos os traços do portador de distúrbio de personalidade anti-social (o chamado psicopata). Quando foi preso, em 1991, mostrou os corpos que mutilava e comia sem manifestar emoção.

CHARLES MANSON
CRIME - Participou do assassinato e mutilação de mais de cinco pessoas – entre elas Sharon Tate, mulher do cineasta Roman Polanski, que estava grávida de oito meses.
DIAGNÓSTICO - Abuso na infância. Não conheceu o pai e a mãe ficou presa por roubo durante boa parte da infância de Charles.

MATEUS DA COSTA MEIRA
CRIME - Em 1999, disparou uma submetralhadora contra a platéia de um cinema em São Paulo. Três pessoas morreram e cinco ficaram feridas.
DIAGNÓSTICO - Surto causado por drogas. Mateus tinha consciência do que fazia e não foi considerado psicopata. Tinha problemas de personalidade e usava cocaína no momento do crime.

 

Leia mais sobre violência no especial da Superinteressante:

Por um Brasil menos violento – uma investigação inédita que traz tudo o que é preciso fazer para diminuir a insegurança no Brasil

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Força e Determinação...


A história de Ruby Bridges

Em 1954, a Suprema Corte americana decretou que todas as escolas públicas do país passassem a integrar alunos negros. A família da menina de 6 anos, Ruby Bridges, decidiu matriculá-la em um colégio “All White” de Nova Orleans, chamado William Frantz, em 1960. Temendo algum tipo de represália, seus pais pediram escolta da polícia local, para que Ruby pudesse ir à escola em segurança, mas a polícia da cidade recusou o pedido. A família recorreu, então, à polícia federal que atendeu o pedido e enviou agentes para escoltar Ruby de sua casa até à escola. Chegando no colégio, uma multidão de pais enfurecidos protestavam contra a presença da menina, através de insultos e ameaças a integridade física da família Bridges.

Quando perceberam que Ruby seria aceite na escola, os pais dos alunos brancos resolveram entrar na sala de aula e retirar seus filhos do local. A jovem professora Barbara Henry foi a única docente a aceitar dar aulas à Ruby. Durante todo o ano letivo, Ruby era a única aluna na sua classe.

Trinta e nove anos depois, Ruby Bridges criou uma Fundação com o seu nome, para promover os valores da tolerância, respeito e valorização de TODAS as diferenças.

Na imagem Ruby, então com 6 anos, escoltada por agentes federais




Foto: A história de Ruby Bridges

Em 1954, a Suprema Corte americana decretou que todas as escolas públicas do país passassem a integrar alunos negros. A família da menina de 6 anos, Ruby Bridges, decidiu matriculá-la em um colégio “All White” de Nova Orleans, chamado William Frantz, em 1960. Temendo algum tipo de represália, seus pais pediram escolta da polícia local, para que Ruby pudesse ir à escola em segurança, mas a polícia da cidade recusou o pedido. A família recorreu, então, à polícia federal que atendeu o pedido e enviou agentes para escoltar Ruby de sua casa até à escola. Chegando no colégio, uma multidão de pais enfurecidos protestavam contra a presença da menina, através de insultos e ameaças a integridade física da família Bridges.

Quando perceberam que Ruby seria aceite na escola, os pais dos alunos brancos resolveram entrar na sala de aula e retirar seus filhos do local. A jovem professora Barbara Henry foi a única docente a aceitar dar aulas à Ruby.  Durante todo o ano letivo, Ruby era a única aluna na sua classe.  

Trinta e nove anos depois, Ruby Bridges criou uma Fundação com o seu nome, para promover os valores da tolerância, respeito e valorização de TODAS as diferenças.

Na imagem Ruby, então com 6 anos, escoltada por agentes federais

HOMOSSEXUALIDADE / DR. DRAUZIO VARELLA


A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?



Foto: DR. DRAUZIO VARELLA - HOMOSSEXUALIDADE

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?